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Para jovens leitores
Há cerca de 200 anos, as pessoas no Reino Unido gostavam muito de tomar chá, e quase todo esse chá vinha da China. Os comerciantes britânicos pagavam por ele com prata. Para conseguir essa prata de volta, alguns começaram a vender ópio na China. O ópio é uma droga que pode deixar a pessoa sonolenta e da qual é muito difícil se livrar.
O ópio era proibido na China, mas os comerciantes o levavam escondido para lá. Milhões de pessoas passaram a usá-lo. O imperador chinês ficou preocupado com os danos causados às pessoas e com a saída de prata do país. Em 1839, ele enviou um funcionário chamado Lin Zexu à cidade de Guangzhou (Cantão) para acabar com esse comércio.
Lin obrigou os comerciantes estrangeiros a entregar mais de 20 mil caixas de ópio. Depois, mandou destruir a droga em grandes fossas perto do mar. Os comerciantes britânicos ficaram furiosos, e o governo britânico decidiu enviar navios de guerra.
O Reino Unido tinha navios movidos a vapor e canhões modernos. Muitos soldados chineses lutaram com coragem, mas não conseguiram detê-los. Após três anos de combates, o governo chinês assinou o Tratado de Nanquim, em 1842. A China teve de pagar muito dinheiro, abrir cinco portos ao comércio britânico e ceder a ilha de Hong Kong ao Reino Unido.
Para a China, a guerra marcou o começo de um longo período em que potências estrangeiras impuseram suas exigências ao país. Hoje, historiadores estudam a guerra de forma crítica e lembram especialmente as pessoas que sofreram com ela.
Em resumo
- Datas
- Combates de setembro de 1839 (Kowloon) a agosto de 1842; a expedição britânica chegou em junho de 1840
- Local
- Litorais sul e leste da China: Guangzhou (Cantão) e o rio das Pérolas, Zhoushan (Chusan), Xiamen (Amoy), Ningbo, Xangai e Zhenjiang, até Nanquim
- Partes envolvidas
- Reino Unido (Marinha Real, forças britânicas e da Companhia Britânica das Índias Orientais, incluindo muitos soldados indianos) contra o Império Qing
- Personagens principais
- Lin Zexu, o imperador Daoguang, Qishan e Qiying (China Qing); Charles Elliot, lorde Palmerston e Henry Pottinger (Reino Unido)
- Resultado
- Vitória britânica; Tratado de Nanquim (29 de agosto de 1842)
- Termos do tratado
- Indenização de 21 milhões de dólares de prata, abertura de cinco portos, cessão da ilha de Hong Kong, fim do monopólio do Cohong e tarifas alfandegárias fixas; a extraterritorialidade e os direitos de nação mais favorecida vieram em 1843
- Mortes
- As mortes britânicas em combate foram poucas (menos de cem, segundo a maioria das contagens), mas muitas outras pessoas morreram de doenças; estima-se que as mortes de militares e civis chineses tenham chegado aos milhares, sem um número exato
- Importância
- Início do sistema de “tratados desiguais”; na historiografia chinesa, começo da história moderna da China e do “século de humilhação”
Fácil
O que foi a Primeira Guerra do Ópio?
A Primeira Guerra do Ópio ocorreu entre o Reino Unido e o Império Qing da China, de 1839 a 1842. Começou depois que o governo Qing tentou acabar com o comércio ilegal de ópio, conduzido em grande parte por comerciantes britânicos, e o Reino Unido respondeu com força militar. Na época, os britânicos muitas vezes a chamavam simplesmente de “guerra com a China” ou Guerra Anglo-Chinesa. Críticos já usavam o nome “Guerra do Ópio”, que mais tarde se tornou o mais comum.
A guerra ocorreu principalmente no mar e ao longo do litoral e dos rios do sul e do leste da China. A marinha britânica, que incluía navios movidos a vapor, permitia que uma força relativamente pequena atacasse em diferentes lugares. O exército e a marinha Qing eram numerosos, mas tinham equipamentos inadequados para esse tipo de guerra, e os defensores locais frequentemente sofreram grandes perdas.
A guerra terminou com o Tratado de Nanquim, em agosto de 1842, o primeiro dos acordos que mais tarde seriam chamados na China de “tratados desiguais”. Ele obrigou a China a abrir mais portos ao comércio estrangeiro, pagar uma grande indenização e ceder a ilha de Hong Kong. Muitos historiadores consideram a guerra um ponto de virada nas relações entre a China e as potências ocidentais.
Fácil
Chá, prata e ópio
No século XVIII, o chá se tornou uma bebida muito popular no Reino Unido, e a China era a única grande fornecedora. Os chineses queriam poucos produtos britânicos, por isso os comerciantes britânicos pagavam pelo chá principalmente com prata. A saída de prata do país preocupava as autoridades britânicas.
A Companhia Britânica das Índias Orientais, que governava grandes partes da Índia, encontrou uma solução. Ela cultivava papoulas de ópio em Bengala, controlava a produção da droga e a vendia em leilões em Calcutá a comerciantes particulares, que a levavam à China. A própria Companhia não vendia ópio na China, onde ele era proibido pelo governo Qing, mas lucrava com cada caixa vendida. Ópio produzido no oeste da Índia, na região de Malwa, também passou a fazer parte desse comércio.
As importações cresceram enormemente: de alguns milhares de caixas por ano no fim do século XVIII para dezenas de milhares por ano no fim da década de 1830. O fluxo de prata se inverteu: ela passou a sair da China para pagar pelo ópio. O hábito de fumar ópio se espalhou dos grupos ricos para soldados, funcionários públicos e trabalhadores, e muitas famílias foram arruinadas pela dependência.
Fácil
O comissário Lin e a destruição do ópio
Na corte Qing, as autoridades debatiam o que fazer. Em 1836, algumas propuseram legalizar e tributar o ópio; outras exigiam sua proibição rigorosa. O imperador Daoguang escolheu a proibição e, no fim de 1838, nomeou Lin Zexu, um funcionário respeitado por sua honestidade e dedicação, comissário imperial com plenos poderes para acabar com o comércio.
Lin chegou a Guangzhou em março de 1839. Prendeu comerciantes chineses, pressionou os usuários a abandonar a droga e exigiu que os comerciantes estrangeiros entregassem seu ópio e prometessem nunca mais trazê-lo. Diante da demora, bloqueou os depósitos e residências dos estrangeiros, conhecidos como “feitorias”, e retirou seus empregados chineses. O superintendente britânico do comércio, capitão Charles Elliot, orientou os comerciantes a entregar o ópio a ele e prometeu que o governo britânico os compensaria. Mais de 20 mil caixas foram entregues.
Em junho de 1839, em Humen, perto da foz do rio das Pérolas, Lin mandou misturar o ópio com sal e cal em fossas e escoar a mistura para o mar. O trabalho levou cerca de três semanas. Ele também escreveu à rainha Vitória perguntando como o Reino Unido podia permitir a venda à China de um veneno proibido em seu próprio país. Não se sabe ao certo se a carta chegou à rainha, embora tenha sido publicada na imprensa britânica.
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Causas mais profundas: o sistema de Cantão e o choque entre visões de mundo
O ópio foi a causa imediata, mas a guerra também resultou de um longo conflito sobre as regras do comércio e da diplomacia. A partir de 1757, o governo Qing limitou o comércio marítimo ocidental a Guangzhou, sob o que os historiadores chamam de sistema de Cantão. Os estrangeiros só podiam negociar por meio de um grupo de comerciantes chineses autorizados, o Cohong. Tinham de morar em uma pequena área fora das muralhas da cidade, não podiam levar suas famílias nem tratar diretamente com as autoridades Qing.
O Reino Unido tentou mudar essas regras pela diplomacia. As missões de Macartney, em 1793, e de Amherst, em 1816, fracassaram. A corte Qing seguia uma tradição em que governantes estrangeiros se dirigiam ao imperador como um superior. O Reino Unido, por sua vez, insistia em tratar a China como um Estado soberano entre iguais, com comércio aberto e diplomatas permanentes. Cada lado considerava arrogantes as exigências do outro.
Em 1834, a Companhia das Índias Orientais perdeu seu monopólio do comércio britânico com a China. Comerciantes particulares, liderados por firmas como a Jardine, Matheson & Co., intensificaram os negócios e defenderam uma política mais dura. O primeiro superintendente britânico do comércio, lorde Napier, entrou em conflito com as autoridades Qing naquele mesmo ano. No fim da década de 1830, os interesses dos comerciantes, as ideias de livre comércio e honra nacional e a campanha Qing contra o ópio caminhavam para um confronto.
Intermediário
Da crise à guerra (1839–1840)
Em julho de 1839, marinheiros britânicos embriagados mataram Lin Weixi, um morador chinês de Kowloon. Lin Zexu exigiu que os culpados fossem entregues à Justiça chinesa; Elliot se recusou e realizou seu próprio julgamento. Lin interrompeu o fornecimento de suprimentos aos britânicos, que deixaram Macau e se instalaram em navios ancorados no porto de Hong Kong. Em 4 de setembro de 1839, embarcações britânicas trocaram tiros com juncos de guerra chineses ao largo de Kowloon. Em 3 de novembro, ocorreu um confronto maior em Chuenpi (Chuanbi), na foz do rio das Pérolas.
Em Londres, o governo de lorde Melbourne, cujo ministro das Relações Exteriores era lorde Palmerston, decidiu enviar uma expedição para obter compensação pelo ópio entregue, melhores condições comerciais e igualdade diplomática. A decisão foi controversa. Em abril de 1840, a oposição na Câmara dos Comuns apresentou uma moção de censura à política do governo para a China. O jovem William Gladstone denunciou a guerra como injusta em suas origens e uma desonra permanente. A moção foi derrotada por apenas nove votos, 271 a 262.
A força expedicionária chegou à costa chinesa em junho de 1840. Ela incluía navios de guerra da Marinha Real, regimentos do exército e muitos soldados indianos dos exércitos da Companhia das Índias Orientais. Entre seus navios estava o Nemesis, um barco a vapor com casco de ferro da Companhia. Ele podia navegar por rios rasos contra o vento e a correnteza e se tornou um símbolo da vantagem tecnológica britânica.
Intermediário
O desenrolar da guerra (1840–1842)
Os britânicos bloquearam o rio das Pérolas e, em julho de 1840, tomaram a ilha de Zhoushan (Chusan), perto de Ningbo. A frota então navegou para o norte, até a foz do rio Hai (Peiho), perto de Tianjin, aproximando-se o bastante para alarmar Pequim. O imperador destituiu Lin Zexu e enviou Qishan para negociar. Em janeiro de 1841, Elliot e Qishan chegaram a um acordo, a Convenção de Chuenpi, que concederia Hong Kong e seis milhões de dólares ao Reino Unido. As forças britânicas ocuparam a ilha de Hong Kong em 26 de janeiro de 1841. Ambos os governos, porém, rejeitaram o acordo: o imperador puniu Qishan, e Palmerston destituiu Elliot por ter exigido pouco.
Os combates recomeçaram nos arredores de Guangzhou. As forças britânicas destruíram os fortes de Bogue e, em maio de 1841, chegaram às imediações da cidade, que pagou seis milhões de dólares para evitar uma invasão. Em Sanyuanli, logo ao norte, milícias locais se reuniram e enfrentaram tropas britânicas e indianas durante uma tempestade. O confronto foi pequeno em termos militares, mas mais tarde se tornou um forte símbolo da resistência popular na memória chinesa.
O substituto de Elliot, sir Henry Pottinger, chegou em agosto de 1841 e levou a guerra para o norte. As forças britânicas tomaram Xiamen (Amoy), retomaram Zhoushan e capturaram Zhenhai e Ningbo. Um contra-ataque Qing contra Ningbo, em março de 1842, fracassou e causou grandes perdas. Na primavera e no verão de 1842, os britânicos tomaram Zhapu, Wusong e Xangai e depois subiram o rio Yangtzé.
Em Zhenjiang, em julho de 1842, a guarnição manchu lutou intensamente. Quando a cidade caiu, muitos soldados e seus familiares tiraram a própria vida em vez de se render, e muitos civis morreram. O controle de Zhenjiang interrompeu o Grande Canal, via que transportava grãos para Pequim. Com os navios britânicos se aproximando de Nanquim, o governo Qing concordou em negociar.
Intermediário
O Tratado de Nanquim e os acontecimentos posteriores
O Tratado de Nanquim foi assinado em 29 de agosto de 1842 a bordo do HMS Cornwallis. Os negociadores Qing, liderados por Qiying e Yilibu, aceitaram uma indenização de 21 milhões de dólares de prata, paga em parcelas; a abertura de cinco portos ao comércio e à residência de britânicos (Guangzhou, Xiamen, Fuzhou, Ningbo e Xangai), com cônsules britânicos; a cessão permanente da ilha de Hong Kong ao Reino Unido; o fim do monopólio do Cohong; uma tarifa alfandegária fixa e publicada; e o uso de formas de correspondência oficial que expressassem igualdade entre as partes.
O tratado não mencionava o ópio. A droga continuou ilegal na China, mas seu comércio prosseguiu e cresceu depois da guerra. Sua importação só foi legalizada após a Segunda Guerra do Ópio (1856–1860).
Um tratado complementar de 1843, o Tratado de Bogue, acrescentou a extraterritorialidade, pela qual súditos britânicos acusados de crimes seriam julgados por autoridades britânicas, e uma cláusula de nação mais favorecida, pela qual qualquer privilégio concedido pela China a outra potência se estenderia automaticamente ao Reino Unido. Os Estados Unidos (Tratado de Wangxia, 1844) e a França (Tratado de Whampoa, 1844) logo obtiveram acordos semelhantes. Juntos, esses acordos criaram o sistema de “tratados desiguais”, que marcou as relações externas da China por um século.
Intermediário
Consequências na China, no Reino Unido e no Leste Asiático
No curto prazo, a guerra não mudou a vida cotidiana da maioria das centenas de milhões de habitantes da China, e muitos funcionários Qing a trataram como um problema regional do litoral. Ela, porém, expôs a fraqueza das forças armadas Qing, acrescentou um grande peso às finanças do governo e aprofundou as tensões econômicas e sociais no sul. A instabilidade na região contribuiu para as condições em que eclodiu a Rebelião Taiping, em 1850, uma das guerras civis mais mortais da história, embora os historiadores debatam o quanto essa ligação foi direta.
A guerra também estimulou novas ideias. Lin Zexu havia reunido informações traduzidas sobre países estrangeiros, e o estudioso Wei Yuan usou esse material no Tratado Ilustrado dos Reinos Marítimos (Haiguo tuzhi, 1843), que defendia o aprendizado das técnicas estrangeiras para resistir às potências de fora. O livro também foi lido no Japão, onde a notícia da derrota chinesa alarmou autoridades e estudiosos e alimentou debates anteriores à abertura do país na década de 1850. A Coreia da dinastia Joseon soube da guerra por meio de seus enviados a Pequim, o que aumentou a preocupação com os navios ocidentais.
Para o Reino Unido, a guerra garantiu o controle de Hong Kong, que cresceu e se tornou um grande porto, permanecendo colônia britânica até 1997. Também ampliou o acesso britânico ao comércio com a China. O comércio de ópio continuou altamente lucrativo para a Índia britânica. Ao mesmo tempo, a guerra provocou críticas duradouras no Reino Unido por parte daqueles que a viam como uma guerra travada para proteger o contrabando de drogas.
Avançado
Memória e historiografia: uma guerra, muitas narrativas
Na República Popular da China, a historiografia oficial situa o início da história moderna chinesa (jindaishi) em 1840, ano da expedição britânica. A guerra marca o começo do “século de humilhação”, que termina com a fundação da República Popular, em 1949. Ela é ensinada como uma história de agressão estrangeira, fraqueza Qing e resistência heroica de figuras como Lin Zexu e os moradores de Sanyuanli. O Museu da Guerra do Ópio, em Humen, e as estátuas e os memoriais dedicados a Lin refletem essa memória. Quando Hong Kong voltou à soberania chinesa, em 1997, a guerra foi amplamente lembrada como a origem de uma injustiça então corrigida.
No Reino Unido, durante muito tempo a guerra foi apresentada, quando lembrada, como um conflito sobre livre comércio, igualdade diplomática e arrogância da corte Qing, com o ópio em segundo plano. Essa visão se baseava em argumentos usados na época por Palmerston e pelos comerciantes. Críticos daquele período e de épocas posteriores a rejeitaram. A maioria dos historiadores atuais, no Reino Unido e em outros lugares, reconhece que proteger o comércio de ópio e a receita que ele gerava foi central para a política britânica, embora outras questões também tenham sido relevantes.
Estudos recentes procuram ir além das narrativas nacionais. Em The Opium War: Drugs, Dreams and the Making of China (2011), Julia Lovell examina tanto a guerra quanto as mudanças em sua memória na China, inclusive seu uso no nacionalismo chinês moderno. Em Imperial Twilight (2018), Stephen R. Platt situa a guerra na longa história das relações anglo-chinesas anteriores a 1839, destacando o papel das circunstâncias e dos indivíduos. Mao Haijian usou arquivos Qing em The Collapse of the Heavenly Dynasty (publicado em chinês em 1995; traduzido para o inglês como The Qing Empire and the Opium War em 2016) para analisar criticamente as decisões do governo Qing e questionar narrativas heroicas mais simples dentro da China.
Historiadores da economia também debatem as causas da guerra. Segundo a interpretação tradicional, as importações de ópio retiraram prata da China e provocaram uma crise econômica. Em China Upside Down (2006), Lin Man-houng argumentou que a queda na oferta mundial de prata, relacionada em parte às guerras de independência da América Latina, também teve um papel importante na escassez de prata na China. Essa análise não nega os danos causados pelo ópio, mas situa a crise em um contexto econômico mundial.
Avançado
As fontes: arquivos, relatórios e testemunhas
Os historiadores da guerra recorrem a um conjunto rico, mas desigual, de fontes. Do lado Qing, as mais importantes são os memoriais — relatórios enviados por funcionários ao imperador — e os decretos e comentários imperiais, preservados nos arquivos da corte e publicados em grandes coleções documentais a partir da década de 1930. Diários, cartas e memoriais do próprio Lin Zexu também sobreviveram e revelam tanto sua determinação quanto as informações limitadas de que dispunha sobre o Reino Unido.
Do lado britânico, há documentos parlamentares, registros do Ministério das Relações Exteriores, correspondência de Palmerston, Elliot e Pottinger, documentos de empresas como a Jardine Matheson e muitas memórias e diários de oficiais e soldados. Essas fontes descrevem detalhadamente as operações militares, mas muitas vezes menosprezam as perspectivas chinesas. Nos relatos britânicos, os números de mortos entre soldados e civis chineses costumam ser estimativas imprecisas.
As vozes de pessoas comuns, como moradores de aldeias, pescadores, usuários de ópio e soldados indianos que lutaram pelo Reino Unido, são muito mais difíceis de recuperar. Crônicas locais, canções populares, cartazes e tradições orais posteriores em lugares como Sanyuanli oferecem algumas pistas, mas muitas vezes foram registrados mais tarde e influenciados por objetivos políticos. Por isso, os historiadores comparam cuidadosamente os relatos chineses e britânicos. Ainda há debates sobre o número de mortos e o significado de acontecimentos como o confronto de Sanyuanli.
As fontes visuais também são importantes. Gravuras e pinturas britânicas celebravam as vitórias navais, enquanto imagens chinesas e exposições posteriores em museus destacavam a resistência. Projetos como o Visualizing Cultures, do MIT, reuniram essas imagens para mostrar como cada lado representou a guerra.
Ideias principais
- Sistema de Cantão
- Política Qing (1757–1842) que restringia o comércio marítimo ocidental a Guangzhou, sob regras rigorosas e por meio de comerciantes autorizados.
- Comércio de ópio e prata
- As vendas de ópio da Índia britânica à China inverteram o fluxo de prata e financiaram as compras britânicas de chá, com graves custos sociais para a China.
- Diplomacia das canhoneiras
- Uso da força naval para obrigar outro Estado a aceitar condições comerciais ou políticas; a Guerra do Ópio é um exemplo clássico.
- Tratados desiguais
- Tratados impostos pela força à China e a outros Estados asiáticos, que concediam a potências estrangeiras portos, indenizações, extraterritorialidade e outros privilégios sem reciprocidade.
- Extraterritorialidade
- Direito de estrangeiros de ser julgados pelas autoridades de seu próprio país, em vez de pelas leis locais.
- Século de humilhação
- Forma de interpretar a história chinesa entre a Guerra do Ópio e 1949, central para a memória nacional da China moderna.
- Ideias de autofortalecimento
- Ideia defendida por Wei Yuan após a guerra: aprender técnicas estrangeiras para resistir às potências estrangeiras.
Registros
- 1757 — O governo Qing restringe o comércio marítimo ocidental a Guangzhou (sistema de Cantão).
- 1793 — A missão britânica de Macartney não consegue mudar as condições comerciais.
- 1834 — Termina o monopólio da Companhia das Índias Orientais sobre o comércio britânico com a China; lorde Napier entra em conflito com as autoridades Qing.
- 1839 — Lin Zexu chega a Guangzhou (março); mais de 20 mil caixas de ópio são destruídas em Humen (junho); ocorrem confrontos em Kowloon (setembro) e Chuenpi (novembro).
- 1840 — O Parlamento britânico rejeita por pequena margem uma moção de censura à política de guerra (abril); a expedição britânica chega (junho) e toma Zhoushan (julho).
- 1841 — A Convenção de Chuenpi (janeiro) é rejeitada pelos dois lados; os britânicos ocupam a ilha de Hong Kong (26 de janeiro); Guangzhou paga para evitar uma invasão e ocorre o confronto de Sanyuanli (maio); Xiamen e Ningbo são tomadas.
- 1842 — O contra-ataque Qing em Ningbo fracassa (março); os britânicos tomam Xangai e Zhenjiang (junho–julho); o Tratado de Nanquim é assinado (29 de agosto).
- 1843 — O Tratado de Bogue acrescenta a extraterritorialidade e a condição de nação mais favorecida; é publicado o Haiguo tuzhi, de Wei Yuan.
- 1844 — Os Estados Unidos (Tratado de Wangxia) e a França (Tratado de Whampoa) assinam acordos semelhantes com a China.
- 1856 — Começa a Segunda Guerra do Ópio; ela termina em 1860 com novas concessões e a legalização das importações de ópio.
- 1997 — Hong Kong volta à soberania chinesa.
Glossário
- Império Qing
- Última dinastia imperial da China (1644–1912), fundada pelos manchus.
- Caixa de ópio
- Unidade usada no comércio; uma caixa continha cerca de 60 kg de ópio.
- Cohong
- Associação de comerciantes chineses autorizados em Guangzhou que detinham a exclusividade do comércio com os ocidentais.
- Feitorias
- Depósitos e residências dos comerciantes estrangeiros fora das muralhas de Guangzhou, conhecidos como as Treze Feitorias.
- Comissário imperial
- Funcionário que recebia poderes especiais do imperador para cumprir uma tarefa específica, como Lin Zexu recebeu para combater o ópio.
- Indenização
- Pagamento que um Estado é obrigado a fazer a outro, geralmente após perder uma guerra.
- Porto aberto por tratado
- Porto aberto ao comércio e à residência de estrangeiros por meio de um tratado, muitas vezes com cônsules estrangeiros e, mais tarde, áreas sob controle estrangeiro.
- Cláusula de nação mais favorecida
- Termo de um tratado que garante a um país qualquer privilégio que o outro conceda posteriormente a um terceiro Estado.
Perguntas e respostas
Por que os britânicos vendiam ópio à China?
Os britânicos compravam muito chá chinês, e o ópio produzido na Índia sob domínio britânico era um dos poucos produtos que vendiam bem na China. Sua venda trazia prata de volta e gerava grandes lucros, embora fosse ilegal na China.
Quem venceu a guerra?
O Reino Unido venceu. Seus navios e canhões eram mais avançados, e suas forças podiam atacar em diferentes pontos do litoral chinês. O governo Qing teve de assinar o Tratado de Nanquim em 1842.
Por que o Reino Unido ficou com Hong Kong?
Os comerciantes britânicos queriam uma base segura sob seu próprio controle. A ilha de Hong Kong tinha um bom porto, e o tratado a cedeu ao Reino Unido. Ela voltou à China em 1997.
A guerra foi realmente causada pelo ópio?
O ópio foi uma questão central, mas não a única. O Reino Unido também queria ampliar o comércio e receber tratamento diplomático igual. A maioria dos historiadores atuais concorda que proteger o comércio de ópio foi um motivo importante.
Todos no Reino Unido apoiavam a guerra?
Não. Críticos no Parlamento, entre eles o jovem Gladstone, consideravam a guerra injusta. O governo escapou de uma moção de censura por apenas nove votos.
Como diferem as memórias chinesa e britânica da guerra?
Na China, ela é lembrada como o início de um século de humilhação e agressões estrangeiras. No Reino Unido, por muito tempo foi vista como uma guerra colonial menor ligada ao comércio, embora historiadores britânicos atuais sejam muito mais críticos.
Até que ponto os números de mortos são confiáveis?
As mortes britânicas em combate estão relativamente bem documentadas. Já as mortes de militares e civis chineses são estimativas, e é difícil contar as mortes causadas por doenças e pela violência contra civis.
Fontes e leituras adicionais
- First Opium War. Wikipedia
- Treaty of Nanking. Wikipedia
- Lin Zexu. Wikipedia
- Canton System. Wikipedia
- Peter C. Perdue, The First Opium War: The Anglo-Chinese War of 1839–1842. MIT Visualizing Cultures
- Julia Lovell, The Opium War: Drugs, Dreams and the Making of China. Picador, 2011
- Stephen R. Platt, Imperial Twilight: The Opium War and the End of China’s Last Golden Age. Alfred A. Knopf, 2018
- Mao Haijian, The Qing Empire and the Opium War: The Collapse of the Heavenly Dynasty. Cambridge University Press, 2016
- Man-houng Lin, China Upside Down: Currency, Society, and Ideologies, 1808–1856. Harvard University Asia Center, 2006
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
