Guerra

A Guerra dos Trinta Anos

German: Dreißigjähriger Krieg

1618–1648 ·

Em uma frase

A Guerra dos Trinta Anos (1618–1648) começou como uma revolta na Boêmia por questões religiosas e direitos políticos e se transformou em uma guerra europeia travada principalmente em terras alemãs. Milhões de pessoas morreram em combates ou por fome e doenças. O conflito terminou com a Paz de Vestfália, que reorganizou o Sacro Império Romano-Germânico e alterou o mapa da Europa.

Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.

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Para jovens leitores

Há cerca de 400 anos, o centro da Europa era formado por centenas de pequenos territórios, como reinos, ducados e cidades. Eles faziam parte do Sacro Império Romano-Germânico. Alguns governantes eram cristãos católicos e outros eram cristãos protestantes. Eles desconfiavam uns dos outros.

Em 1618, na cidade de Praga, nobres protestantes revoltados jogaram dois funcionários do rei e um secretário pela janela de um castelo. Os três sobreviveram. Esse ato começou uma revolta, que cresceu e virou uma guerra.

Logo, exércitos da Espanha, da Dinamarca, da Suécia e da França entraram na guerra. A maior parte das lutas aconteceu em terras alemãs. Como os soldados muitas vezes não recebiam pagamento, tomavam comida, dinheiro e animais dos povoados. Muitas casas foram queimadas. A fome e doenças como a peste mataram mais pessoas do que as batalhas.

Depois de trinta anos, todos estavam exaustos. Em 1648, representantes se reuniram nas cidades de Münster e Osnabrück e assinaram um acordo chamado Paz de Vestfália. O acordo permitiu que governantes católicos, luteranos e calvinistas convivessem no Império e mudou algumas fronteiras.

A guerra foi tão terrível que os alemães a lembraram por séculos como um tempo de grande sofrimento. Escritores criaram histórias e peças sobre ela, como um romance sobre um menino chamado Simplício, que viaja por lugares atingidos pela guerra.

Em resumo

Período
23 de maio de 1618 – 24 de outubro de 1648
Região principal
O Sacro Império Romano-Germânico, especialmente a Boêmia e as terras alemãs; também houve conflitos relacionados nos Países Baixos, no norte da Itália e ao longo da fronteira francesa
Principais lados
O imperador Fernando II (mais tarde, Fernando III), a Liga Católica liderada pela Baviera e a Espanha dos Habsburgo; contra os rebeldes da Boêmia, o Palatinado, a Dinamarca, a Suécia, a França, a República Holandesa e príncipes protestantes aliados. As alianças mudaram ao longo do tempo
Figuras importantes
Fernando II, Frederico V do Palatinado, Maximiliano da Baviera, Albrecht von Wallenstein, Johann Tserclaes de Tilly, Gustavo Adolfo da Suécia, cardeal Richelieu
Acontecimentos famosos
Defenestração de Praga (1618), Batalha da Montanha Branca (1620), saque de Magdeburgo (1631), Batalha de Breitenfeld (1631), Batalha de Lützen (1632), Batalha de Nördlingen (1634)
Encerramento
A Paz de Vestfália, formada por tratados negociados em Osnabrück e Münster e assinados em 24 de outubro de 1648
Mortes
Estimativas comuns apontam cerca de 4,5 a 8 milhões de mortos, entre soldados e civis; a maioria morreu de doenças e fome. As estimativas são incertas
Perda populacional
Variou muito conforme a região; algumas áreas perderam mais da metade de seus habitantes, enquanto outras tiveram perdas relativamente pequenas

Fácil

O que foi a Guerra dos Trinta Anos?

A Guerra dos Trinta Anos foi uma série de guerras relacionadas, travadas entre 1618 e 1648, principalmente no Sacro Império Romano-Germânico. Esse grande conjunto político, pouco unificado, abrangia a atual Alemanha, a Áustria, a República Tcheca e regiões vizinhas. Seu chefe era um imperador eleito da família Habsburgo.

O conflito começou com uma revolta dos nobres protestantes da Boêmia contra seu rei Habsburgo. Ao longo dos anos, envolveu a Espanha, a Dinamarca, a Suécia, a França e muitos príncipes alemães. A religião — a divisão entre católicos e diferentes grupos protestantes — teve grande importância, assim como as disputas sobre o poder do imperador, os direitos dos príncipes e a rivalidade entre os Habsburgo e a França.

Foi uma das guerras mais destrutivas da história europeia anterior ao século XX. Terminou com a Paz de Vestfália, em 1648, um conjunto de tratados que definiu direitos religiosos no Império, reconheceu a independência da Suíça e da República Holandesa e concedeu territórios à Suécia e à França.

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Fácil

Por que a guerra começou?

Um século antes, a Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero havia dividido o Império. A Paz de Augsburgo, de 1555, permitiu que cada príncipe luterano ou católico escolhesse a religião de seu território. Mas não incluiu os calvinistas, cujo número crescia, e deixou sem solução as disputas por terras da Igreja. Em 1608–1609, formaram-se alianças rivais: a União Protestante e a Liga Católica.

Na Boêmia, os nobres haviam obtido garantias de liberdade religiosa em 1609. Quando Fernando da Estíria, um católico convicto, foi designado para ser seu rei, temeram perder esses direitos. Em 23 de maio de 1618, um grupo de nobres protestantes jogou dois governadores imperiais e um secretário por uma janela do Castelo de Praga. Os três sobreviveram — os católicos disseram que anjos os salvaram; os protestantes, que eles caíram sobre um monte de esterco —, mas a revolta havia começado.

Os estados da Boêmia depuseram Fernando e, em 1619, escolheram como rei o príncipe calvinista Frederico V, eleitor do Palatinado. Fernando, recém-eleito imperador com o nome de Fernando II, estava decidido a reconquistar a Boêmia. Uma revolta local estava prestes a se tornar uma guerra que envolveria todo o Império e seus vizinhos.

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Fácil

Quem lutou e como os exércitos se mantinham?

De um lado estavam os imperadores Habsburgo da Áustria, a Liga Católica liderada pelo duque — mais tarde, eleitor — Maximiliano da Baviera e os Habsburgo da Espanha, que também lutavam contra a República Holandesa. Do outro lado estiveram, em momentos diferentes, rebeldes da Boêmia e do Palatinado, o rei Cristiano IV da Dinamarca, o rei Gustavo Adolfo da Suécia e seus sucessores, além da França católica sob o cardeal Richelieu. A França apoiou aliados protestantes porque temia o poder dos Habsburgo mais do que se opunha ao protestantismo.

Os exércitos eram grandes para a época e formados principalmente por soldados contratados de toda a Europa. Os governantes raramente tinham dinheiro suficiente para pagá-los. Comandantes como Albrecht von Wallenstein desenvolveram um sistema de «contribuições»: obrigavam cidades e regiões a fornecer dinheiro, comida e alojamento às tropas. Isso permitia manter os exércitos, mas espalhava o peso da guerra — e a violência — pelo campo.

Os exércitos eram acompanhados por grandes grupos de mulheres, crianças, criados e comerciantes, que cozinhavam, cuidavam dos feridos, vendiam mercadorias e recolhiam o que encontravam. Junto com os soldados, levavam doenças como a peste e o tifo de uma região para outra.

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Intermediário

Da Boêmia à Dinamarca (1618–1629)

As forças imperiais e da Liga Católica derrotaram os rebeldes da Boêmia na Batalha da Montanha Branca, perto de Praga, em 8 de novembro de 1620. Frederico V fugiu e passou a ser chamado, em tom de zombaria, de «Rei de Inverno». Em 1621, líderes da revolta foram executados publicamente em Praga. O culto protestante foi gradualmente proibido na Boêmia, muitos nobres protestantes perderam suas terras e dezenas de milhares de pessoas emigraram, entre elas o educador João Amós Comênio.

A guerra chegou à terra natal de Frederico, o Palatinado, às margens do rio Reno, que foi ocupado por tropas espanholas e bávaras. Sua famosa biblioteca de Heidelberg foi levada a Roma como presente para o papa. Em 1623, o título de eleitor de Frederico foi transferido para Maximiliano da Baviera, o que alarmou os príncipes protestantes.

Em 1625, Cristiano IV da Dinamarca interveio, mas foi derrotado por Tilly em Lutter, em 1626. Wallenstein reuniu um enorme exército imperial e avançou até a costa do mar Báltico. No auge de seus sucessos, Fernando II promulgou o Édito de Restituição (1629), que ordenava a devolução à Igreja Católica das terras eclesiásticas tomadas pelos protestantes desde 1552. Isso assustou até príncipes luteranos que haviam permanecido leais e ajudou a prolongar a guerra.

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Intermediário

A Suécia, a França e a longa fase final (1630–1648)

Em 1630, Gustavo Adolfo da Suécia desembarcou na Pomerânia, em parte para proteger os protestantes e em parte para assegurar o poder sueco na região do mar Báltico. A partir de 1631, recebeu recursos financeiros da França. Em maio daquele ano, o exército de Tilly invadiu a cidade protestante de Magdeburgo; incêndios e massacres destruíram a maior parte da cidade e mataram grande parte de seus habitantes, frequentemente estimados em cerca de 20 mil pessoas. A notícia do saque se espalhou pela Europa em panfletos e gravuras.

Gustavo obteve uma grande vitória em Breitenfeld, em setembro de 1631, e avançou pelo sul da Alemanha. Morreu na Batalha de Lützen, em novembro de 1632, embora seu exército tenha vencido. Wallenstein, suspeito de negociar secretamente, foi assassinado por seus próprios oficiais em 1634, com a aprovação do imperador. Depois de uma vitória imperial e espanhola em Nördlingen, em 1634, a maioria dos príncipes protestantes alemães firmou a Paz de Praga com o imperador, em 1635.

A guerra continuou porque a França entrou diretamente no conflito: declarou guerra à Espanha em 1635 e lutou ao lado da Suécia. Durante mais treze anos, exércitos cruzaram repetidamente um Império devastado. Os franceses derrotaram os espanhóis em Rocroi, em 1643, e os exércitos suecos e franceses venceram batalhas importantes na década de 1640. As negociações de paz começaram em Münster e Osnabrück em meados daquela década, enquanto os combates prosseguiam. Tropas suecas sitiavam Praga quando a notícia da paz chegou, em 1648. A guerra entre a França e a Espanha continuou até 1659.

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Intermediário

A Paz de Vestfália (1648)

A paz foi negociada por delegações de toda a Europa em duas cidades da Vestfália: as potências católicas se reuniram principalmente em Münster, e as protestantes, em Osnabrück. No início de 1648, a Espanha firmou uma paz separada com a República Holandesa e reconheceu sua independência. Os tratados com a Suécia e a França foram assinados em 24 de outubro de 1648.

No Império, o calvinismo foi reconhecido ao lado do luteranismo e do catolicismo. O ano de 1624 foi fixado como «ano de referência»: a situação religiosa daquela data determinaria, em grande parte, quem manteria cada igreja e propriedade. Confirmaram-se amplos poderes dos príncipes sobre seus territórios, inclusive o direito de formar alianças, desde que não fossem dirigidas contra o imperador ou o Império. Criou-se um novo e oitavo eleitorado para o filho de Frederico V, enquanto a Baviera manteve o que havia conquistado.

A Suécia recebeu a Pomerânia Ocidental e outros territórios nas costas do mar do Norte e do mar Báltico, tornando-se uma grande potência. A França teve confirmado seu domínio sobre Metz, Toul e Verdun e obteve direitos na Alsácia. A independência da Confederação Suíça em relação ao Império também foi reconhecida.

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Intermediário

O custo humano

As estimativas atuais do total de mortos geralmente variam de cerca de 4,5 a 8 milhões de pessoas. Todos esses números são incertos, pois os registros eram incompletos e as pessoas se deslocavam para fugir do perigo. A maioria das vítimas era civil e morreu não em combate, mas de epidemias e fome agravadas pela guerra, pelos saques, pelas colheitas ruins e pela concentração de refugiados nas cidades.

A perda populacional variou muito de um lugar para outro. Algumas regiões, como partes da Pomerânia, de Württemberg e do Palatinado, podem ter perdido mais da metade dos habitantes; outras, especialmente no noroeste, sofreram bem menos. Hoje, os historiadores preferem examinar essas diferenças regionais a usar um único número impressionante para toda a «Alemanha».

Relatos da época descrevem saques, tortura para revelar dinheiro escondido, estupros, sequestros e incêndios de povoados. Parte dessas descrições vem de obras de propaganda e literatura, mas registros locais, diários e livros paroquiais também as confirmam. Ao mesmo tempo, algumas pessoas sobreviveram fugindo, negociando com soldados ou ingressando nos próprios exércitos.

A guerra também mudou os lugares onde as pessoas viviam. Cidades muradas se encheram de refugiados vindos do campo, o que favoreceu a propagação de epidemias. Mais tarde, migrantes da Suíça, da Áustria e de outras regiões menos atingidas voltaram a ocupar fazendas abandonadas. As mulheres corriam riscos especiais diante dos soldados, mas também mantinham fazendas e oficinas em funcionamento, negociavam com tropas de ocupação e viajavam com os exércitos como esposas, cozinheiras, vendedoras de provisões e enfermeiras. Minorias religiosas foram expulsas de seus lares quando os governantes mudavam e impunham sua confissão. As comunidades judaicas, embora às vezes recebessem proteção mediante pagamentos, ficavam expostas à extorsão e à violência de todos os lados.

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Intermediário

Consequências de curto e longo prazo

No curto prazo, a guerra deixou muitos territórios alemães empobrecidos, despovoados e endividados. A recuperação levou décadas e, em alguns lugares, a população só voltou ao nível anterior à guerra no século XVIII. Os governantes aproveitaram o período posterior à guerra para reconstruir a administração, a arrecadação de impostos e, em alguns Estados, como Brandemburgo-Prússia, os exércitos permanentes.

Politicamente, o Império sobreviveu, mas com um equilíbrio entre o imperador e os príncipes que durou até 1806. Os Habsburgo da Áustria passaram a se concentrar cada vez mais em suas terras hereditárias, entre elas a Boêmia, que voltou a ser predominantemente católica. A França e a Suécia se tornaram as principais potências de meados do século XVII, enquanto o declínio da Espanha continuou.

No campo religioso, a paz não acabou com a hostilidade entre as confissões, mas tornou muito menos provável uma grande guerra religiosa dentro do Império ao encaminhar as disputas para tribunais e procedimentos jurídicos. Costuma-se dizer que a Paz de Vestfália fundou o sistema moderno de Estados soberanos; muitos historiadores hoje consideram essa afirmação exagerada (veja os debates abaixo).

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Intermediário

Como diferentes países lembram a guerra

Na Alemanha, a guerra se tornou um símbolo de catástrofe nacional. O romance Simplicius Simplicissimus (1668), de Hans Jakob Christoffel von Grimmelshausen, a retratou pelos olhos de um menino ingênuo. Friedrich Schiller escreveu uma história da guerra e, na década de 1790, uma trilogia de peças sobre Wallenstein. Em 1939, Bertolt Brecht usou a guerra como cenário de Mãe Coragem e Seus Filhos, um alerta sobre o lucro obtido com a guerra. Nacionalistas do século XIX muitas vezes culparam potências estrangeiras pela longa fraqueza da Alemanha, e a guerra às vezes foi comparada à destruição causada pelas Guerras Mundiais.

Na Suécia, Gustavo Adolfo é lembrado como um grande rei e defensor do protestantismo. O dia 6 de novembro, data de sua morte em Lützen, é celebrado na Suécia e na Finlândia. Nas terras tchecas, a derrota na Montanha Branca foi por muito tempo descrita em textos nacionalistas como o início de uma «era das trevas», marcada pelo domínio dos Habsburgo, pelo retorno do catolicismo e pelo predomínio da língua alemã. Historiadores atuais, porém, apresentam um quadro mais complexo da época barroca.

Na França, a guerra costuma ser vista pela política de razão de Estado de Richelieu, que colocou os interesses franceses acima da solidariedade religiosa. Nos Países Baixos, 1648 é lembrado pelo reconhecimento da independência holandesa após a Guerra dos Oitenta Anos. Historiadores católicos e protestantes já narraram o conflito, cada qual de seu lado, como uma luta do bem contra o mal. Hoje, os historiadores procuram apresentar todas essas perspectivas, inclusive as dos soldados e moradores comuns.

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Avançado

Fontes primárias

A Guerra dos Trinta Anos foi a primeira grande guerra europeia amplamente divulgada por meio de impressos. Panfletos, folhas ilustradas e os primeiros jornais semanais espalharam notícias e propaganda sobre acontecimentos como a Defenestração de Praga e o saque de Magdeburgo. Grandes coletâneas, como o Theatrum Europaeum, reuniram relatos e gravuras. Essas fontes mostram como as pessoas recebiam notícias da guerra, mas muitas vezes defendem um dos lados.

Documentos pessoais oferecem uma visão da vida cotidiana. O diário do mercenário Peter Hagendorf, redescoberto no século XX e publicado na década de 1990, acompanha um soldado e sua família durante décadas de campanhas militares. O sapateiro Hans Heberle, que vivia perto de Ulm, registrou quantas vezes os moradores de seu povoado fugiram para a cidade. Otto von Guericke, mais tarde famoso como cientista, deixou um relato da destruição de Magdeburgo.

As fontes oficiais incluem textos de tratados, como os da Paz de Vestfália, correspondência diplomática do congresso de paz, registros militares e fiscais e livros paroquiais de nascimentos, casamentos e sepultamentos. Os historiadores que estudam a população usam esses livros com cuidado, pois os registros muitas vezes eram interrompidos quando membros do clero fugiam ou igrejas eram incendiadas.

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Avançado

Debates entre historiadores

Foi uma guerra religiosa? Histórias mais antigas muitas vezes a descreveram como a última grande guerra de religião. O amplo estudo de Peter H. Wilson, Europe’s Tragedy (2009), argumenta que a religião teve importância principalmente por moldar ideias políticas sobre ordem e legitimidade, e que o conflito tratou, acima de tudo, da organização política do Império. Outros estudiosos destacam que a fé religiosa era central para muitos participantes. Hoje, a maioria dos historiadores combina explicações religiosas, políticas e internacionais.

Foi uma guerra só ou várias? Alguns estudiosos, como S. H. Steinberg na década de 1960, argumentaram que a «Guerra dos Trinta Anos» é uma construção posterior que reúne diversos conflitos separados e que escritores posteriores exageraram a devastação. Pesquisas demográficas mais recentes, inclusive estudos regionais, confirmaram perdas muito grandes em várias áreas, mas também mostraram fortes diferenças entre regiões. Estimativas populacionais mais antigas de Günther Franz foram amplamente usadas, mas também receberam críticas.

O que a Paz de Vestfália criou? Na teoria das relações internacionais, «soberania vestfaliana» se refere a um sistema de Estados independentes e iguais que não interferem nos assuntos internos uns dos outros. Historiadores como Andreas Osiander argumentam que essa ideia é um «mito vestfaliano»: os tratados, na realidade, fortaleceram as leis e instituições do Império, garantiram direitos religiosos dentro dos territórios e deram a potências estrangeiras o papel de garantir o acordo. Geoffrey Parker também situou a guerra em uma «crise geral» mais ampla do século XVII, ligada ao resfriamento do clima, a revoltas e a guerras em várias partes do mundo.

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Batalhas (36)

  1. Batalha de Pilsen1618
  2. Battle of Sablat1619
  3. Batalha de Vestonice1619
  4. Batalha da Montanha Branca1620
  5. Palatinate campaign1620–1623
  6. Battle of Wimpfen1622
  7. Batalha de Mingolsheim1622
  8. Batalha de Fleurus1622
  9. Batalha de Höchst1622
  10. Battle of Stadtlohn1623
  11. Batalha de Lutter am Barenberge1626
  12. Battle of Dessau Bridge1626
  13. Siege of Stralsund1628
  14. Battle of Wolgast1628
  15. Battle of Trzciana1629
  16. Batalha de Breitenfeld1631
  17. Saque de Magdeburgo1631
  18. Battle of Werben1631
  19. Battle of Frankfurt an der Oder1631
  20. Batalha de Lützen1632
  21. Batalha de Rain1632
  22. Battle of the Alte Veste1632
  23. Battle of Oldendorf1633
  24. Batalha de Nördlingen1634
  25. Batalha de Wittstock1636
  26. Battle of Rheinfelden1638
  27. Battle of Chemnitz1639
  28. Battle of Breitenfeld1642
  29. Battle of Tuttlingen1643
  30. Batalha de Freiburg1644
  31. Action of 16 May 16441644
  32. Batalha de Jankau1645
  33. Segunda Batalha de Nördlingen1645
  34. Batalha de Lens1648
  35. Battle of Prague1648
  36. Batalha de Zusmarshausen1648

Ideias principais

Conflito entre confissões religiosas
As tensões entre católicos, luteranos e calvinistas, cada grupo com sua própria confissão de fé, moldaram alianças e receios durante toda a guerra.
Organização política do Império
As disputas sobre o poder do imperador em comparação com o dos príncipes e dos estados do Império estavam no centro do conflito.
Rivalidade entre Habsburgo e Bourbon
A França católica lutou contra os Habsburgo, também católicos, mostrando que interesses de dinastias e Estados podiam pesar mais que a religião.
A guerra sustentando a guerra
O sistema de contribuições fazia os exércitos sobreviverem à custa dos territórios ocupados, tornando os civis as principais vítimas da guerra.
Ano de referência
A Paz de Vestfália estabeleceu 1624 como referência para direitos religiosos e propriedades da Igreja, substituindo o uso da força por regras jurídicas.
Soberania vestfaliana
Ideia posterior, associada a 1648, de Estados independentes que não interferem nos assuntos uns dos outros; hoje é debatida pelos historiadores.
Guerra de informações
Notícias e imagens impressas espalharam informações e propaganda, influenciando a maneira como os europeus viveram e lembraram a guerra.

Registros

  1. 1555 — A Paz de Augsburgo permite que príncipes luteranos e católicos escolham a religião de seus territórios.
  2. 1618 — A Defenestração de Praga (23 de maio) dá início à revolta da Boêmia.
  3. 1620 — Batalha da Montanha Branca (8 de novembro): os rebeldes da Boêmia são derrotados.
  4. 1626 — Tilly derrota Cristiano IV da Dinamarca em Lutter.
  5. 1629 — Édito de Restituição; a Paz de Lübeck encerra a participação dinamarquesa.
  6. 1630 — Gustavo Adolfo desembarca na Pomerânia.
  7. 1631 — Saque de Magdeburgo (maio); vitória sueca em Breitenfeld (setembro).
  8. 1632 — Batalha de Lützen; Gustavo Adolfo morre.
  9. 1634 — Wallenstein é assassinado; vitória imperial e espanhola em Nördlingen.
  10. 1635 — Paz de Praga; a França declara guerra à Espanha.
  11. 1643 — Vitória francesa em Rocroi; começam as negociações de paz na Vestfália.
  12. 1648 — A Paz de Vestfália é assinada em Münster e Osnabrück (24 de outubro).

Glossário

Sacro Império Romano-Germânico
Grande união política da Europa Central, formada por centenas de territórios sob um imperador eleito, que durou até 1806.
Eleitor
Um dos príncipes com direito a eleger o imperador; eram sete antes da guerra e oito depois dela.
Defenestração
Ato de jogar alguém por uma janela; em Praga, tornou-se uma forma de protesto político.
Calvinismo
Tradição protestante reformada ligada aos ensinamentos de João Calvino, reconhecida legalmente no Império apenas em 1648.
Liga Católica / União Protestante
Alianças rivais de príncipes alemães fundadas, respectivamente, em 1609 e 1608.
Sistema de contribuições
Obrigação imposta a regiões ocupadas de pagar e fornecer suprimentos aos exércitos, usada em enorme escala por Wallenstein.
Édito de Restituição
Ordem de Fernando II, de 1629, para devolver antigas terras da Igreja ao controle católico.
Ano de referência
O ano de 1624, usado na Paz de Vestfália como referência para definir direitos religiosos e propriedades.
Mercenário
Soldado que luta por pagamento, e não por lealdade a um Estado específico.

Perguntas e respostas

Os homens jogados pela janela sobreviveram?

Sim. Os três sobreviveram a uma queda de mais de 15 metros. Os católicos disseram que anjos ou a Virgem Maria os protegeram; os protestantes brincaram que eles caíram sobre uma pilha de lixo ou esterco. De todo modo, o episódio deu início a uma revolta.

A guerra realmente durou trinta anos sem parar?

Os combates continuaram quase sem interrupção, mas ocorreram em lugares diferentes e envolveram participantes diferentes. Os historiadores costumam dividi-la em fases boêmia, dinamarquesa, sueca e francesa.

Por que a França católica ajudou a Suécia protestante?

O cardeal Richelieu temia que os Habsburgo, governantes da Espanha e da Áustria, cercassem e dominassem a França. Ele colocou os interesses do Estado francês acima da união religiosa.

Quem foi Wallenstein?

Albrecht von Wallenstein foi um nobre da Boêmia que se tornou o general mais poderoso do imperador. Reuniu enormes exércitos pagos por contribuições cobradas das terras ocupadas e ficou muito rico. Sua independência e seus contatos secretos com o inimigo fizeram Fernando II desconfiar dele. Em 1634, foi assassinado por seus próprios oficiais. Mais tarde, Schiller o transformou no herói trágico de três peças.

Quantas pessoas morreram?

Ninguém sabe ao certo. As estimativas atuais geralmente variam de cerca de 4,5 a 8 milhões de mortos, a maioria por doenças e fome, e não em batalha. Algumas regiões perderam mais da metade de seus habitantes; outras, muito menos.

A Paz de Vestfália criou os Estados soberanos modernos?

Não da maneira simples como muitas vezes se afirma. Os tratados ampliaram os direitos dos príncipes, mas eles continuaram dentro de um Império com leis e tribunais próprios. Os tratados também deram a potências estrangeiras um papel na garantia do acordo. O «sistema vestfaliano» é, em grande parte, uma ideia posterior.

Por que Magdeburgo é tão conhecida?

Sua destruição em 1631, quando grande parte da população morreu, chocou a Europa protestante e foi amplamente divulgada em impressos. «Magdeburgisieren», que significa «transformar uma cidade em Magdeburgo», tornou-se uma palavra para destruição total.

Até que ponto os diários de soldados e moradores são confiáveis?

Eles são valiosos porque mostram a vida cotidiana, mas cada autor viu apenas parte da guerra e escreveu por motivos próprios. Os historiadores os comparam com registros oficiais e com outros diários.

Fontes e leituras adicionais

  1. Thirty Years’ War. Wikipedia
  2. 30년 전쟁. 위키백과
  3. Peace of Westphalia. Wikipedia
  4. 베스트팔렌 조약. 위키백과
  5. Treaty of Westphalia: Peace Treaty between the Holy Roman Emperor and the King of France and their respective Allies (24 October 1648). The Avalon Project, Yale Law School
  6. Defenestrations of Prague. Wikipedia
  7. Sack of Magdeburg. Wikipedia
  8. Simplicius Simplicissimus. Wikipedia
  9. Peter H. Wilson, Europe’s Tragedy: A History of the Thirty Years War. Allen Lane, 2009
  10. C. V. Wedgwood, The Thirty Years War. Jonathan Cape, 1938

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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