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Para jovens leitores
Há mais de 400 anos, um poderoso líder japonês chamado Toyotomi Hideyoshi havia unido o Japão depois de muitos anos de lutas. Ele queria conquistar também a China, o maior país do leste da Ásia. Para chegar lá, decidiu levar seus exércitos pela Coreia.
Na primavera de 1592, centenas de navios japoneses levaram soldados pelo mar até o porto de Busan. Os soldados japoneses tinham muitas armas de fogo e já haviam lutado por anos. A Coreia vivia em paz havia muito tempo. Por isso, no começo, seu exército perdeu várias batalhas. Em cerca de três semanas, os japoneses chegaram à capital, Seul, e o rei coreano teve de fugir para o norte.
Mas a Coreia continuou lutando. No mar, o almirante Yi Sun-sin usou boas estratégias e navios de guerra, incluindo os famosos “navios-tartaruga”, para vencer muitas batalhas. Em terra, agricultores, estudiosos e até monges budistas formaram grupos chamados “exércitos da justiça”. O imperador Ming da China também enviou um grande exército para ajudar, pois sabia que Hideyoshi queria atacar a China.
A guerra parou por alguns anos enquanto os dois lados conversavam sobre a paz. As conversas fracassaram, e o Japão atacou de novo em 1597. Os combates só terminaram depois que Hideyoshi morreu, em 1598, e os exércitos japoneses voltaram para casa.
A guerra foi terrível para as pessoas comuns. Muitos milhares morreram ou passaram fome. Cidades e palácios foram incendiados, e dezenas de milhares de coreanos, incluindo oleiros habilidosos, foram levados como prisioneiros para o Japão. A guerra ainda é lembrada na Coreia, no Japão e na China, mas cada país conta essa história de um jeito.
Em resumo
- Datas
- Primeira invasão: 1592–1593; trégua e negociações: 1593–1596; segunda invasão: 1597–1598 (encerrada em dezembro de 1598)
- Local
- Península coreana e águas costeiras, especialmente a costa sul
- Beligerantes
- Japão sob Toyotomi Hideyoshi contra a Coreia de Joseon (rei Seonjo) e a China Ming (imperador Wanli)
- Nomes
- Coreia: Imjin Waeran e Jeongyu Jaeran; Japão: Bunroku–Keichō no eki; China: campanha da Coreia do imperador Wanli
- Dimensão
- Cerca de 150 mil a 160 mil soldados japoneses em cada invasão; a dinastia Ming enviou dezenas de milhares de soldados em cada fase
- Personagens principais
- Toyotomi Hideyoshi, Konishi Yukinaga, Katō Kiyomasa; Yi Sun-sin, Gwon Yul, Yu Seong-ryong; Li Rusong, Chen Lin
- Desfecho
- Retirada japonesa após a morte de Hideyoshi; nenhuma mudança territorial, mas enorme destruição na Coreia
- Fontes principais
- Anais da Dinastia Joseon, Nanjung ilgi de Yi Sun-sin, Jingbirok de Yu Seong-ryong, registros Ming, cartas e diários de daimiôs japoneses
A guerra dia a dia
Aperte reproduzir para acompanhar a campanha no mapa. Os marcadores são batalhas e eventos; as setas, marchas registradas.
Fases
As primeiras divisões japonesas desembarcaram em Busan, tomaram os fortes costeiros e marcharam para o norte por três rotas. Os exércitos de campanha de Joseon foram derrotados em Sangju e Chungju, o rei Seonjo deixou a capital, e Hanseong caiu cerca de três semanas após o desembarque.
Imjin War (English Wikipedia)임진왜란 (Encyclopedia of Korean Culture), incl. table of battles임진왜란 (Korean Wikipedia)음양력 변환 계산 (KASI lunar–solar converter); conversions done with the korean-lunar-calendar package built on KASI data
Eventos recentes
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O que foi a Guerra Imjin?
Guerra Imjin é o nome mais usado em inglês para duas invasões japonesas do reino coreano de Joseon, em 1592 e 1597. “Imjin” é o nome dado ao ano de 1592 no ciclo tradicional de sessenta anos dos calendários do leste da Ásia. Na Coreia, a primeira invasão é chamada Imjin Waeran (“distúrbio japonês do ano Imjin”) e a segunda, Jeongyu Jaeran (“segundo distúrbio do ano Jeongyu”). No Japão, as duas campanhas são chamadas Bunroku no eki e Keichō no eki, conforme os nomes das eras japonesas. Na China, a guerra é lembrada como a campanha da Coreia do imperador Wanli.
Três países lutaram. O Japão, recém-unificado sob Toyotomi Hideyoshi, invadiu a Coreia. O reino coreano de Joseon defendeu seu território. A China Ming, vizinha poderosa da Coreia e sua suserana formal, enviou exércitos e frotas para ajudá-la, tanto pela estreita relação entre os dois países quanto porque Hideyoshi declarara que seu verdadeiro objetivo era a China.
A guerra durou quase sete anos, embora os combates mais intensos tenham ocorrido principalmente em 1592–1593 e 1597–1598, com um longo período de trégua e negociações entre essas fases. Foi uma das maiores guerras do mundo no século XVI. Alguns historiadores a chamam de “Grande Guerra do Leste Asiático” porque envolveu toda a região.
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Por que o Japão invadiu?
Por mais de um século, o Japão esteve dividido entre senhores em guerra, no período chamado Sengoku (“Estados Combatentes”). Oda Nobunaga e, depois, Toyotomi Hideyoshi reunificaram o país pela força. Hideyoshi concluiu esse processo em 1590, ao derrotar a família Hōjō em Odawara. Ele então comandava centenas de milhares de samurais e soldados de infantaria experientes, muitos armados com arcabuzes (armas de fogo antigas) que o Japão adotara após o contato com os portugueses.
Hideyoshi anunciou que conquistaria a China Ming e até territórios além dela. Exigiu que a Coreia permitisse a passagem de seus exércitos e participasse do ataque. Joseon, que considerava a China Ming sua parceira superior em uma antiga relação tributária, recusou. Os historiadores ainda discutem os motivos de Hideyoshi: ambição pessoal e desejo de glória, necessidade de recompensar e ocupar seus muitos guerreiros com novas terras, vontade de controlar o comércio com a China ou uma combinação desses fatores. Alguns estudiosos também questionam se ele compreendia a dimensão da China.
Em 1590, Joseon enviou emissários ao Japão para avaliar a situação. Segundo o relato tradicional, o chefe da missão, Hwang Yun-gil, alertou que o Japão atacaria, enquanto seu substituto, Kim Seong-il, argumentou que Hideyoshi não representava uma ameaça real. Os dois pertenciam a facções políticas rivais, e a corte ficou dividida. Historiadores observam que Joseon tomou algumas medidas defensivas, mas seu exército não travava uma grande guerra havia muito tempo e estava mal preparado para uma invasão maciça e bem armada.
Fácil
1592: a primeira invasão e a queda de Seul
No quarto mês lunar de 1592 (fim de maio no calendário ocidental), a primeira divisão japonesa, comandada por Konishi Yukinaga, desembarcou perto de Busan. As fortalezas de Busan e Dongnae caíram em poucos dias; seus comandantes e muitos defensores e moradores foram mortos. Outras divisões chegaram em seguida e, ao todo, cerca de 150 mil a 160 mil soldados japoneses entraram na Coreia por várias rotas.
O general coreano Sin Rip tentou deter os invasores em Chungju, em junho, mas sua cavalaria foi destruída pelo fogo dos mosquetes japoneses. Apenas cerca de três semanas após o desembarque, os japoneses entraram em Seul. O rei Seonjo já havia fugido para o norte, primeiro para Pyongyang e depois para Uiju, na fronteira com a China. O príncipe herdeiro Gwanghae chefiou uma “corte separada” para manter o governo em funcionamento. Palácios de Seul foram incendiados; as fontes divergem sobre quem ateou o fogo.
Os japoneses continuaram avançando. Konishi tomou Pyongyang no verão de 1592, e Katō Kiyomasa marchou até o extremo nordeste, onde rebeldes locais lhe entregaram dois príncipes coreanos. Durante alguns meses, pareceu que Joseon poderia ruir por completo.
Fácil
A virada da guerra: a marinha, os exércitos da justiça e a China Ming
No mar, a situação foi diferente. O almirante Yi Sun-sin, comandante da Frota Esquerda da província de Jeolla, atacou navios japoneses em Okpo, em junho de 1592, e conquistou uma série de vitórias. Em Sacheon, usou o geobukseon, ou navio-tartaruga, uma embarcação de guerra coberta e equipada com canhões. Na Batalha da Ilha de Hansan, em agosto de 1592, atraiu uma frota japonesa para águas abertas e a cercou com uma formação em “asa de grou”, destruindo a maior parte dela. Essas vitórias dificultaram muito o envio de suprimentos e reforços japoneses por mar ao longo da costa oeste da Coreia.
Em terra, surgiram pelo país os “exércitos da justiça” (uibyeong). Eram liderados por estudiosos locais, como Gwak Jae-u e Jo Heon, e por monges budistas, como Hyujeong (Seosan Daesa) e Yujeong (Samyeong Daesa). Esses combatentes conheciam as montanhas e estradas e atacavam as linhas de abastecimento japonesas. No primeiro cerco de Jinju, no fim de 1592, o comandante Kim Si-min defendeu a fortaleza contra uma grande força japonesa, embora tenha sofrido um ferimento mortal.
A China Ming enviou uma pequena força em 1592, derrotada em Pyongyang. No início de 1593, um exército muito maior, comandado por Li Rusong e apoiado por tropas coreanas, reconquistou Pyongyang. As forças Ming sofreram então um revés em Byeokjegwan, ao norte de Seul. Em março de 1593, porém, o general coreano Gwon Yul derrotou um grande ataque japonês à fortaleza de Haengju. Com falta de alimentos e atacados por todos os lados, os japoneses deixaram Seul em maio de 1593 e recuaram para acampamentos fortificados na costa sul.
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Trégua e fracasso das negociações (1593–1596)
Mesmo após o início das negociações, os combates continuaram. Em julho de 1593, os japoneses cercaram Jinju pela segunda vez e a capturaram. Fontes coreanas descrevem a morte de um número muito grande de soldados e civis. A história de Nongae, uma gisaeng (artista feminina) que teria saltado no rio Nam abraçada a um oficial japonês, tornou-se uma das lembranças mais conhecidas dessa tragédia, embora os detalhes venham de fontes posteriores.
As negociações de paz foram conduzidas principalmente pelo emissário Ming Shen Weijing e pelo comandante japonês Konishi Yukinaga, em grande parte sem a participação da corte coreana. Ao que parece, ambos apresentaram de forma distorcida as posições de seus governos para chegar a um acordo. As exigências de Hideyoshi incluíam uma princesa Ming como consorte do imperador japonês, as províncias do sul da Coreia, direitos comerciais e reféns coreanos. A corte Ming, por sua vez, esperava que Hideyoshi aceitasse a investidura como “rei do Japão”, na condição de vassalo.
Em 1596, uma missão Ming concedeu esse título a Hideyoshi no Japão. Quando percebeu que nenhuma de suas exigências seria atendida, ele decidiu retomar a guerra. Uma história popular diz que Hideyoshi rasgou, furioso, o documento Ming de nomeação. Contudo, um documento identificado como esse decreto sobrevive no Japão, por isso os historiadores tratam a história com cautela. O ponto central é claro: as negociações se apoiavam em mal-entendidos, e a Coreia, cujo território estava em disputa, havia sido em grande parte excluída.
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1597–1598: a segunda invasão, Myeongnyang e Noryang
O Japão enviou novamente cerca de 140 mil soldados em 1597. Dessa vez, seus exércitos visavam primeiro às províncias do sul, especialmente Jeolla, que havia escapado dos piores efeitos da primeira invasão. Pouco antes do ataque, Yi Sun-sin fora preso, torturado e rebaixado após recusar uma ordem que considerava imprudente, em parte por causa das disputas na corte e de um estratagema japonês. Seu substituto, Won Gyun, levou a frota coreana ao desastre em Chilcheollyang, em agosto de 1597, quando quase toda a marinha foi perdida.
Reintegrado ao comando com apenas cerca de uma dúzia de navios, Yi enfrentou uma frota japonesa muito maior no estreito de Myeongnyang, estreito e de fortes correntes, em outubro de 1597. Aproveitando as correntes e o pouco espaço do canal, seus treze navios repeliram bem mais de cem embarcações de guerra japonesas e afundaram ou incapacitaram cerca de trinta. Em terra, uma força sino-coreana deteve o avanço japonês em Jiksan, e os invasores recuaram para seus fortes costeiros.
A segunda invasão foi especialmente brutal para os civis. Comandantes japoneses receberam ordens de enviar narizes como prova dos inimigos mortos, e narizes foram cortados tanto de soldados quanto de civis. A queda de Namwon, em 1597, foi seguida por um massacre. Forças Ming e coreanas cercaram então os fortes japoneses de Ulsan, Sacheon e Suncheon, com grandes perdas de ambos os lados.
Toyotomi Hideyoshi morreu em setembro de 1598, e o conselho que governava em seu nome ordenou a retirada. Quando os japoneses tentavam partir, uma frota conjunta coreana e Ming, comandada por Yi Sun-sin e pelo almirante Ming Chen Lin, interceptou as forças de Shimazu na Batalha de Noryang, em dezembro de 1598. Yi foi atingido por uma bala e morreu durante a batalha. Segundo a tradição, pediu aos que estavam ao seu redor que só anunciassem sua morte depois do fim dos combates. A guerra terminou com Noryang.
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O custo humano
Ninguém contou todos os mortos. As estimativas de coreanos mortos em combates, massacres, pela fome e por epidemias vão de centenas de milhares a mais de um milhão. Os números mais altos são citados com frequência, mas não se baseiam em registros populacionais confiáveis. As perdas Ming costumam ser estimadas em dezenas de milhares, e as japonesas, incluindo muitas mortes por frio, doenças e fome, em cerca de 100 mil. Todos esses números devem ser tratados como estimativas aproximadas.
A guerra destruiu lavouras e sistemas de irrigação, e a fome se espalhou. Segundo um cálculo frequentemente citado, as terras agrícolas registradas em Joseon diminuíram de cerca de 1,7 milhão de gyeol antes da guerra para cerca de 540 mil depois dela. Parte dessa queda reflete a perda de cadastros fiscais, e não o desaparecimento físico das terras, mas mostra a dimensão da desorganização. Palácios, templos e arquivos foram incendiados; dos quatro arquivos dos anais reais de Joseon, apenas a cópia guardada em Jeonju sobreviveu.
Dezenas de milhares de coreanos foram levados como prisioneiros para o Japão. As estimativas variam muito, de cerca de 50 mil a 100 mil ou mais. Alguns foram vendidos no comércio português de escravizados na Ásia. Outros eram artesãos, especialmente oleiros, levados por daimiôs a Kyushu e ao oeste do Japão. Seus conhecimentos ajudaram a estabelecer famosas tradições da cerâmica japonesa, como a porcelana de Arita e a cerâmica de Satsuma. Estudiosos e livros coreanos também foram levados. Depois da guerra, apenas alguns milhares de prisioneiros foram repatriados por meio de missões diplomáticas.
Em Quioto fica o Mimizuka (“Monte das Orelhas”), construído em 1597 sobre os narizes retirados de coreanos e chineses mortos, estimados em dezenas de milhares. É uma lembrança dolorosa da crueldade da guerra e um lugar de luto para visitantes coreanos; no Japão, é muito menos conhecido.
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Consequências para a Coreia, o Japão e a China
Coreia. A guerra levou a reformas profundas. O Conselho de Defesa das Fronteiras (Bibyeonsa) tornou-se o principal órgão do governo, e uma nova força permanente, o Hullyeon dogam (Comando de Treinamento Militar), foi criada em 1593 para treinar mosqueteiros e outros soldados especializados. Para custear a guerra, o governo vendeu cargos e patentes e emitiu certificados de posição social em branco, enfraquecendo a antiga hierarquia. A gratidão de Joseon à dinastia Ming por “restaurar a nação” (jaejo ji eun) tornou-se uma ideia central de sua política externa e cultura posteriores.
Japão. O herdeiro de Hideyoshi era uma criança pequena, e os grandes senhores que haviam liderado as invasões se dividiram em grupos rivais. Dois anos depois, na Batalha de Sekigahara, em 1600, Tokugawa Ieyasu, que não havia enviado suas próprias tropas à Coreia, derrotou seus adversários. Em 1603, fundou o xogunato Tokugawa. Os Tokugawa fizeram a paz com a Coreia: as missões diplomáticas foram retomadas em 1607, e o Acordo de Giyu, de 1609, restabeleceu o comércio pela ilha de Tsushima. A cerâmica, as técnicas de impressão e o pensamento neoconfucionista coreanos levados durante a guerra influenciaram a cultura japonesa. O estudioso capturado Kang Hang, por exemplo, é associado ao neoconfucionista japonês Fujiwara Seika, do início desse período.
China. A campanha da Coreia foi uma das “Três Grandes Campanhas” do imperador Wanli na década de 1590 e custou enormes somas ao tesouro Ming. Muitos historiadores relacionam esse desgaste financeiro, somado ao desvio da atenção e das tropas Ming, à posterior ascensão do líder jurchém Nurhaci na Manchúria, que fundou o Estado do qual surgiu a dinastia Qing. Discute-se quanto a guerra de fato contribuiu para a queda da dinastia Ming em 1644. Outros estudiosos destacam problemas internos, como disputas entre facções, política fiscal e desastres ligados ao clima.
Intermediário
Como cada país se lembra da guerra
Na Coreia, a guerra é lembrada sobretudo como uma provação nacional e uma história de resistência. Yi Sun-sin tornou-se o maior herói nacional; sua estátua está na Praça Gwanghwamun, em Seul, desde 1968, e seu santuário em Asan é um local de importância nacional. Os exércitos da justiça são homenageados como prova de que pessoas comuns defenderam o país, e as obras de Yu Seong-ryong e outros autores são lidas como lições sobre os perigos da falta de preparo. Durante a própria dinastia Joseon, a memória da guerra também se concentrava na lealdade à dinastia Ming; o altar Daebodan, construído no palácio em 1704, homenageava o imperador Wanli.
No Japão, a memória da guerra mudou com o tempo. Durante o período Edo, livros e peças populares sobre Hideyoshi apresentavam as campanhas como aventuras heroicas, e figuras como Katō Kiyomasa tornaram-se lendárias. Na era imperial moderna, a partir do fim do século XIX, as invasões às vezes eram evocadas como precedente para a expansão japonesa na Coreia. Depois de 1945, os livros didáticos japoneses passaram cada vez mais a descrever a guerra como um ato de agressão, e muitos historiadores japoneses a estudam de forma crítica. Ainda assim, locais como o Mimizuka continuam relativamente pouco conhecidos pelo público japonês.
Na China, a guerra aparece na História de Ming oficial e em obras posteriores principalmente como uma campanha vitoriosa em defesa de um Estado tributário leal, embora comandantes Ming também tenham sido criticados por seus contemporâneos. Historiadores chineses e ocidentais atuais, como Kenneth Swope, argumentam que relatos populares coreanos e ocidentais, centrados em Yi Sun-sin e nos exércitos da justiça, dão pouca atenção ao papel do exército Ming na guerra em terra. Historiadores coreanos, por sua vez, enfatizam que as forças coreanas, e não apenas seus aliados, enfrentaram a maior parte dos combates e do sofrimento. Considerar essas perspectivas lado a lado mostra que cada narrativa nacional destaca algumas verdades e deixa outras em segundo plano.
Avançado
Fontes primárias e seus problemas
As fontes coreanas são excepcionalmente numerosas. Os Anais do Rei Seonjo (Seonjo sillok) registram debates, relatórios e decisões da corte, mas foram compilados depois da guerra e posteriormente revisados sob uma facção política diferente. Isso produziu uma versão “revisada” cujos julgamentos sobre algumas pessoas divergem dos originais. O diário de guerra de Yi Sun-sin, Nanjung ilgi, e seus relatórios ao trono mostram o cotidiano de um comandante e integram o Registro da Memória do Mundo da UNESCO. Yu Seong-ryong, que foi conselheiro-chefe de Estado durante a guerra, escreveu o Jingbirok (“Livro das Correções”), no qual examina com franqueza os erros de Joseon. A obra foi posteriormente impressa e amplamente lida no Japão.
As fontes japonesas incluem cartas e ordens de Hideyoshi e de daimiôs, registros de clãs como os Shimazu, Nabeshima e Tōdō, e diários pessoais. Um texto importante é o diário do sacerdote budista Keinen, que acompanhou o exército de um daimiô em 1597 e registrou, horrorizado, o assassinato e a escravização de civis coreanos. Registros de clãs tendem a exagerar suas próprias conquistas e o número de inimigos mortos; alguns foram compilados muito tempo depois.
As fontes chinesas incluem registros da corte Ming (os Registros Verídicos da Dinastia Ming), a História de Ming oficial (compilada no período Qing), memoriais de comandantes como Song Yingchang e escritos particulares. Muitas vezes refletem rivalidades intensas entre autoridades e generais Ming, o que afeta a descrição de batalhas como Byeokjegwan e do cerco de Ulsan. Em todos os três conjuntos de fontes, os números de soldados, navios e mortos são frequentemente exagerados ou contraditórios, e os historiadores precisam compará-los com cuidado.
Avançado
Historiografia e debates
A própria escolha do nome é uma questão historiográfica. O termo coreano “waeran” (“distúrbio causado pelos Wae”, palavra antiga e pejorativa para os japoneses) apresenta a guerra como uma agressão bárbara. Os termos japoneses “Bunroku–Keichō no eki” usam nomes neutros de eras, enquanto textos japoneses mais antigos falavam em “conquista da Coreia” (Chōsen seibatsu). Estudiosos de língua inglesa usam “Guerra Imjin”, “invasões japonesas da Coreia” e, seguindo JaHyun Kim Haboush e outros, “Grande Guerra do Leste Asiático”, para destacar sua dimensão internacional.
Um debate importante trata da importância relativa da marinha coreana, das forças terrestres coreanas, dos exércitos da justiça e das tropas Ming na derrota do Japão. A historiografia coreana do século XX, influenciada pelo domínio colonial e pela libertação nacional, destacou Yi Sun-sin e a resistência popular. O estudo de Kenneth Swope sobre o lado Ming (2009) sustenta que a intervenção Ming foi decisiva em terra e que a guerra demonstra que o Estado Ming ainda era capaz de grandes operações militares na década de 1590. A história narrativa de Samuel Hawley (2005) utiliza fontes dos três países. A obra de Haboush, publicada postumamente em 2016, argumenta que a guerra, especialmente os exércitos da justiça e seus escritos, ajudou a formar um sentimento inicial de identidade nacional coreana.
Outras questões continuam abertas: os verdadeiros objetivos de Hideyoshi e o que ele sabia sobre a China Ming; o papel das armas de fogo nas primeiras vitórias japonesas e a rapidez com que a Coreia e a dinastia Ming se adaptaram; o número de prisioneiros e seu destino; e até que ponto a guerra enfraqueceu a dinastia Ming e preparou a ascensão da dinastia Qing. As pesquisas também examinam cada vez mais temas além das batalhas, como história ambiental, refugiados, escravidão e circulação de técnicas e conhecimentos entre os três países.
Batalhas (24)
- Battle of Okpo1592
- Siege of Busan1592
- Battle of Hansan Island1592
- Battle of Sacheon1592
- Siege of Dongnae1592
- Batalha do Rio Imjin1592
- Battle of Dadaejin1592
- Battle of Ch'ungju1592
- Battle of Dangpo1592
- Siege of Pyongyang1592
- Siege of Jinju1592
- Battle of Pyongyang1592
- Battle of Cheongju1592
- Siege of Yeongwon1592
- Batalha de Haengju1593
- Cerco de Pyongyang (1593)1593
- Siege of Jinju1593
- Batalha de Myeongnyang1597
- Batalha de Chilcheollyang1597
- Siege of Namwon1597
- Battle of Jiksan1597
- Batalha de Noryang1598
- Second Siege of Ulsan1598
- First Siege of Ulsan1598
Ideias principais
- Uma guerra pela China travada na Coreia
- O objetivo declarado de Hideyoshi era conquistar a China Ming; a Coreia tornou-se o campo de batalha por estar no caminho.
- Poder naval
- As vitórias navais de Yi Sun-sin interromperam as linhas japonesas de abastecimento pelo mar e ocupam lugar central na memória coreana da guerra.
- Exércitos da justiça
- Forças voluntárias de estudiosos, camponeses e monges resistiram aos invasores em suas regiões quando o exército regular entrou em colapso.
- Aliança e hierarquia
- A intervenção Ming refletiu a relação tributária entre Ming e Joseon, e a cooperação sino-coreana foi muitas vezes tensa.
- Catástrofe para os civis
- Massacres, fome, doenças e o aprisionamento em massa tornaram a guerra devastadora para os coreanos comuns.
- Circulação de pessoas e conhecimentos
- Oleiros, estudiosos e impressores capturados levaram técnicas e conhecimentos coreanos ao Japão.
- Memórias diferentes
- Coreia, Japão e China dão nomes diferentes à guerra e a narram de maneiras distintas, conforme suas histórias nacionais.
Registros
- 1590 — Hideyoshi conclui a reunificação do Japão; uma missão de Joseon visita o país e retorna em 1591 com relatos contraditórios.
- 1592 — Forças japonesas desembarcam em Busan (fim de maio); Seul cai em cerca de três semanas; Pyongyang é tomada no verão.
- 1592 — Yi Sun-sin vence em Okpo, Sacheon e na Ilha de Hansan; o primeiro cerco de Jinju é repelido.
- 1593 — Forças Ming e coreanas retomam Pyongyang; Gwon Yul vence em Haengju; os japoneses deixam Seul e Jinju cai após um segundo cerco.
- 1593 — O Hullyeon dogam (Comando de Treinamento Militar) é fundado em Joseon.
- 1596 — Uma missão Ming concede a Hideyoshi o título de “rei do Japão”; as negociações fracassam.
- 1597 — Segunda invasão; a marinha coreana é destruída em Chilcheollyang; Yi Sun-sin vence em Myeongnyang; o Mimizuka é construído em Quioto.
- 1598 — Hideyoshi morre em setembro; os japoneses se retiram; Yi Sun-sin morre em Noryang, em dezembro.
- 1600 — A Batalha de Sekigahara abre caminho para o xogunato Tokugawa.
- 1607 — Joseon envia sua primeira missão diplomática após a guerra ao Japão dos Tokugawa; alguns prisioneiros são repatriados.
- 1609 — O Acordo de Giyu restabelece o comércio entre a Coreia e o Japão por Tsushima.
Glossário
- Joseon
- Dinastia e reino coreano (1392–1897) que governava a Coreia na época da guerra.
- Ming
- Dinastia chinesa (1368–1644) que enviou exércitos para ajudar Joseon.
- Daimiô
- Senhor regional japonês que comandava seus próprios samurais e tropas.
- Arcabuz
- Antiga arma de fogo de mecha, muito usada pela infantaria japonesa.
- Navio-tartaruga (geobukseon)
- Navio de guerra coreano com convés coberto e canhões, usado por Yi Sun-sin.
- Exército da justiça (uibyeong)
- Milícia voluntária formada por líderes locais para resistir à invasão.
- Sistema tributário
- Ordem diplomática hierárquica na qual governantes enviavam emissários e presentes ao imperador chinês e recebiam reconhecimento em troca.
- Investidura
- Nomeação formal de um governante estrangeiro como rei pelo imperador chinês.
- Waeseong
- Fortalezas de estilo japonês construídas na costa sul da Coreia durante a guerra.
- Gyeol
- Unidade coreana usada para medir terras agrícolas para fins tributários, baseada na produtividade, e não em uma área fixa.
Perguntas e respostas
Por que ela é chamada Guerra “Imjin”?
1592 era o ano imjin no ciclo tradicional de sessenta anos. Por isso, os coreanos deram à guerra o nome do ano em que ela começou.
O Japão queria conquistar a Coreia?
O objetivo anunciado por Hideyoshi era conquistar a China Ming; a Coreia serviria como rota e fonte de apoio. Quando a Coreia recusou, tornou-se o principal campo de batalha. Na segunda invasão, o Japão concentrou-se em ocupar o sul da Coreia.
O que era um navio-tartaruga?
Era um navio de guerra coreano com a parte superior coberta, muitas vezes descrita como dotada de pontas, e canhões em todos os lados. Apenas alguns foram construídos, e os estudiosos ainda discutem sua aparência exata.
Quantas pessoas morreram?
Ninguém sabe ao certo. Estima-se que tenham morrido de centenas de milhares a mais de um milhão de coreanos, incluindo vítimas da fome e de doenças. As perdas chinesas e japonesas também foram grandes. Todos os números são incertos.
Por que a guerra terminou?
Hideyoshi morreu em 1598, e os líderes japoneses retiraram seus exércitos diante da resistência sino-coreana e das rivalidades no Japão.
Quem teve o papel mais importante na vitória, a Coreia ou a China Ming?
Os historiadores discordam. Relatos coreanos destacam a marinha e os exércitos da justiça; estudos sobre a dinastia Ming destacam os exércitos chineses em terra. Hoje, a maioria dos estudiosos considera a vitória um esforço conjunto, para o qual também foram decisivos os problemas japoneses de abastecimento e a morte de Hideyoshi.
Os números de soldados e navios nas fontes são confiáveis?
Não muito. Cada lado tendia a exagerar o número de inimigos e suas perdas, e histórias posteriores de clãs e narrativas nacionais ampliaram os números ainda mais. Historiadores comparam registros coreanos, chineses e japoneses para chegar a estimativas plausíveis.
Fontes e leituras adicionais
- Imjin War. Wikipedia
- 이장희 (Lee Jang-hee), 임진왜란 (Imjin Waeran). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
- Yi Sun-sin. Wikipedia
- Battle of Myeongnyang. Wikipedia
- Mimizuka. Wikipedia
- Jingbirok. Wikipedia
- Nanjung ilgi. Wikipedia
- Samuel Hawley, The Imjin War: Japan’s Sixteenth-Century Invasion of Korea and Attempt to Conquer China. Royal Asiatic Society, Korea Branch, 2005
- Kenneth M. Swope, A Dragon’s Head and a Serpent’s Tail: Ming China and the First Great East Asian War, 1592–1598. University of Oklahoma Press, 2009
- JaHyun Kim Haboush, The Great East Asian War and the Birth of the Korean Nation. Columbia University Press, 2016
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.