Guerra

Primeira Guerra Sino-Japonesa

清日戰爭 (Korean: Cheong-il jeonjaeng) · 甲午戰爭 (Chinese: Jiawu zhanzheng) · 日清戦争 (Japanese: Nisshin sensō)

1894–1895 ·

Em uma frase

A Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894–1895) foi um conflito entre a China da dinastia Qing e o Japão pelo controle da Coreia, travado principalmente em território e águas coreanas. A vitória japonesa pôs fim à liderança tradicional da China no Leste Asiático e abriu caminho para o domínio japonês sobre a Coreia.

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Para jovens leitores

Durante centenas de anos, os reis da Coreia, então chamada Joseon, enviaram presentes e cartas respeitosas aos imperadores da China. A China era como um “irmão mais velho” no Leste Asiático. Mas, no fim do século XIX, o Japão mudou muito depressa. Construiu fábricas e navios modernos, formou um exército e quis ser o novo líder.

Em 1894, muitos agricultores pobres da Coreia se revoltaram contra impostos injustos e autoridades gananciosas. Eles seguiam uma nova religião chamada Donghak, que significa “Ensinamento Oriental”. O rei coreano pediu ajuda à China, que enviou soldados. O Japão também enviou soldados, em número ainda maior, dizendo que tinha o mesmo direito.

Logo, os exércitos da China e do Japão começaram a lutar. A luta acontecia na Coreia, longe dos países deles. Soldados japoneses chegaram a ocupar o palácio do rei coreano. Houve batalhas no mar perto da Coreia e em terra, em cidades como Pyongyang. Depois, a guerra chegou ao nordeste da China.

O Japão venceu. No tratado de paz, a China teve de pagar uma enorme quantidade de prata e entregar a ilha de Taiwan ao Japão. Também teve de reconhecer que a Coreia já não tinha uma relação especial de submissão a ela.

Para os coreanos, a guerra foi muito triste. Seu país virou um campo de batalha, muitos agricultores foram mortos e, pouco depois, agentes japoneses assassinaram sua rainha. A guerra foi um grande passo para a tomada da Coreia pelo Japão, quinze anos mais tarde.

Em resumo

Datas
23–25 de julho de 1894 (primeiros combates) / 1º de agosto de 1894 (declarações de guerra) – 17 de abril de 1895 (Tratado de Shimonoseki)
Locais
Coreia (Joseon), mar Amarelo, sul da Manchúria (península de Liaodong), Shandong (Weihaiwei); depois, Taiwan e Penghu
Beligerantes
Império do Japão contra a China da dinastia Qing. Joseon era formalmente neutra, mas estava ocupada; tropas do governo coreano lutaram ao lado do Japão contra o exército camponês Donghak
Principais líderes
Japão: imperador Meiji, Itō Hirobumi, Mutsu Munemitsu, Yamagata Aritomo, Itō Sukeyuki. China Qing: imperador Guangxu, imperatriz viúva Cixi, Li Hongzhang, Ding Ruchang. Coreia: rei Gojong, Heungseon Daewongun, Kim Hong-jip, Jeon Bong-jun (Donghak)
Principais batalhas
Pungdo (naval), Seonghwan, Pyongyang, rio Yalu / mar Amarelo (naval), Port Arthur, Weihaiwei; Ugeumchi (forças japonesas e do governo coreano contra o exército Donghak)
Resultado
Vitória japonesa. A China reconheceu a “independência” da Coreia, cedeu Taiwan e Penghu e pagou 200 milhões de taéis; Liaodong foi devolvida após a Tríplice Intervenção, mediante o pagamento de mais 30 milhões
Mortes
Japão: cerca de 1.100 mortos em combate e mais de 11.000 mortos por doenças. China Qing: dezenas de milhares de mortos ou feridos (números incertos). Camponeses Donghak: dezenas de milhares ou mais (número contestado)

Fácil

O que foi a Primeira Guerra Sino-Japonesa?

A Primeira Guerra Sino-Japonesa foi travada entre a China da dinastia Qing e o Império do Japão do verão de 1894 à primavera de 1895. A questão central era quem controlaria a Coreia, então governada pela dinastia Joseon. Grande parte da guerra ocorreu na Coreia e nas águas ao seu redor. Por isso, a Coreia, que não havia escolhido entrar em guerra, sofreu muito.

Cada país se lembra da guerra por um nome diferente. Os coreanos a chamam de Cheong-il jeonjaeng (Guerra Qing–Japão). Em chinês, é a Guerra de Jiawu, nome dado ao ano de 1894 no ciclo tradicional de sessenta anos. Em japonês, é Nisshin sensō (Guerra Japão–Qing). Os próprios nomes mostram que os mesmos acontecimentos são vistos de maneiras diferentes conforme o ponto de vista.

O Japão venceu de forma rápida e decisiva. Seu exército e sua marinha modernos derrotaram em terra e no mar as forças Qing, que eram maiores, mas pouco coordenadas. O Tratado de Shimonoseki, de abril de 1895, obrigou a China a abandonar sua relação especial com a Coreia, entregar Taiwan e pagar uma indenização enorme.

A guerra é considerada um ponto de virada na história do Leste Asiático. Ela encerrou uma ordem de séculos na qual a China ocupava o centro, transformou o Japão em uma potência imperial, impulsionou reformas e movimentos revolucionários na China e colocou a Coreia no caminho da perda de sua independência.

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Fácil

Contexto: uma antiga ordem sob pressão

Durante séculos, a Coreia da dinastia Joseon participou do sistema tributário centrado na China. Os reis coreanos recebiam a investidura do imperador chinês e enviavam embaixadas regularmente, mas administravam seus próprios assuntos internos. No século XIX, esse arranjo entrou em choque com ideias ocidentais de soberania, segundo as quais um Estado era independente ou não.

Após a Restauração Meiji, em 1868, o Japão construiu rapidamente um Estado e forças armadas modernos. Em 1876, obrigou a Coreia a assinar o Tratado de Ganghwa, que a declarava um “Estado independente” em termos ocidentais. A expressão visava separá-la da China. A dinastia Qing, por sua vez, tentou reforçar seu controle. Após uma revolta de soldados em Seul, em 1882 (o Incidente de Imo), tropas Qing foram estacionadas na Coreia, e Yuan Shikai tornou-se mais tarde o influente representante Qing em Seul.

Em dezembro de 1884, um grupo de jovens reformistas coreanos liderado por Kim Ok-gyun, com apoio japonês, tentou tomar o poder no Golpe de Gapsin. Tropas Qing o reprimiram em poucos dias. Em 1885, Li Hongzhang e Itō Hirobumi assinaram a Convenção de Tianjin. Os dois países retiraram suas tropas da Coreia e prometeram avisar um ao outro antes de enviá-las novamente. Esse acordo serviria de pretexto jurídico para a guerra de 1894.

No início da década de 1890, os líderes japoneses consideravam a Coreia vital para a segurança do Japão. Em 1890, o primeiro-ministro Yamagata Aritomo afirmou que ela estava dentro da “linha de vantagem” japonesa. Enquanto isso, a dinastia Qing havia formado a Frota de Beiyang, uma das maiores marinhas da Ásia, mas seus gastos eram desiguais e seu comando, dividido. Em março de 1894, Kim Ok-gyun foi assassinado em Xangai por um agente coreano. Seu corpo foi mutilado na Coreia, o que inflamou a opinião pública japonesa.

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Fácil

A Revolução Camponesa Donghak: o estopim

Donghak, ou “Ensinamento Oriental”, era uma religião fundada em 1860 por Choe Je-u. Ensinava que o céu habita em cada pessoa e oferecia esperança às pessoas comuns. Seu nome a distinguia do “Ensinamento Ocidental”, isto é, do catolicismo. O governo executou Choe em 1864, mas o movimento se espalhou entre os agricultores, sobretudo no sudoeste.

No início de 1894, agricultores do condado de Gobu, na província de Jeolla, se revoltaram contra um magistrado corrupto. O líder Donghak Jeon Bong-jun transformou essa revolta local em um movimento mais amplo. Seu exército camponês derrotou tropas do governo em Hwangtohyeon e entrou em Jeonju, a capital provincial, no fim de maio de 1894. Os camponeses exigiam o fim da corrupção, dos impostos injustos e dos abusos de autoridades e proprietários de terras. Também se opunham à intromissão econômica estrangeira.

Alarmado, o governo de Joseon pediu tropas à dinastia Qing. Cerca de 2.800 soldados chineses desembarcaram em Asan em junho. Invocando a Convenção de Tianjin, o Japão enviou uma força maior a Incheon e Seul. Enquanto isso, o exército camponês e o governo firmaram uma trégua em Jeonju, e os camponeses criaram repartições locais chamadas jipgangso para realizar reformas. A principal razão para a presença de tropas estrangeiras praticamente desaparecera, mas nem o Japão nem a China retiraram seus soldados.

O Japão propôs que os dois países “reformassem” juntos o governo coreano. Quando a dinastia Qing recusou, o Japão decidiu agir sozinho. A revolta camponesa, iniciada como protesto contra injustiças internas, tornou-se a ocasião para uma guerra entre duas potências estrangeiras em solo coreano.

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Intermediário

O desenrolar da guerra

Ocupação do palácio (23 de julho de 1894). Antes de qualquer declaração de guerra, tropas japonesas atacaram e ocuparam Gyeongbokgung, o palácio real em Seul, e colocaram o rei Gojong sob seu controle. Instalaram o pai do rei, Heungseon Daewongun, como chefe nominal do governo e logo apoiaram um novo gabinete liderado por Kim Hong-jip, que iniciou as Reformas Gabo. O novo governo então “pediu” ao Japão que expulsasse as forças Qing da Coreia.

Primeiras batalhas (julho–setembro de 1894). Em 25 de julho, a marinha japonesa atacou navios Qing perto da ilha de Pungdo. O transporte Kowshing, de propriedade britânica e que levava tropas Qing, foi afundado, e muitas centenas de soldados morreram afogados. Em terra, as forças japonesas derrotaram as tropas Qing em Seonghwan, perto de Asan, em 29 de julho. Os dois países declararam guerra formalmente em 1º de agosto. Em 15 e 16 de setembro, os japoneses tomaram Pyongyang. Em 17 de setembro, derrotaram a Frota de Beiyang na Batalha do Rio Yalu, chamada de Batalha do Mar Amarelo na China, e afundaram vários navios. O capitão chinês Deng Shichang, que morreu com seu cruzador Zhiyuan, tornou-se um herói nacional na China.

Avanço sobre a China (outubro de 1894–fevereiro de 1895). Exércitos japoneses atravessaram o rio Yalu em direção à Manchúria e desembarcaram na península de Liaodong. Em 21 de novembro, tomaram Port Arthur (Lüshun), uma importante base naval Qing. Nos dias seguintes, tropas japonesas mataram um grande número de soldados e civis chineses na cidade; jornalistas estrangeiros divulgaram o massacre ao mundo. No início de 1895, forças japonesas atacaram Weihaiwei, em Shandong, por terra e mar. O restante da Frota de Beiyang se rendeu em 12 de fevereiro, e seu comandante, Ding Ruchang, tirou a própria vida.

Paz (março–abril de 1895). Li Hongzhang foi a Shimonoseki para negociar. Em 24 de março, um agressor japonês atirou nele e o feriu. O episódio causou constrangimento ao Japão e ajudou a levar a um armistício. O Tratado de Shimonoseki foi assinado em 17 de abril de 1895 por Itō Hirobumi e Mutsu Munemitsu, em nome do Japão, e Li Hongzhang, em nome da China.

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Intermediário

A Coreia durante a guerra: ocupação, reformas e a segunda revolta Donghak

Para os coreanos, a guerra não era um conflito distante entre dois vizinhos. Exércitos japoneses e chineses marcharam por cidades coreanas, requisitaram alimentos e animais e obrigaram pessoas a transportar cargas. Grandes batalhas ocorreram em Seonghwan e Pyongyang, que sofreu graves danos. O Japão controlava as linhas telegráficas e o governo em Seul e pressionava o Estado coreano a assinar acordos favoráveis a seus interesses militares e econômicos.

As Reformas Gabo (1894–1896), realizadas pelo gabinete de Kim Hong-jip sob pressão japonesa, estiveram entre as mudanças mais amplas da história coreana. Elas aboliram a distinção legal entre os aristocratas yangban e as pessoas comuns, acabaram com a escravidão e os antigos exames de ingresso no serviço público, permitiram que viúvas se casassem novamente e reorganizaram o governo e as finanças. Historiadores discutem até que ponto essas reformas refletiam os objetivos dos próprios reformistas coreanos e até que ponto serviam ao controle japonês. Os dois aspectos estavam presentes.

No outono de 1894, indignados com a ocupação do palácio e a interferência japonesa, Jeon Bong-jun e outros líderes Donghak se revoltaram novamente, desta vez declaradamente contra o Japão. Grupos Donghak do norte e do sul se uniram e marcharam em direção a Seul. Entre novembro e dezembro de 1894, na passagem de Ugeumchi, perto de Gongju, atacaram posições ocupadas por tropas japonesas e forças do governo coreano. Armados principalmente com mosquetes antigos, lanças e ferramentas agrícolas, os camponeses sofreram muitas baixas ao avançar repetidas vezes contra rifles e artilharia modernos.

As forças japonesas e do governo coreano perseguiram os sobreviventes pelo sudoeste, matando muitos camponeses e suspeitos de apoiá-los. Pesquisas com documentos do exército japonês mostraram que unidades japonesas receberam ordens para aniquilar as forças Donghak. Jeon Bong-jun foi capturado no fim de 1894 e executado em 1895. As estimativas do número de camponeses mortos vão de dezenas de milhares a várias centenas de milhares. Não é possível estabelecer o número verdadeiro, mas ele foi muito maior que o das perdas japonesas em combate contra a China.

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Intermediário

Resultado: o Tratado de Shimonoseki e a Tríplice Intervenção

Pelo Tratado de Shimonoseki, a China reconheceu a “plena e completa independência e autonomia” da Coreia e pôs fim às cerimônias tributárias. Cedeu Taiwan, as ilhas Penghu (Pescadores) e a península de Liaodong ao Japão, concordou em pagar uma indenização de 200 milhões de taéis Kuping de prata e abriu novos portos ao comércio japonês. Também permitiu que japoneses instalassem fábricas nos portos abertos por tratado.

Seis dias depois, Rússia, França e Alemanha, na Tríplice Intervenção, “aconselharam” o Japão a abrir mão da península de Liaodong. Sem condições de enfrentar três grandes potências, o Japão concordou em troca de mais 30 milhões de taéis. Muitos japoneses se sentiram humilhados, e o ressentimento contra a Rússia cresceu. Três anos depois, a própria Rússia obteve o arrendamento de Port Arthur e Dalian.

Em Taiwan, autoridades locais e membros da elite declararam a República de Formosa em maio de 1895 para resistir à transferência da ilha. As forças japonesas enfrentaram forte resistência taiwanesa e ocuparam a ilha até outubro de 1895. Taiwan permaneceu uma colônia japonesa até 1945. A conquista custou milhares de vidas taiwanesas e japonesas; muitos soldados japoneses morreram de doenças.

Quanto às baixas, o Japão perdeu cerca de 1.100 homens em combate, mas mais de 11.000 morreram de doenças, sobretudo durante a campanha de Taiwan. As perdas chinesas são muito menos certas; estimativas frequentemente citadas falam em pelo menos 35.000 mortos ou feridos. A esses números devem ser acrescentados os civis mortos em Port Arthur, cuja quantidade é contestada (as estimativas vão de cerca de 2.000 a números muito maiores), os camponeses coreanos e aqueles que morreram em consequência de requisições, epidemias e deslocamentos.

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Intermediário

Consequências para a Coreia, a China e o Japão

Coreia. O fim da influência Qing não trouxe uma independência real. Quando a rainha Min (imperatriz Myeongseong) e seu grupo político se aproximaram da Rússia para contrabalançar o Japão, agentes e soldados japoneses, organizados sob a autoridade do representante japonês Miura Gorō, invadiram Gyeongbokgung em 8 de outubro de 1895 e a assassinaram (o Incidente de Eulmi). Esse episódio, junto com um decreto que ordenava aos homens cortar seus coques tradicionais, provocou as primeiras revoltas dos “exércitos da justiça” (uibyeong). Em fevereiro de 1896, o rei Gojong refugiou-se na representação diplomática russa. Em 1897, proclamou o Império Coreano. O Portão da Independência foi construído no local onde antes se recebiam os enviados chineses, como símbolo de libertação da China. Ainda assim, a Coreia permaneceu presa à disputa entre Japão e Rússia, que levou à guerra seguinte, em 1904.

China. A derrota para o Japão, país que as elites chinesas por muito tempo haviam considerado um vizinho inferior, foi um choque profundo. Ela expôs os limites do Movimento de Autofortalecimento e desencadeou uma “corrida por concessões”, na qual Alemanha, Rússia, Reino Unido e França obtiveram territórios arrendados em 1897–1898. Reformistas como Kang Youwei enviaram petições ao trono, dando início à Reforma dos Cem Dias, em 1898, reprimida pela imperatriz viúva Cixi. Muitos jovens chineses foram estudar no Japão, e a humilhação alimentou o movimento revolucionário que derrubou a dinastia Qing em 1911–1912.

Japão. Com a aquisição de Taiwan, a vitória transformou o Japão em um império colonial. A indenização, equivalente a várias vezes o orçamento anual do governo japonês, ajudou a financiar a expansão militar, a siderúrgica estatal de Yawata e a adoção do padrão-ouro pelo Japão em 1897. A guerra também fortaleceu o nacionalismo e o prestígio das forças armadas. A Tríplice Intervenção convenceu muitos líderes de que o Japão precisava de mais poder e de um aliado ocidental para enfrentar a Rússia.

A ordem regional. A guerra encerrou o sistema tributário como princípio organizador das relações no Leste Asiático e deu lugar à competição entre potências imperiais. Historiadores frequentemente a consideram o primeiro conflito de uma sequência que incluiu a Guerra Russo-Japonesa, a anexação da Coreia em 1910 e as guerras posteriores do Japão na China.

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Avançado

Memória e narrativas na Coreia, na China e no Japão

Japão. Na época, a guerra foi amplamente celebrada no Japão. Jornais, xilogravuras coloridas e canções retratavam soldados japoneses corajosos e uma China atrasada. O educador Fukuzawa Yukichi a descreveu como uma guerra entre civilização e barbárie. Algumas vozes mudaram de opinião: o pensador cristão Uchimura Kanzō inicialmente defendeu a guerra como justa, mas depois se arrependeu e se tornou pacifista. Historiadores japoneses do pós-guerra têm sido mais críticos. Alguns, como Nakatsuka Akira, mostraram que a história oficial da guerra ocultou o caráter planejado do ataque a Gyeongbokgung. Na memória popular japonesa, porém, as guerras da era Meiji muitas vezes receberam uma avaliação mais positiva que as guerras das décadas de 1930 e 1940.

China. Na China, a Guerra de Jiawu é lembrada como uma humilhação nacional e uma lição sobre os perigos da fraqueza e da corrupção. Figuras como Deng Shichang são homenageadas como mártires patrióticos, e o massacre de Port Arthur é lembrado no memorial Wanzhongmu (“Túmulo dos Dez Mil”), em Lüshun. A guerra aparece em filmes, como o filme de 1962 conhecido em inglês como The Naval Battle of 1894, e faz parte da educação patriótica. Li Hongzhang, que assinou o tratado, foi julgado com severidade como símbolo de capitulação, embora alguns historiadores hoje avaliem sua posição de maneira mais matizada.

Coreia. As narrativas coreanas ressaltam que a guerra foi travada em território coreano sem o consentimento dos coreanos e que o Japão usou as expressões “independência da Coreia” e “reforma” para encobrir suas próprias ambições. A ocupação do palácio e o massacre dos camponeses Donghak ocupam um lugar central. O próprio movimento Donghak recebeu nomes diferentes ao longo do tempo: antes chamado oficialmente de “rebelião” (Donghak-ran), hoje é geralmente chamado de Movimento Camponês Donghak ou Revolução Camponesa Donghak na Coreia do Sul. Uma lei de 2004 determinou a restauração da honra de seus participantes e, desde 2019, 11 de maio é um dia nacional de homenagem. Na Coreia do Norte, ele é conhecido como Guerra Camponesa Gabo.

Taiwan. Para Taiwan, 1895 marca o início de cinquenta anos de domínio japonês. A resistência armada daquele ano é lembrada de maneiras diferentes conforme a visão que os taiwaneses têm dos domínios chinês e japonês. Assim, a guerra faz parte dos debates atuais sobre a identidade taiwanesa.

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Avançado

Fontes primárias e historiografia

Fontes japonesas. As memórias Kenkenroku, escritas em 1895 pelo ministro das Relações Exteriores Mutsu Munemitsu, apresentam um relato franco da diplomacia japonesa e mostram como o Japão administrou cuidadosamente o início da guerra e a opinião ocidental. A história oficial da guerra, publicada em vários volumes pelo Estado-Maior do Exército, é detalhada, mas foi editada para apresentar as ações japonesas de modo favorável. A comparação com rascunhos preservados revelou omissões, sobretudo a respeito do ataque ao palácio coreano. Os registros diplomáticos da representação japonesa em Seul são uma fonte importante para o estudo da política japonesa na Coreia.

Fontes chinesas e coreanas. Documentos da corte Qing, petições e correspondência de Li Hongzhang e registros navais descrevem o lado chinês. Entre as fontes coreanas estão os Anais Verídicos e documentos governamentais do reinado de Gojong, o registro do interrogatório de Jeon Bong-jun após sua captura, relatos Donghak como a história posterior do movimento escrita por Oh Ji-yeong e a crônica particular Maecheon yarok, do estudioso Hwang Hyeon, que registra rumores e acontecimentos com olhar crítico.

Fontes ocidentais. Observadores militares, diplomatas e jornalistas estrangeiros relataram a guerra. As reportagens sobre o massacre de Port Arthur feitas por jornalistas como James Creelman, do New York World, causaram um escândalo internacional. Relatos ocidentais frequentemente elogiavam o Japão como uma nação “civilizada” em processo de modernização, o que também revela como esses observadores classificavam as sociedades asiáticas.

Historiografia. The Sino-Japanese War of 1894–1895 (2003), de S. C. M. Paine, situa a guerra no contexto das mudanças na percepção do poder e do colapso da ordem centrada na China. Historiadores coreanos destacaram a ligação da guerra com o movimento Donghak e o imperialismo japonês. Pesquisadores japoneses como Nakatsuka Akira e Inoue Katsuo usaram arquivos militares japoneses para documentar a repressão aos camponeses Donghak. Continuam os debates sobre a inevitabilidade da guerra, o quanto os líderes japoneses a planejaram com antecedência, as razões do fraco desempenho das forças Qing e a avaliação das Reformas Gabo.

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Batalhas (10)

  1. Batalha do Rio Yalu1894
  2. Batalha de Pyongyang1894
  3. Massacre de Port Arthur (China)1894
  4. Battle of Pungdo1894
  5. Batalha de Lüshunkou1894
  6. Battle of Seonghwan1894
  7. Battle of Jiuliancheng1894
  8. Battle of Weihaiwei1895
  9. Battle of Yingkou1895
  10. Pescadores Campaign1895

Ideias principais

Ordem tributária
Sistema tradicional do Leste Asiático no qual governantes vizinhos reconheciam a supremacia ritual do imperador chinês; a guerra o destruiu.
“Independência” como pretexto
O Japão justificou a guerra como uma forma de libertar a Coreia da China, mas usou a vitória para ampliar seu próprio controle sobre a Coreia.
Guerra no território de um terceiro país
China e Japão lutaram principalmente na Coreia, cuja população arcou com grande parte dos custos sem ter escolhido a guerra.
Revolução camponesa
O movimento Donghak uniu crenças religiosas, reivindicações de justiça social e resistência à intromissão estrangeira. Foi reprimido por forças japonesas e do governo coreano.
Modernização militar
O exército e a marinha modernos e centralizados do Japão tiveram desempenho superior ao das forças Qing, maiores, mas divididas, expondo os limites do Movimento de Autofortalecimento chinês.
Sequência de guerras
A guerra levou à Tríplice Intervenção, à rivalidade entre Rússia e Japão, à Guerra Russo-Japonesa e, por fim, à anexação da Coreia.
Memórias diferentes
A guerra é lembrada como triunfo, humilhação ou tragédia, conforme a história seja contada do ponto de vista do Japão, da China, da Coreia ou de Taiwan.

Registros

  1. 1876 — O Tratado de Ganghwa, entre o Japão e Joseon, declara a Coreia um “Estado independente”.
  2. 1882 — Incidente de Imo em Seul; tropas Qing são estacionadas na Coreia.
  3. 1884 — Dezembro: o Golpe de Gapsin, promovido por reformistas coreanos, fracassa após a intervenção Qing.
  4. 1885 — Convenção de Tianjin: China e Japão retiram suas tropas e concordam em avisar um ao outro antes de enviá-las à Coreia.
  5. 1894 — Início de 1894: a revolta camponesa Donghak começa em Gobu; fim de maio: os camponeses entram em Jeonju; junho: tropas Qing e japonesas desembarcam na Coreia.
  6. 1894 — 23 de julho: o Japão ocupa Gyeongbokgung; 25 de julho: batalha naval perto de Pungdo; 1º de agosto: declarações de guerra; começam as Reformas Gabo.
  7. 1894 — Setembro: vitórias japonesas em Pyongyang e no rio Yalu; novembro: queda de Port Arthur e massacre; novembro–dezembro: o exército Donghak é derrotado em Ugeumchi.
  8. 1895 — Fevereiro: Weihaiwei cai e a Frota de Beiyang se rende; 17 de abril: Tratado de Shimonoseki; 23 de abril: Tríplice Intervenção.
  9. 1895 — Conquista japonesa de Taiwan (maio–outubro); 8 de outubro: assassinato da rainha Min (Incidente de Eulmi).
  10. 1897 — Gojong proclama o Império Coreano; o Japão adota o padrão-ouro, financiado em parte pela indenização.
  11. 1898 — Reforma dos Cem Dias na China; a Rússia obtém o arrendamento de Port Arthur.

Glossário

Joseon
Dinastia coreana que governou de 1392 a 1897, quando foi criado o Império Coreano.
Qing
Última dinastia imperial da China (1644–1912).
Donghak
“Ensinamento Oriental”, religião coreana fundada por Choe Je-u em 1860; seus seguidores lideraram a revolta camponesa de 1894.
Jipgangso
Repartições locais criadas pelo exército camponês Donghak em Jeolla após a trégua de Jeonju para realizar reformas.
Reformas Gabo
Amplos conjuntos de reformas do governo e da sociedade coreanos, realizados entre 1894 e 1896 sob pressão japonesa.
Frota de Beiyang
Principal marinha moderna da dinastia Qing no norte da China, destruída na guerra.
Indenização de guerra
Quantia paga por um país derrotado ao vencedor; neste caso, 200 milhões de taéis de prata, mais 30 milhões pela devolução de Liaodong.
Tael
Unidade chinesa de peso da prata usada como moeda, equivalente a pouco menos de 40 gramas.
Tríplice Intervenção
Intervenção diplomática de 1895 na qual Rússia, França e Alemanha obrigaram o Japão a devolver a península de Liaodong.
Uibyeong (exército da justiça)
Milícias voluntárias coreanas que lutaram contra a expansão da influência japonesa e se levantaram pela primeira vez em 1895–1896.

Perguntas e respostas

Por que a guerra foi travada na Coreia se era entre a China e o Japão?

Porque a disputa era pelo controle da Coreia. Os dois países enviaram tropas para lá em 1894, e os combates começaram em terra e no mar perto da Coreia antes de chegarem à China.

Quem eram os camponeses Donghak?

Eram agricultores e seguidores da religião Donghak que se revoltaram em 1894 contra a corrupção e os impostos injustos. Sua revolta levou o governo coreano a pedir tropas chinesas. Mais tarde, eles lutaram contra o exército japonês.

Por que o Japão venceu?

O Japão tinha um exército e uma marinha modernos, centralizados e bem treinados, além de objetivos de guerra claros. As forças Qing eram maiores no papel, mas estavam divididas entre comandantes regionais, tinham poucos suprimentos e eram mal coordenadas.

A guerra tornou a Coreia independente?

No papel, a China reconheceu a independência da Coreia. Na prática, o Japão ganhou grande influência. Logo a Coreia enfrentou a rivalidade entre Japão e Rússia e o assassinato de sua rainha. Entre 1905 e 1910, perdeu sua soberania.

O que foi o massacre de Port Arthur?

Depois de tomar Port Arthur em novembro de 1894, tropas japonesas mataram muitos soldados e civis chineses. As estimativas vão de alguns milhares a números muito maiores. Jornalistas estrangeiros relataram o massacre, mas ninguém foi punido.

Até que ponto as histórias oficiais da guerra são confiáveis?

A história oficial do Estado-Maior japonês é detalhada, mas foi editada. Pesquisas com rascunhos preservados mostram que ela ocultou o planejamento do ataque ao palácio coreano. Historiadores comparam as histórias oficiais com diários, registros diplomáticos e relatos estrangeiros.

Por que os chineses a chamam de Guerra de Jiawu?

Jiawu é o nome dado ao ano de 1894 no ciclo tradicional de sessenta anos do calendário chinês. De modo semelhante, os coreanos usam gabo, a leitura coreana do nome desse mesmo ano, em acontecimentos como as Reformas Gabo.

Fontes e leituras adicionais

  1. First Sino-Japanese War. Wikipedia
  2. Donghak Peasant Revolution. Wikipedia
  3. Treaty of Shimonoseki. Wikipedia
  4. Port Arthur massacre (1894). Wikipedia
  5. Gabo Reform. Wikipedia
  6. Assassination of Empress Myeongseong. Wikipedia
  7. 청일전쟁 (First Sino-Japanese War). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
  8. 동학운동 (Donghak movement). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
  9. 청일 전쟁. 위키백과 (Korean Wikipedia)
  10. S. C. M. Paine, The Sino-Japanese War of 1894–1895: Perceptions, Power, and Primacy. Cambridge University Press, 2003

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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