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Para jovens leitores
Há mais de 400 anos, o Japão invadiu duas vezes a Coreia, que naquela época se chamava Joseon. Na primeira vez, em 1592, os japoneses não conseguiram ficar com a rica província de Jeolla, no sudoeste. Quando voltaram, em 1597, decidiram tomar Jeolla primeiro.
A cidade de Namwon guardava a estrada que vinha das montanhas a leste e dava acesso a Jeolla. Um general chinês chamado Yang Yuan, enviado pelo imperador Ming para ajudar a Coreia, defendia a cidade com cerca de 3.000 cavaleiros. Um general coreano, Yi Bok-nam, abriu caminho lutando com seus soldados para entrar na cidade e ajudá-lo.
Em setembro de 1597, um enorme exército japonês cercou a cidade. Durante três dias, os japoneses atiraram contra as muralhas. Depois cortaram plantas de arroz e capim dos campos, amarraram tudo em feixes e, à noite, jogaram os feixes no fosso em volta das muralhas até poderem subir por eles como por uma rampa.
A cidade caiu naquela noite. Yi Bok-nam e quase todos os oficiais morreram lutando, e muitos soldados e moradores foram mortos. Os soldados japoneses cortaram o nariz dos mortos para provar quantos tinham matado. Yang Yuan escapou, mas a corte chinesa depois o castigou com a morte por ter perdido a cidade.
Mais tarde, os mortos foram enterrados juntos num grande túmulo. Hoje ele se chama Manin Uichong, “o túmulo dos dez mil justos”, e as pessoas ainda o visitam para se lembrar deles.
Em resumo
- Data
- As tropas japonesas chegaram a Namwon no 12º–13º dia do 8º mês lunar de 1597 (22–23 de setembro no calendário gregoriano, convertido com a tabela do Instituto Coreano de Astronomia e Ciência Espacial); o assalto final ocorreu na noite do dia 15, segundo o Jingbirok, ou na do dia 16, segundo o relatório à corte do dia 18 (25 ou 26 de setembro). A maioria dos relatos coreanos dá o dia 16, 26 de setembro, como o dia da queda
- Local
- Fortaleza da cidade de Namwon (Namwon eupseong), uma cidade amuralhada em terreno plano na atual Namwon, província de Jeolla do Norte, na rota da província de Gyeongsang para Jeolla
- Guerra
- Segunda invasão japonesa (guerra Jeongyu, 1597–1598) da Guerra Imjin (1592–1598)
- Comandantes
- Ming: o comandante regional adjunto Yang Yuan, com Li Xinfang, Jiang Biao e Mao Chengxian / Joseon: o comandante do exército de Jeolla, Yi Bok-nam, Jeong Gi-won (oficial de ligação junto a Yang Yuan), o magistrado de Namwon, Im Hyeon, Kim Gyeong-no, O Eung-jeong, Sin Ho e outros / Japão: Ukita Hideie (comandante-geral do Exército da Esquerda), com Konishi Yukinaga, Shimazu Yoshihiro, Hachisuka Iemasa, Katō Yoshiaki, Tōdō Takatora e outros
- Forças
- Defensores: cerca de 3.000 soldados Ming (cavalaria de Liaodong) e cerca de 1.000 soldados de Joseon, segundo a Enciclopédia da Cultura Coreana; o Jingbirok diz que Yi Bok-nam trouxe apenas algumas centenas / Japão: cerca de 50.000 a 56.800, segundo diferentes relatos (Exército da Esquerda e unidades navais)
- Perdas
- Quase todos os oficiais Ming e de Joseon na cidade foram mortos. Os totais variam muito: uma contagem baseada em documentos japoneses dá cerca de 3.700 mortos; relatos coreanos posteriores falam de milhares de soldados e de cerca de 10.000 moradores. As perdas japonesas não estão registradas nas fontes usadas aqui
- Resultado
- Vitória japonesa. A guarnição Ming de Jeonju retirou-se, e Jeonju foi ocupada sem combate em 29 de setembro; os japoneses avançaram então para a província de Chungcheong
- Fontes principais
- Registros Verídicos do Rei Seonjo (relatórios do 8º e do 9º mês lunar de 1597), Anais Revisados do Rei Seonjo, o Jingbirok de Yu Seong-ryong (relato do sobrevivente Kim Hyo-ui), a História de Ming, registros japoneses como o Chōsenki de Ōkōchi Hidemoto, as cartas com selo vermelho de Hideyoshi e o diário do monge Keinen
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Fácil
O que aconteceu em Namwon?
O cerco de Namwon foi uma das primeiras grandes batalhas da segunda invasão japonesa da Coreia, que começou em 1597, depois de anos de negociações de paz fracassadas entre a China Ming e o Japão. Namwon, uma cidade amuralhada no sudeste da província de Jeolla, ficava na estrada pela qual um exército vindo da província de Gyeongsang podia entrar em Jeolla, e os aliados Ming e Joseon a escolheram como o lugar para deter os japoneses.
A cidade era defendida por cerca de 3.000 cavaleiros Ming sob o comandante regional adjunto Yang Yuan, junto com uma força menor de Joseon liderada por Yi Bok-nam, comandante do exército da província de Jeolla, e vários funcionários locais. Contra eles veio o Exército da Esquerda japonês sob Ukita Hideie, com dezenas de milhares de homens. Os japoneses chegaram no 12º–13º dia do 8º mês lunar de 1597 (22–23 de setembro no calendário ocidental, convertido com a tabela do Instituto Coreano de Astronomia e Ciência Espacial) e cercaram a cidade.
Depois de três dias de fogo de mosquete, na noite do dia 15 ou 16 (25 ou 26 de setembro; os registros divergem), os japoneses encheram o fosso com feixes de plantas de arroz e capim cortados, empilharam-nos contra as muralhas e entraram escalando. A cidade caiu em poucas horas. Yi Bok-nam, os oficiais Ming Li Xinfang, Jiang Biao e Mao Chengxian e quase todos os funcionários de Joseon foram mortos, e muitos soldados e moradores morreram com eles. Yang Yuan abriu caminho para fora com um punhado de homens.
A queda de Namwon abriu o caminho para Jeolla. A guarnição Ming de Jeonju, a capital da província, abandonou a cidade, e os japoneses a ocuparam sem combate em 29 de setembro. A batalha também é lembrada por sua crueldade: nesta campanha, os japoneses cortavam o nariz dos mortos como prova dos inimigos abatidos. Hoje os mortos de Namwon são homenageados no Manin Uichong, o “túmulo dos dez mil justos”.
Fácil
Jeolla primeiro: o plano japonês de 1597
Na primeira invasão, em 1592, os japoneses haviam avançado rapidamente até Hanseong (Seul) e Pyongyang, mas nunca dominaram Jeolla, a província de Joseon mais rica em arroz, que continuou a alimentar o esforço de guerra coreano. A Enciclopédia da Cultura Coreana descreve o primeiro objetivo da nova invasão como a conquista da região de Honam, isto é, Jeolla, e a Wikipédia em japonês resume as instruções de Toyotomi Hideyoshi para 1597 como “castigar toda a província de Jeolla e depois avançar sobre Chungcheong”, após o que os comandantes deveriam construir castelos na costa. A Enciclopédia da Cultura Coreana calcula em cerca de 140.000 homens o exército reunido para a nova invasão.
O plano dependia do mar. Em agosto de 1597, a marinha de Joseon sob Won Gyun foi quase destruída em Chilcheollyang (27–28 de agosto), e o Jingbirok observa que navios japoneses avançaram então para o oeste ao longo da costa, desembarcaram em Duchijin e marcharam sobre Namwon. Segundo a Enciclopédia da Cultura Coreana, os exércitos japoneses começaram a marchar a partir do 28º dia do 7º mês lunar (9 de setembro). O Exército da Esquerda, com Ukita Hideie como comandante-em-chefe, marchou de Sacheon, passando por Hadong, até Gurye, enquanto parte dele veio por Hamyang até Unbong, de modo que Namwon pudesse ser atacada por terra e pela água.
Um segundo exército, o Exército da Direita sob Mōri Hidemoto, com Katō Kiyomasa na vanguarda, atravessou as montanhas mais ao norte, passando por Chogye e Anui, em direção a Jeonju. Ukita Hideie tinha então cerca de 25 anos. Era senhor de Bizen e Mimasaka, era casado com a filha adotiva de Hideyoshi, Gōhime, e já havia sido o comandante-geral na batalha de Haengju, em 1593; no Exército da Esquerda, tinha consigo comandantes experientes como Konishi Yukinaga, Shimazu Yoshihiro e Hachisuka Iemasa.
Fácil
Yang Yuan, Yi Bok-nam e a guarnição
Yang Yuan era um general Ming da fronteira norte. Em 1593 havia liderado uma ala do exército Ming que retomou Pyongyang e, segundo a Wikipédia em coreano e a Wikipédia em chinês, ajudou a salvar Li Rusong em Byeokjegwan. Em 1597 voltou à Coreia antes do grosso do exército Ming, chegando a Hanseong no 5º mês lunar com 3.000 homens. A História de Ming registra que o alto comando Ming lhe ordenou que se posicionasse em Namwon e depois prendesse Shen Weijing, o enviado cujos relatórios enganosos haviam ajudado a arruinar as negociações de paz. Segundo a Enciclopédia da Cultura Coreana, outras unidades Ming foram postadas em Jeonju, Seongju e Chungju.
A escolha de Namwon foi feita às pressas. Numa audiência no 15º dia do 8º mês, o rei Seonjo lembrou que, quando Yang perguntou que lugar deveria defender, o Conselho de Defesa das Fronteiras respondeu “Namwon” na hora, e que Yang se gabara: “Eu sou como um tigre, e o inimigo como ovelhas; como poderiam resistir a mim?” No mesmo dia, um funcionário advertiu que Yang era um general do norte que sabia combater os cavaleiros das estepes, mas nunca havia enfrentado os japoneses.
Joseon estava representada na cidade por Jeong Gi-won, o funcionário destacado junto a Yang como oficial de ligação, pelo magistrado de Namwon, Im Hyeon, e por outros oficiais locais. A principal força de campanha de Joseon deveria vir sob Yi Bok-nam, comandante do exército de Jeolla, que havia lutado em Ungchi em 1592 e tinha sido magistrado de Namwon. Yang o convocou, mas Yi demorou a chegar. O Jingbirok diz que ele veio com apenas algumas centenas de homens; o relatório do rei aos Ming diz que ele liderou mais de mil soldados escolhidos, abriu caminho à força através dos japoneses e chegou à cidade com 700. Com Kim Gyeong-no, Sin Ho, comandante da vizinha fortaleza de montanha de Gyoryong, e outros, ele assumiu a porta norte.
Muitas das pessoas que os defensores deveriam proteger já tinham partido. Jeong Gi-won havia garantido a Yang que o povo de Namwon confiava nele “como numa longa muralha”, mas o Jingbirok diz que, quando chegou a notícia do avanço japonês por terra e por mar, os moradores entraram em pânico e fugiram, deixando dentro da cidade apenas os 3.000 cavaleiros de Liaodong de Yang. Pouco antes do cerco, um relatório do comandante Ming em Jeonju dizia que a cidade de Namwon estava vazia, e depois da queda o Gabinete do Inspetor-Geral queixou-se de que soldados e civis coreanos haviam fugido e deixado as tropas Ming sozinhas na defesa da cidade.
Intermediário
Uma cidade amuralhada na planície
As muralhas de Namwon não eram as de uma fortaleza de montanha, mas a muralha de pedra de uma sede de distrito em terreno plano. Iniciadas em 1477, foram ampliadas antes de 1530 para um perímetro de cerca de 3,4 quilômetros, aproximadamente 850 metros de cada lado, com uma porta no meio de cada muralha e uma malha de ruas no interior. Em 1593, o oficial Ming Luo Shangzhi reparou as muralhas depois da primeira invasão e acrescentou recintos de proteção às portas e bastiões.
Yang Yuan as reforçou ainda mais. O Jingbirok, com base no relato de um sobrevivente, diz que ele elevou a muralha em cerca de um zhang (uns três metros), abriu muitas seteiras para armas de fogo numa muralha externa baixa chamada yangmajang (“muralha das ovelhas e dos cavalos”), colocou vários canhões grandes nas portas e cavou o fosso com um ou dois zhang de profundidade. A Enciclopédia da Cultura Coreana acrescenta que ele elevou a muralha a 16 cheok, com um parapeito. Escavações feitas desde 1997 encontraram a muralha norte, a porta norte, um bastião e, 7–8 metros fora da muralha, a base do yangmajang, com um fosso revestido de pedra de 4–5 metros de largura além dele; uma arma de fogo portátil de Joseon foi encontrada no yangmajang.
Nem todos concordavam com a escolha de Yang. Fora da cidade ficava a fortaleza de montanha de Gyoryong, uma antiga fortaleza de pedra num morro íngreme que havia sido reparada durante a guerra. Jeong Gi-won e o magistrado Im Hyeon insistiram com Yang para que a usasse, de modo que a cidade e a fortaleza de montanha pudessem apoiar-se mutuamente, e os Anais Revisados dizem que a opinião geral favorecia a fortaleza de montanha. Yang recusou: julgava a muralha da cidade defensável e, segundo o relatório de Jeong, zombou dizendo que os soldados coreanos fugiam nas batalhas.
Fácil
Quatro dias em setembro de 1597
O relato mais detalhado do cerco vem de Kim Hyo-ui, um dos doze soldados do Gabinete de Armamentos de Joseon que haviam entrado em Namwon com Yang Yuan e o único deles a sobreviver. Yu Seong-ryong registrou sua história no Jingbirok “para que sirva de advertência aos futuros defensores”. No dia 13 (23 de setembro), cerca de cem atiradores japoneses se aproximaram das muralhas, dispararam seus mosquetes e se espalharam pelos campos em pequenos grupos. Os defensores responderam com pequenas armas de fogo coreanas, mas não conseguiam acertar alvos tão dispersos, enquanto as balas japonesas muitas vezes atingiam homens na muralha. Depois os japoneses gritaram em direção às muralhas; Yang mandou um de seus homens com um intérprete ao acampamento deles, e ele voltou com uma carta desafiando a guarnição para a batalha.
No dia 14 (24 de setembro), os japoneses acamparam em três lados da cidade e mantiveram o fogo. Yang havia queimado as casas amontoadas fora da porta sul, mas suas paredes de pedra e terra continuavam de pé, e os mosqueteiros japoneses se abrigaram atrás delas e atingiram muitos defensores. Segundo a Wikipédia em japonês, Ukita, Tōdō Takatora e Ōta Kazuyoshi estavam postados no lado sul, Konishi Yukinaga e Sō Yoshitoshi no oeste, Shimazu Yoshihiro e Katō Yoshiaki no norte e Hachisuka Iemasa no leste.
No dia 15 (25 de setembro), os defensores viram os japoneses cortando o capim e o arroz que amadurecia nos arrozais do lado de fora e amarrando-os em incontáveis feixes, mas não entenderam por quê. O comandante Ming Chen Yuzhong estava em Jeonju com cerca de 3.000 homens, e a guarnição esperava todos os dias que ele viesse, mas ele nunca veio. Ao anoitecer, contou Kim Hyo-ui, os homens nas muralhas cochichavam entre si e selavam seus cavalos.
Na primeira vigília da noite, um grande grito ergueu-se das linhas japonesas, e os tiros atingiam as muralhas “como granizo”, de modo que os defensores não conseguiam olhar para fora. Em uma ou duas horas, os feixes haviam enchido o fosso e sido empilhados contra o yangmajang até ficarem no nível da muralha, e os japoneses passaram por cima. A Wikipédia em japonês, seguindo relatos japoneses, acrescenta que se abriu fogo a partir de altas torres de cerco e que foram usadas escadas compridas. O relatório que chegou ao rei poucos dias depois diz que os japoneses escalaram a muralha pela porta sul na noite do dia 16; o Jingbirok situa o assalto na noite do dia 15. A maioria dos resumos coreanos situa a queda em 26 de setembro, o 16º dia, mas os registros divergem sobre a noite do assalto final.
Intermediário
A queda, o massacre e os narizes
Quando os japoneses irromperam, surgiram incêndios por toda a cidade. Kim Hyo-ui, postado na muralha externa junto à porta sul, correu para dentro e encontrou a muralha já abandonada. Na porta norte, a cavalaria Ming, toda montada, tentava sair, mas a porta estava fechada e a rua, entupida de cavalos. Quando ela se abriu, os cavaleiros saíram em massa, só para encontrar tropas japonesas dispostas em dois ou três anéis em volta da cidade, guardando as estradas e abatendo-os com espadas longas. A lua estava clara, e poucos escaparam. Kim pulou num arrozal e se escondeu no capim até os japoneses se retirarem.
Dentro da cidade, os comandantes de Joseon continuaram lutando. Um relatório enviado pelo rei Seonjo aos Ming, baseado num intérprete que escapou com Yang Yuan, diz que Yi Bok-nam, Sin Ho e o magistrado de Gurye não conseguiram resistir no combate de rua e foram mortos com Jeong Gi-won, o magistrado Im Hyeon, seu adjunto Yi Deok-hoe e mais de 700 oficiais e soldados. Os Anais Revisados listam entre os mortos os oficiais Ming Li Xinfang, Jiang Biao e Mao Chengxian e, do lado de Joseon, Jeong Gi-won, Yi Bok-nam, O Eung-jeong, Kim Gyeong-no, Sin Ho, Im Hyeon, Yi Deok-hoe e o magistrado de Gurye, Yi Won-chun, e dizem que os soldados Ming e coreanos foram abatidos até o último homem. Jeong Gi-won havia recusado o conselho de Yang para que partisse e escrevera ao pai que já tinha entregado a vida ao país.
A matança não se limitou aos soldados. Na segunda invasão, as ordens de Hideyoshi mandavam seus comandantes matar sem distinção de idade ou sexo, e narizes, mais fáceis de enviar do que cabeças, eram cortados dos mortos e mandados ao Japão como prova do número de mortos. A Enciclopédia da Cultura Coreana cita Namwon em primeiro lugar entre os lugares de Jeolla onde dezenas de milhares de narizes foram tomados. Um estudo de 2019 de Park Hyun-kyu observa que se conservam cartas com selo vermelho de Hideyoshi dirigidas a vários comandantes, entre eles Shimazu Yoshihiro e Tōdō Takatora, reconhecendo as mortes que suas tropas infligiram em Namwon. Muitas pessoas também foram levadas como cativas.
Uma testemunha ocular japonesa da campanha deixou um registro excepcionalmente crítico. Keinen, um idoso monge budista e médico que foi à Coreia com Ōta Kazuyoshi, um dos comandantes postados diante de Namwon, manteve um diário, o Chōsen nichinichiki, do 24º dia do 6º mês de 1597 ao 2º dia do 2º mês de 1598, pelo calendário japonês. Ele registra incêndios, matanças e tráfico de pessoas por parte do exército japonês; numa passagem, descreve mercadores de escravos que seguiam as tropas, compravam homens e mulheres, jovens e velhos, e os levavam amarrados uns aos outros pelo pescoço. As fontes usadas aqui não citam o que Keinen escreveu sobre a própria Namwon.
Intermediário
Como morreu Yi Bok-nam?
A morte de Yi Bok-nam é contada de duas maneiras diferentes. A Wikipédia em coreano diz que ele se matou: seu artigo sobre a batalha diz que ele, O Eung-jeong e Kim Gyeong-no atearam fogo ao depósito de pólvora da porta norte e provocaram uma explosão que os matou, e seu artigo sobre o próprio Yi diz que, no dia 16, ele mandou seus soldados empilharem palha de arroz à sua volta e pôr fogo nela. O artigo sobre o túmulo Manin Uichong também fala de autoimolação. Esses artigos não dão nenhuma fonte para a história e não concordam sobre como ela aconteceu.
Os registros mais antigos e oficiais dizem apenas que ele morreu em combate. O relatório do rei Seonjo aos Ming, enviado menos de três semanas depois da queda e baseado numa testemunha ocular que escapou com Yang Yuan, diz que Yi Bok-nam e outros “não conseguiram resistir no combate de rua” e foram mortos. Os Anais Revisados o listam entre os que “morreram todos”, o Jingbirok diz que ele e os demais comandantes “morreram todos”, e a Enciclopédia da Cultura Coreana escreve que ele foi morto na luta confusa que se seguiu à entrada dos japoneses pela porta sul.
Este artigo segue as fontes mais fortes: Yi Bok-nam foi morto quando a cidade caiu, lutando dentro das muralhas. A história de seu suicídio pelo fogo pode vir de uma tradição familiar ou local, ou de escritos comemorativos posteriores, mas as fontes usadas aqui não mostram onde ela começou. Yi foi promovido postumamente ao alto cargo de jwachanseong, consagrado no santuário Chungnyeolsa de Namwon em 1612 e mais tarde recebeu o nome póstumo de Chungjang.
Intermediário
A fuga e a execução de Yang Yuan
Yang Yuan conseguiu sair, mas os relatos divergem sobre como. O primeiro relatório a chegar à corte diz que ele rompeu o cerco pela porta oeste com cerca de 300 homens, foi atingido por duas balas e voltou com apenas uns dez. O relatório do rei aos Ming diz que ele atravessou o cerco a cavalo com mais de cem cavaleiros, e a Enciclopédia da Cultura Coreana fala em 50. O Jingbirok diz que ele saiu às pressas com alguns de seus servidores pessoais e “mal escapou com vida”, e acrescenta um boato: “há quem diga que os japoneses sabiam que ele era o comandante e o deixaram ir.” A História de Ming registra um conselheiro Ming observando que os japoneses “não ousaram matar Yang Yuan” porque ainda esperavam um acordo. Uma nota coreana posterior diz que Yang voltou três vezes à cidade à procura de Jeong Gi-won antes de partir.
A corte Ming considerou Yang responsável. No 20º dia do 9º mês lunar (30 de outubro de 1597), o Censorado Ming proclamou uma ordem imperial segundo a qual Yang Yuan e Chen Yuzhong, que havia abandonado Jeonju, tinham “fugido às escondidas para o norte” e deviam ser presos e severamente punidos. O comandante Ming na Coreia, Yang Hao, disse a funcionários coreanos que a corte de Joseon não devia interceder por Yang, porque outros generais seguiriam então o seu exemplo. No verão de 1598, um funcionário Ming disse ao rei Seonjo que Yang estava preso em Liaoyang.
Yang foi executado em 1598. No 8º dia do 10º mês lunar daquele ano (6 de novembro de 1598), sua cabeça decepada foi levada à Porta Sul de Hanseong e exposta; o Jingbirok e os Anais Revisados também dizem que os Ming o executaram e fizeram desfilar sua cabeça na Coreia. O Conselho de Defesa das Fronteiras lembrou seu papel na retomada de Pyongyang e pediu que se enviasse um funcionário para lhe oferecer um sacrifício. O cronista da corte acrescentou que Yang havia combatido numa cidade isolada, sem reforços, enquanto Chen Yuzhong, que “ficou sentado olhando sem ajudar”, ainda conservava a cabeça, e que as pessoas lamentavam a morte de Yang. A Wikipédia em japonês diz que ambos foram executados; as fontes usadas aqui não registram o que finalmente aconteceu com Chen.
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Os mesmos dias: Hwangseoksan e Jeonju
Enquanto o Exército da Esquerda sitiava Namwon, o Exército da Direita atravessava as montanhas a nordeste. Sua vanguarda, sob Katō Kiyomasa, atacou Hwangseoksan, uma fortaleza de montanha em Aneum, na estrada de Gyeongsang para Jeolla. O comissário-inspetor Yi Won-ik havia ordenado ao magistrado de Aneum, Gwak Jun, que a defendesse com as tropas de três distritos, com a ajuda de Baek Sa-rim, magistrado de Gimhae, e o ex-magistrado de Hamyang, Jo Jong-do, havia se juntado a eles com sua família. O ataque começou no 16º dia do 8º mês lunar (26 de setembro). A Enciclopédia da Cultura Coreana situa a queda no dia 17 (27 de setembro), e a Wikipédia em coreano, no dia 18 (28 de setembro).
Segundo os Anais Revisados, quando os japoneses atacaram a porta sul, Baek Sa-rim desceu a mulher e os filhos pela muralha com uma corda e fugiu; o Jingbirok também diz que ele foi o primeiro a escapar e que os defensores então debandaram. Os Anais Revisados contam que Gwak Jun, instado pela família a se salvar, riu: “É aqui que eu morro; que outro plano haveria?”, e foi morto sentado calmamente em sua cadeira de campanha; seus dois filhos morreram a seu lado, e sua filha, cujo marido havia sido capturado, enforcou-se. Jo Jong-do havia escrito antes da batalha que morrer na defesa de uma cidade era uma honra, e morreu com Gwak.
Jeonju, a capital de Jeolla, caiu sem batalha. Chen Yuzhong, a cerca de 100 li (uns 50 quilômetros) dali com suas tropas Ming, não havia respondido aos pedidos de socorro de Namwon e, segundo a História de Ming, abandonou a cidade assim que soube que Namwon havia caído. Funcionários coreanos também culparam o magistrado de Jeonju, Pak Gyeong-sin, que se preparou para fugir antes que os japoneses se aproximassem e cuja partida provocou um tumulto entre os moradores. No 19º dia do 8º mês lunar (29 de setembro), os japoneses ocuparam Jeonju, e os Exércitos da Esquerda e da Direita se reuniram ali antes de avançar para a província de Chungcheong.
Intermediário
Enquanto isso, no mundo, em 1597
No início de 1597, em 5 de fevereiro, o governo de Hideyoshi mandou crucificar em Nagasaki 26 católicos, japoneses e estrangeiros, um ponto de virada na perseguição ao cristianismo no Japão. Na Europa, a longa guerra entre a Inglaterra e a Espanha continuava: entre outubro e novembro de 1597, uma terceira Armada espanhola navegou contra as Ilhas Britânicas, mas foi dispersada por tempestades.
Na Inglaterra, Romeu e Julieta, de Shakespeare, foi impresso pela primeira vez em 1597, numa edição in-quarto de má qualidade que edições posteriores corrigiram. Na Irlanda, a Guerra dos Nove Anos entre senhores irlandeses e a Coroa inglesa, iniciada em 1593, estava no auge.
Nenhum desses acontecimentos teve relação com Namwon. Colocá-los lado a lado mostra apenas que o ano em que Jeolla foi invadida foi também um ano de perseguição religiosa no Japão e de guerra naval e nova literatura na Europa.
Intermediário
O Manin Uichong e a memória de Namwon
Os mortos foram reunidos numa sepultura comum. Segundo o estudo de 2019 de Park Hyun-kyu, o general Ming Li Fangchun, ao voltar a Namwon no 4º mês lunar de 1598, recolheu os restos mortais que jaziam amontoados dentro e fora da cidade e os enterrou num grande túmulo, o precursor do túmulo atual. Em 1612, estudiosos confucianos locais fundaram um santuário, o Chungnyeolsa, dedicado aos funcionários que haviam morrido; no início ele homenageava quatro deles, entre eles Jeong Gi-won e Yi Bok-nam, e mais tarde outros. O santuário foi transferido, abolido em 1869 e reconstruído, derrubado de novo durante o período colonial japonês e restabelecido em 1964.
Em 1964 o próprio túmulo foi transferido para o seu local atual em Namwon, e em 1981 foi declarado Sítio Histórico da República da Coreia; desde 2011 seu nome oficial é Namwon Manin Uichong, “o túmulo dos dez mil justos de Namwon”. A Enciclopédia da Cultura Coreana o descreve como a sepultura dos soldados, funcionários e civis que morreram defendendo a cidade. Park argumenta que o nome “dez mil” foi dado depois da libertação da Coreia, em 1945, para expressar que muitíssimos haviam morrido, e não é prova de um número exato.
A queda de Namwon também entrou na literatura. Em 1621, Jo Wi-han escreveu Choe Cheok-jeon, uma narrativa em chinês clássico sobre uma família de Namwon dispersada pela guerra: quando Namwon cai, a esposa, Ok-yeong, é levada por soldados japoneses e o marido vai para a China com um oficial Ming, e depois de anos separados eles se reencontram em Annam (Vietnã). A Enciclopédia da Cultura Coreana elogia a obra por sua percepção da realidade histórica e geográfica.
No Japão, os mortos de Namwon são lembrados de outras maneiras. Park menciona um “monte dos narizes de mil pessoas” que teria sido feito por um vassalo de Ukita Hideie, e uma estela memorial que Shimazu Yoshihiro e seu filho ergueram no monte Kōya em 1599 pelos mortos dos dois lados, cujo texto menciona 420 mortos de Namwon. Em Kyoto, o monte mais tarde chamado Mimizuka (“Monte das Orelhas”) foi erguido em 1597 sobre narizes enviados da Coreia; o diário do abade Gien registra a chegada da Coreia de quinze tinas de orelhas e narizes no 9º mês, e ali se realizou uma cerimônia em memória dos mortos no 28º dia do 9º mês do calendário japonês. As fontes usadas aqui não dizem quantos dos narizes enterrados em Kyoto vieram de Namwon. O diário de Keinen, conservado em Usuki, foi recomendado em março de 2026 para ser declarado Bem Cultural Importante do Japão.
Avançado
Quantos lutaram e quantos morreram?
Os defensores são contados de maneiras diferentes. A Enciclopédia da Cultura Coreana dá 3.000 soldados Ming e 1.000 soldados do governo de Joseon, 4.000 ao todo, e a Wikipédia em japonês dá cerca de 3.000 soldados Ming e 1.000–3.000 de Joseon. O Jingbirok diz que os moradores fugiram, deixando na cidade os 3.000 cavaleiros Ming de Yang, e que Yi Bok-nam chegou depois com apenas algumas centenas de homens; o relatório do rei aos Ming diz que 700 soldados de Joseon chegaram à cidade. Relatórios da época também dizem que a maioria dos moradores havia fugido antes do cerco, o que torna difícil conciliar com os registros os números posteriores de dez mil ou mais civis dentro das muralhas.
Os atacantes são estimados em cerca de 56.000 no verbete da Enciclopédia da Cultura Coreana sobre a batalha e em 50.000 no verbete sobre a guerra; a Wikipédia em japonês conta 56.800 para o Exército da Esquerda e as unidades navais juntos, e a Wikipédia em inglês, 49.600. Esses são totais de todo o exército e não dizem quantos homens participaram de fato do assalto.
Quanto aos mortos, o número coreano mais antigo é o do rei: mais de 700 oficiais e soldados de Joseon mortos com seus comandantes, além das tropas Ming. O verbete da Enciclopédia da Cultura Coreana sobre o Manin Uichong fala de 2.000 soldados e mais de 10.000 moradores, o verbete sobre o Chungnyeolsa, de “mais de 5.000 almas”, a Wikipédia em coreano, de 4.000 soldados e 7.000 moradores, e a Wikipédia em japonês, de 5.000 mortos Ming e de Joseon. Park Hyun-kyu, combinando a contagem do relato de Ōkōchi Hidemoto (Chōsen monogatari, também chamado Chōsenki) com a carta com selo vermelho de Hideyoshi a Tōdō Takatora, chega a 3.735 mortos; ele não encontra nenhuma prova de um número de dez mil.
Nenhum desses números pode ser conferido com uma lista completa. As contagens japonesas dependem dos narizes e cabeças apresentados para recompensa, os números coreanos, das homenagens posteriores aos mortos, e o nome “dez mil justos”, de uma tradição moderna. Tomadas em conjunto, essas fontes indicam que quase todos os oficiais na cidade foram mortos, que a guarnição Ming foi em grande parte destruída e que soldados e civis foram massacrados quando a cidade caiu. As perdas japonesas não estão registradas nas fontes usadas aqui.
Avançado
As fontes e seus problemas
O registro mais antigo é o relatório lançado nos Registros Verídicos do Rei Seonjo no 18º dia do 8º mês, dois dias depois da queda: os japoneses cercaram Namwon no dia 12, atacaram dia e noite e escalaram a porta sul na noite do dia 16. Foi escrito de longe e às pressas. O relatório do rei aos Ming, do 2º dia do 9º mês, acrescenta o depoimento do intérprete Pak Ui-seong, que escapou com Yang Yuan, e lista os funcionários mortos. Os Anais Revisados, compilados décadas depois, dão um resumo bem ordenado, com as portas atribuídas a cada comandante.
O Jingbirok é a fonte mais rica. Seu relato do cerco vem de Kim Hyo-ui, um soldado comum que lutou nas muralhas, e dá detalhes dia a dia que não se encontram em nenhum outro lugar: a carta de desafio, as casas queimadas fora da porta sul, os feixes de palha de arroz e o aperto na porta norte. Mas foi escrito por Yu Seong-ryong depois da guerra, a partir da memória de um só homem, e suas datas não coincidem exatamente com as do relatório à corte: o Jingbirok situa a chegada da vanguarda japonesa no dia 13 e o assalto final na noite do dia 15, enquanto o relatório à corte faz o cerco começar no dia 12 e as muralhas caírem na noite do dia 16. A Enciclopédia da Cultura Coreana dá os dias 13 a 16 num verbete e um assalto a partir do dia 14 em outro.
Os nomes e os detalhes também variam. O magistrado de Gurye que morreu é Yi Won-chun nos Anais Revisados, mas o Jingbirok o chama de Yi Chun-won, magistrado de Gwangyang; o nome de O Eung-jeong aparece com duas grafias diferentes em caracteres chineses. Em Hwangseoksan, o texto do Jingbirok no Wikisource chama Jo Jong-do de ex-magistrado de Haman (咸安), o distrito onde ele vivia, mas a mesma passagem copiada nos escritos reunidos de Jo traz Hamyang (咸陽), assim como os Anais; o Jingbirok também chama Baek Sa-rim de ex-magistrado de Gimhae, enquanto os Anais o tratam como magistrado em exercício. Um relatório de Kim Eung-seo, comandante do exército do oeste de Gyeongsang, chega a dizer que Baek ainda estava na fortaleza quando ela caiu e foi levado para fora por um soldado japonês que se rendera. A História de Ming, compilada no período Qing, diz que Katō Kiyomasa sitiou Namwon, embora Kiyomasa estivesse com o Exército da Direita em Hwangseoksan. Relatos japoneses, como o Chōsenki de Ōkōchi Hidemoto, escrito por um vassalo de Ōta Kazuyoshi, e as cartas de Hideyoshi dão o ponto de vista dos atacantes e suas contagens de mortos, mas as fontes usadas aqui só os citam por meio de estudos modernos.
Alguns detalhes populares se apoiam em bases mais frágeis. O suicídio de Yi Bok-nam pelo fogo não aparece nos registros antigos, e as afirmações de algumas narrativas modernas de que Yang Yuan fez um acordo secreto com os japoneses vão além do que as fontes dizem: o Jingbirok relata apenas um boato de que os japoneses o deixaram ir, e a História de Ming, apenas uma observação de que eles não ousaram matá-lo. O número de dez mil mortos por trás do nome do túmulo, como argumenta Park, não é sustentado por provas da época.
Avançado
Por que Namwon caiu e o que isso mudou?
Os contemporâneos apontaram várias causas. Yu Seong-ryong concluiu que Yang Yuan era um general de Liaodong que sabia combater os cavaleiros do norte, mas não os japoneses, e que uma cidade em terreno plano é muito difícil de defender; sua escolha da cidade em vez da fortaleza de montanha de Gyoryong, contra o conselho coreano, deixou 3.000 cavaleiros encurralados atrás de muralhas onde os cavalos pouco serviam. A desproporção também era esmagadora: uma guarnição de alguns milhares, com a maior parte dos moradores já fora, enfrentou um exército dez vezes maior, e a força de socorro de Jeonju nunca veio.
Os funcionários coreanos também culparam a si mesmos. Depois da queda, o Gabinete do Inspetor-Geral escreveu que soldados e civis coreanos haviam se dispersado e deixado os Ming lutando sozinhos, e que o magistrado de Jeonju havia fugido antes da chegada do inimigo. O rei, escrevendo aos Ming, admitiu que a fraqueza de Joseon havia obrigado os Ming a lutar em solo estrangeiro. A fuga da população, o atraso da força de Yi Bok-nam e a recusa de Chen Yuzhong em ajudar deixaram Namwon isolada.
As consequências foram imediatas. Sem Namwon e Jeonju, Jeolla ficou exposta ao avanço japonês, e os japoneses saquearam a província e avançaram para o norte, para Chungcheong; Hanseong entrou em pânico, e as pessoas começaram a fugir da capital. O Jingbirok diz que, depois da queda de Namwon, tudo ao norte de Jeonju desmoronou. Ainda assim, os japoneses não chegaram a Hanseong. Uma força Ming enfrentou parte do exército japonês perto de Jiksan em outubro, Yi Sun-sin derrotou uma frota japonesa em Myeongnyang em 26 de outubro, e a partir do outono os japoneses se retiraram para seus castelos na costa sul. Quanto cada um desses acontecimentos contribuiu para a retirada ainda é objeto de debate.
Namwon está, assim, no ponto de virada da segunda invasão: foi uma grande vitória japonesa em terra em 1597 e também o exemplo mais claro da brutalidade daquela campanha. Para a Coreia, tornou-se, junto com o segundo cerco de Jinju, em 1593, um símbolo de soldados, funcionários e civis morrendo juntos na defesa de sua cidade.
Ideias principais
- Jeolla primeiro
- Por não terem conseguido dominar Jeolla em 1592, os japoneses fizeram da conquista dessa província rica em arroz o primeiro objetivo da invasão de 1597; Namwon guardava sua porta de entrada oriental.
- Mar e terra juntos
- A destruição da marinha de Joseon em Chilcheollyang permitiu que navios japoneses apoiassem pelo lado do rio o avanço por terra sobre Namwon.
- Muralha da cidade ou fortaleza de montanha
- Yang Yuan preferiu defender a cidade na planície em vez da vizinha fortaleza de montanha de Gyoryong. Os contemporâneos viram nisso uma das causas da derrota.
- Uma aliança sob tensão
- As tropas Ming defenderam a cidade quase sozinhas, as forças coreanas chegaram tarde e em pequeno número, e a guarnição Ming de Jeonju não veio ajudar; cada lado culpou o outro.
- Narizes como recibos
- Na segunda invasão, narizes eram cortados dos mortos, civis inclusive, e contados para recompensa; a prática é lembrada no Mimizuka, em Kyoto.
- Registro e tradição
- Os registros antigos dizem que Yi Bok-nam foi morto em combate; a história de seu suicídio pelo fogo só aparece em narrativas posteriores. Comparar as duas mostra como a memória cresce.
- A memória de uma batalha perdida
- O Manin Uichong, o santuário Chungnyeolsa e a narrativa Choe Cheok-jeon mantêm viva a memória da queda de Namwon como símbolo de sacrifício compartilhado.
Registros
- 1593 — O oficial Ming Luo Shangzhi repara e reforça as muralhas de Namwon depois da primeira invasão.
- 1597 — 5º mês lunar: Yang Yuan chega a Hanseong com 3.000 soldados Ming e é destacado para Namwon.
- 1597 — 27–28 de agosto (15º–16º dia do 7º mês lunar): a marinha de Joseon é destruída em Chilcheollyang.
- 1597 — 9 de setembro (28º dia do 7º mês lunar): os exércitos japoneses começam seu avanço; o Exército da Esquerda marcha de Sacheon, passando por Hadong e Gurye.
- 1597 — 22–23 de setembro (12º–13º dia do 8º mês lunar): os japoneses chegam a Namwon e a cercam.
- 1597 — Noite de 25 ou 26 de setembro (15º ou 16º dia do 8º mês lunar; os registros divergem): os japoneses enchem o fosso com palha e tomam Namwon; Yi Bok-nam é morto e Yang Yuan escapa.
- 1597 — 26–28 de setembro (16º–18º dia do 8º mês lunar): o Exército da Direita toma a fortaleza de Hwangseoksan; Gwak Jun e Jo Jong-do são mortos.
- 1597 — 29 de setembro (19º dia do 8º mês lunar): Jeonju, abandonada por seus defensores, é ocupada sem combate.
- 1597 — 30 de outubro (20º dia do 9º mês lunar): uma ordem imperial determina a prisão e a punição de Yang Yuan e Chen Yuzhong.
- 1598 — 4º mês lunar: o general Ming Li Fangchun reúne num grande túmulo os restos mortais das vítimas de Namwon.
- 1598 — 6 de novembro (8º dia do 10º mês lunar): a cabeça de Yang Yuan é exposta na Porta Sul de Hanseong.
- 1612 — Estudiosos locais fundam o santuário Chungnyeolsa para os funcionários mortos em Namwon.
- 1621 — Jo Wi-han escreve Choe Cheok-jeon, a história de uma família dispersada pela queda de Namwon.
- 1964 — O túmulo e o santuário são transferidos para o seu local atual em Namwon.
- 1981 — O Manin Uichong é declarado Sítio Histórico da República da Coreia.
Glossário
- Eupseong
- Uma sede de distrito ou de província cercada por muralhas, na Coreia de Joseon, geralmente em terreno plano, por oposição a uma fortaleza de montanha (sanseong) usada como refúgio.
- Yangmajang
- “Muralha das ovelhas e dos cavalos”: uma muralha externa baixa, construída alguns metros à frente da muralha principal, com seteiras para armas de fogo, como primeira linha de defesa.
- Byeongsa
- Forma abreviada de byeongma jeoldosa, o comandante do exército de uma província de Joseon, como Yi Bok-nam em Jeolla.
- Jeopbansa
- Funcionário de Joseon destacado junto a um general ou enviado estrangeiro como oficial de ligação, como Jeong Gi-won junto a Yang Yuan.
- Exército da Esquerda e Exército da Direita
- As duas principais forças terrestres da invasão de 1597: o Exército da Esquerda sob Ukita Hideie, que tomou Namwon, e o Exército da Direita sob Mōri Hidemoto e Katō Kiyomasa, que tomou Hwangseoksan.
- Comandante regional adjunto
- Fu zongbing, uma alta patente militar Ming ocupada por Yang Yuan; as fontes coreanas muitas vezes o chamam simplesmente de “comandante regional” (chongbyeong).
- Carta com selo vermelho
- Shuinjō: documento emitido com o selo vermelho de Hideyoshi, usado aqui para reconhecer as cabeças ou os narizes apresentados por seus comandantes.
- Mimizuka
- “Monte das Orelhas”, em Kyoto, originalmente chamado Hanazuka (“Monte dos Narizes”), erguido em 1597 sobre narizes tirados de mortos coreanos e chineses.
- Manin Uichong
- “Túmulo dos dez mil justos”: a sepultura comum dos mortos do cerco de Namwon, Sítio Histórico desde 1981.
- Calendário lunissolar
- O calendário usado em Joseon, com meses que seguem a lua; suas datas precisam ser convertidas para o calendário ocidental (gregoriano).
- Vigília (gyeong)
- Uma das cinco divisões da noite; a primeira vigília caía no começo da noite, aproximadamente das 19h às 21h.
Perguntas e respostas
Por que os japoneses atacaram Namwon?
Em 1597 os japoneses queriam conquistar Jeolla primeiro, e Namwon guardava a estrada que entrava na província pelo leste. Tomá-la abria o caminho para Jeonju e o resto de Jeolla.
Yi Bok-nam se matou?
Alguns relatos coreanos modernos dizem que sim, mas os registros antigos, incluindo o relatório do rei escrito poucas semanas depois, dizem que ele foi morto no combate de rua quando a cidade caiu. Este artigo segue os registros antigos.
O que aconteceu com Yang Yuan?
Ele escapou com alguns homens, mas a corte Ming o culpou pela perda. Foi preso, e em novembro de 1598 sua cabeça foi exposta na Porta Sul de Hanseong.
Morreram mesmo dez mil pessoas?
Ninguém sabe. Os números vão de cerca de 3.700, numa contagem baseada em documentos japoneses, a mais de 10.000, em relatos coreanos posteriores. Um estudo de 2019 argumenta que “dez mil” no nome do túmulo significa “muitíssimos”, e não um número exato.
Por que se cortavam narizes?
Os comandantes japoneses eram recompensados de acordo com o número de inimigos mortos. Narizes eram mais fáceis de transportar do que cabeças, por isso, em 1597, eram cortados dos mortos, civis inclusive, contados e enviados ao Japão.
A data é 16 de agosto ou 26 de setembro?
A data habitual, o 16º dia do 8º mês lunar, corresponde a 26 de setembro de 1597 no calendário ocidental, embora o Jingbirok situe o assalto final na noite anterior, 25 de setembro. “16 de agosto” mistura o mês lunar com o calendário ocidental.
Por que Jeonju caiu sem combate?
Sua guarnição Ming sob Chen Yuzhong retirou-se quando Namwon caiu, e o magistrado coreano já havia se preparado para fugir, de modo que não restava ninguém para defendê-la quando os japoneses chegaram, em 29 de setembro.
Fontes e leituras adicionais
- 송정현, 남원전투 (南原戰鬪). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 이장희, 임진왜란 (壬辰倭亂). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 정유재란 (丁酉再亂). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 이복남 (李福男). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 정기원 (鄭期遠). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 남원읍성 (南原邑城). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 남원 교룡산성 (南原 蛟龍山城). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 남원 만인의총 (南原 萬人義塚). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 박천식, 충렬사 (忠烈祠, Namwon). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 곽준 (郭䞭). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 조종도 (趙宗道). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 최척전 (崔陟傳). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 6th day of the 8th month of the 30th year of Seonjo (1597): report of Jeong Gi-won, liaison officer to Regional Commander Yang. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 12th day of the 8th month of 1597: memorial of the Royal Secretariat citing Chen Yuzhong’s report that Namwon is empty. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 15th day of the 8th month of 1597: the king receives Jang Un-ik, liaison officer to Commander Ma Gui. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 18th day of the 8th month of 1597: the Japanese take Namwon; Deputy Commander Yang breaks out through the west gate. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 21st day of the 8th month of 1597: memorial of the Office of the Inspector-General on the loss of Namwon and Jeonju. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 2nd day of the 9th month of 1597: the king’s report to the Ming on the loss of Namwon. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 8th day of the 9th month of 1597: Kim Eung-seo, army commander of western Gyeongsang, asks a reward for the surrendered Japanese soldier who saved Gimhae magistrate Baek Sa-rim. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 11th day of the 9th month of 1597: Yang Hao warns against pleading for Yang Yuan. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 20th day of the 9th month of 1597: imperial order to arrest Yang Yuan and Chen Yuzhong. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 14th day of the 11th month of 1597: Gyeongsang governor Yi Yong-sun asks that the deaths of Han Hyeong’s wife and of Jo Jong-do be honoured. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 14th day of the 1st month of the 31st year of Seonjo (1598): report of Song Sun, liaison officer to Deputy Commander Xie Sheng, with the historian’s note on Jeong Gi-won. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 16th day of the 7th month of 1598: the king receives the Ming official Huang Yingyang. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Veritable Records of King Seonjo (선조실록), 8th day of the 10th month of 1598: Yang Yuan’s head arrives at the South Gate. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Revised Annals of King Seonjo (선조수정실록), 5th month of 1597: Deputy Regional Commander Yang Yuan arrives with 3,000 troops. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Revised Annals of King Seonjo (선조수정실록), 8th month of 1597: the enemy takes Hwangseok mountain fortress at Aneum; Gwak Jun and Jo Jong-do are killed. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
- Revised Annals of King Seonjo (선조수정실록), 9th month of 1597: the enemy takes Namwon; Yang Yuan flees and is later executed by the Ming. Annals of the Joseon Dynasty database, National Institute of Korean History
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- Nine Years’ War (Ireland). Wikipedia
Conteúdo relacionado
- Ukita HideieSenhor de Okayama, tratado como membro da família de Toyotomi Hideyoshi, que ocupou um alto comando na Coreia em 1592–1593 e liderou o Exército da Esquerda que tomou Namwon em 1597; depois de Sekigahara, foi exilado na ilha de Hachijō.
- Yang YuanComandante regional adjunto Ming que lutou sob Li Rusong em 1593 e comandou a guarnição Ming de Namwon em 1597; escapou quando a fortaleza caiu e foi executado por sua perda.
- Yi Bok-namOficial militar de Joseon que lutou em Ungchi em 1592 e, como comandante do exército da província de Jeolla, morreu defendendo Namwon contra os japoneses em 1597.
- Konishi YukinagaDaimiô cristão de uma família de comerciantes de Sakai que comandou a Primeira Divisão na invasão da Coreia em 1592 e conduziu as negociações de paz do Japão com o enviado Ming Shen Weijing.
- Katō KiyomasaComandante japonês de Owari que serviu a Toyotomi Hideyoshi desde menino, levou a Segunda Divisão até a província de Hamgyeong em 1592 e mais tarde construiu o Castelo de Kumamoto.
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.