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Para jovens leitores
Há cerca de 1.400 anos, existiam dois grandes impérios no oeste da Ásia. Um era o Império Bizantino, governado a partir de Constantinopla. O outro era o Império Sassânida, que governava as terras onde hoje ficam o Irã e o Iraque. Os dois tinham lutado por muitos anos. Ambos estavam cansados, pobres e enfraquecidos por doenças.
Na mesma época, na Arábia, uma nova religião chamada islã havia unido muitas tribos árabes. Seus líderes, em Medina, eram chamados de califas. Exércitos árabes seguiram para o norte e entraram nas terras dos dois impérios.
O rei persa da época, Isdigerdes III, ainda era um menino quando recebeu a coroa. Seus exércitos perderam grandes batalhas para os árabes: uma em al-Qadisiyyah, perto do rio Eufrates, e outra em Nahavand, nas montanhas Zagros. Os árabes tomaram a capital persa, Ctesifonte, onde havia um palácio com um arco enorme. Isdigerdes fugiu de uma cidade para outra até ser morto perto de Merv, em 651.
Depois da conquista, nem todos os persas se tornaram muçulmanos de uma vez. Durante cerca de duzentos ou trezentos anos, muitos continuaram seguindo sua antiga religião, o zoroastrismo, e pagavam um imposto especial. Aos poucos, a maioria se tornou muçulmana. Mas os persas continuaram falando persa. Mais tarde, um poeta chamado Ferdusi escreveu em persa um grande livro sobre reis e heróis, o Shahnameh.
As pessoas lembram essa história de modos diferentes. Para algumas, ela conta a chegada do islã, que consideram uma grande bênção. Para outras, conta o triste fim de um antigo reino iraniano. Os historiadores procuram entender essas duas visões e examinar com cuidado os relatos antigos.
Em resumo
- Período
- Primeiras incursões em 633; principais campanhas entre 636 e 651; a resistência continuou por décadas em algumas regiões
- Região
- Iraque (Mesopotâmia), planalto iraniano, Cuzistão, Fars, Coração e terras vizinhas
- Lados envolvidos
- O Califado Ortodoxo (a partir de 661, os omíadas) contra o Império Sassânida e seus governantes regionais
- Principais líderes
- Califas Abu Bakr, Omar e Otomão; comandantes Khalid ibn al-Walid, al-Muthanna ibn Haritha e Saad ibn Abi Waqqas; rei sassânida Isdigerdes III e general Rostam Farrokhzad
- Principais batalhas
- Batalha da Ponte (634), al-Qadisiyyah (geralmente datada de 636), queda de Ctesifonte e batalha de Jalula (637), Nahavand (642)
- Fim da dinastia
- Isdigerdes III foi morto perto de Merv em 651
- Mortos e feridos
- Número desconhecido; as primeiras fontes árabes apresentam cifras elevadas e estilizadas, que os historiadores tratam com cautela
- Resultado a longo prazo
- Conversão gradual ao islã ao longo de cerca de três séculos; sobrevivência e renovação da língua persa
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O que foi a conquista muçulmana da Pérsia?
A conquista muçulmana da Pérsia foi uma série de campanhas militares nas quais os exércitos do primeiro Estado islâmico, liderado pelos califas em Medina, derrubaram o Império Sassânida. Os sassânidas governavam o Irã e o Iraque desde o século III d.C. e eram uma das duas grandes potências da Antiguidade Tardia, ao lado do Império Romano do Oriente (Bizantino).
A conquista ocorreu em etapas. Na década de 630, as forças árabes primeiro atacaram e ocuparam partes do sul do Iraque. Depois, venceram uma batalha decisiva em al-Qadisiyyah, tomaram Ctesifonte, a capital sassânida, e, após a Batalha de Nahavand em 642, avançaram pelo planalto iraniano. O último rei sassânida, Isdigerdes III, foi morto em 651.
A conquista militar foi rápida, mas as mudanças sociais e religiosas foram lentas. O Irã passou a fazer parte do califado, porém a maioria de sua população provavelmente só se tornou muçulmana no século IX ou X. A língua persa sobreviveu e, em uma nova forma escrita com caracteres árabes, tornou-se uma das grandes línguas da civilização islâmica.
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Por que o Império Sassânida estava tão vulnerável?
De 602 a 628, sassânidas e bizantinos travaram uma das guerras mais longas e desgastantes do mundo antigo. No início, o rei persa Cosroes II conquistou a Síria, a Palestina e o Egito, mas o imperador bizantino Heráclio contra-atacou e avançou profundamente pelo território persa. Em 628, Cosroes foi deposto e morto por seus próprios nobres.
Seguiram-se vários anos de caos. Em cerca de quatro anos, mais de meia dúzia de governantes chegaram ao poder e o perderam, entre eles duas rainhas, Boran e Azarmidokht. Uma epidemia de peste atingiu o império. Grandes famílias nobres disputavam o poder, e algumas regiões eram controladas apenas de maneira frágil pela corte. Em 632, o jovem Isdigerdes III foi colocado no trono.
Os sassânidas também haviam enfraquecido sua fronteira com o deserto. Durante gerações, os reis árabes lacmidas de al-Hira haviam protegido para a Pérsia a região limítrofe do Iraque. Por volta de 602, porém, Cosroes II depôs e depois matou o último rei lacmida, al-Nu'man III. Pouco depois, provavelmente por volta de 609, tribos árabes derrotaram uma força sassânida em Dhi Qar. A tradição árabe mais tarde recordou esse confronto como um sinal de que o poder persa podia ser vencido.
Na mesma época, a Península Arábica havia sido unida sob o profeta Maomé e, após sua morte em 632, sob o primeiro califa, Abu Bakr, que reprimiu revoltas tribais nas Guerras da Apostasia. Isso criou uma nova força poderosa na fronteira de dois impérios esgotados.
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Quem participou?
Os exércitos conquistadores eram formados principalmente por membros de tribos árabes, organizados pelo governo de Medina sob os califas Abu Bakr (632–634), Omar (634–644) e Otomão (644–656). Seus soldados eram motivados pela nova fé, pela promessa de pagamento e de despojos e pela lealdade tribal. Algumas tribos árabes do Iraque que haviam vivido sob influência sassânida, como os Banu Shayban, aderiram logo no início.
Do lado sassânida estavam o exército real, com sua cavalaria fortemente protegida por armaduras e seus elefantes de guerra, as forças das grandes famílias nobres e os governantes e guarnições regionais. As lealdades nem sempre eram firmes: alguns comandantes persas e membros das elites locais negociaram os termos da rendição, e certas unidades persas, como a cavalaria Asawira, passaram para o lado árabe e se estabeleceram entre os árabes.
Muitos habitantes do Iraque e do Irã não eram persas zoroastristas, mas cristãos de língua aramaica, judeus e membros de outras comunidades. Para alguns deles, a mudança de governantes importava menos do que as condições que conseguiam negociar para obter proteção e pagar impostos.
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A conquista do Iraque (633–638)
Em 633, Khalid ibn al-Walid e o líder local al-Muthanna ibn Haritha conduziram campanhas na região do baixo Eufrates e tomaram a cidade de al-Hira. Khalid foi então enviado à Síria para lutar contra os bizantinos. Em 634, um exército sassânida derrotou os árabes na Batalha da Ponte, mas eles logo se recuperaram.
O califa Omar enviou um exército maior sob o comando de Saad ibn Abi Waqqas. Em al-Qadisiyyah, a sudoeste de al-Hira, os árabes derrotaram o principal exército sassânida, comandado por Rostam Farrokhzad, que morreu na batalha. O confronto geralmente é datado de 636, mas as fontes divergem, e já foram propostas datas entre 635 e 638. Segundo a tradição árabe, o grande estandarte real, o Derafsh Kaviani, foi capturado.
Os árabes então atravessaram o Tigre e tomaram Ctesifonte, a capital sassânida, em 637, apoderando-se de seus imensos tesouros. Isdigerdes fugiu para o leste. Outra vitória, em Jalula, mais tarde em 637, abriu caminho para as montanhas Zagros. Para controlar o Iraque, os conquistadores fundaram novas cidades de guarnição, Baçorá e Cufa, onde soldados árabes e suas famílias se estabeleceram. Essas cidades se tornaram centros da cultura islâmica inicial. Escritores árabes e persas posteriores frequentemente viam nas ruínas do palácio de Ctesifonte uma lição sobre a transitoriedade do poder terreno.
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Nahavand e a conquista do planalto iraniano (639–651)
Em seguida, os árabes conquistaram o Cuzistão, no sudoeste do Irã, onde o general persa Hormuzan resistiu por vários anos antes de se render. Isdigerdes reuniu um novo exército, mas ele foi derrotado em Nahavand, nos Zagros, em 642. A tradição árabe chamou esse triunfo de “vitória das vitórias”, pois, depois dele, os sassânidas já não conseguiam reunir um grande exército real.
Nos anos seguintes, as forças árabes avançaram de cidade em cidade: Hamadã, Isfahan, Rey, Fars, com o antigo centro real de Istakhr, Kerman, Sistão e Coração. Muitas cidades se renderam mediante acordos e prometeram pagar tributos; algumas se revoltaram e foram reconquistadas. Fars e Istakhr, em particular, resistiram intensamente e sofreram grandes perdas quando foram retomadas.
Isdigerdes passou de um lugar a outro, perdendo cada vez mais o apoio dos governadores locais. Em 651, foi morto perto de Merv, no Coração. Segundo uma tradição conhecida, ele foi assassinado por um moleiro em cujo moinho se escondia, possivelmente por ordem do governador local. Seu filho Peroz buscou ajuda da China da dinastia Tang, que lhe concedeu títulos e refúgio, mas a restauração do Império Sassânida nunca ocorreu.
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Depois de 651: fronteiras e resistência
A morte de Isdigerdes não significou que todo o Irã estivesse sob controle firme. Muitas cidades que haviam se rendido mediante acordos se revoltaram quando a primeira guerra civil muçulmana (656–661) desviou a atenção do califado. Elas tiveram de ser conquistadas novamente sob os omíadas. O Coração, com a grande cidade oásis de Merv, tornou-se a base dos exércitos árabes que avançavam para o leste, rumo à Ásia Central. A partir da década de 670, numerosas famílias árabes se estabeleceram ali.
Nas montanhas ao sul do mar Cáspio, o Tabaristão e regiões vizinhas eram governados por dinastias locais — algumas das quais afirmavam descender dos sassânidas. Elas pagavam tributos em certos períodos, mas mantiveram sua independência e sua religião zoroastrista até meados do século VIII e, em alguns vales, por mais tempo. No leste, príncipes locais do Sistão e da região que hoje é o Afeganistão resistiram por décadas.
O herdeiro sassânida Peroz e, mais tarde, seu filho permaneceram por anos na corte Tang e em sua fronteira ocidental. Por volta de 661, a China Tang criou para Peroz um comando militar nominal chamado “persa”, mas ele nunca se tornou uma base efetiva para a reconquista. A história deles mostra como a queda dos sassânidas foi sentida por toda a Eurásia, até Chang'an, onde refugiados, mercadores e sacerdotes persas formaram comunidades.
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Tratados de rendição, violência e vida cotidiana
Muitas cidades e regiões passaram ao domínio muçulmano por meio de acordos (sulh), sem serem tomadas de assalto. Esses tratados geralmente garantiam a vida, os bens e a religião dos habitantes em troca de tributos e impostos. Os lugares conquistados pela força podiam sofrer mortes, escravização e confisco. As fontes relatam os dois tipos de resultado, às vezes em versões diferentes sobre a mesma cidade.
Não é possível estabelecer o número de mortos e feridos. Os primeiros relatos árabes costumam apresentar números elevados e simbólicos para as batalhas, enquanto tradições persas posteriores ressaltam a destruição e a humilhação. Os historiadores concordam que a conquista causou mortes, escravização de prisioneiros e deportações. Também observam que muitos agricultores e moradores das cidades seguiram vivendo sob novos governantes, muitas vezes com os mesmos proprietários de terras persas (dehqans) cobrando os impostos.
Zoroastristas, cristãos e judeus geralmente eram reconhecidos como pessoas protegidas (dhimmis): pagavam um imposto individual (jizia) e conservavam suas religiões. Com o tempo, pressões sociais e econômicas, assim como a adesão sincera ao islã, estimularam a conversão. Mais tarde, algumas comunidades zoroastristas migraram. Segundo a tradição, os antepassados dos parses da Índia deixaram o Irã alguns séculos após a conquista, embora a data e as circunstâncias sejam debatidas.
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Consequências de curto e longo prazo
Em pouco tempo, a conquista duplicou os recursos do califado. A riqueza do Iraque e do Irã, assim como a tradição administrativa sassânida, ajudou a sustentar o novo Estado islâmico. Os primeiros califas usaram moedas de estilo sassânida, muitas vezes com a imagem de um rei sassânida e o acréscimo de uma breve frase em árabe, e mantiveram muitos funcionários e procedimentos persas.
O Irã não foi simplesmente absorvido. Em áreas montanhosas como o Tabaristão, perto do mar Cáspio, dinastias locais conservaram sua independência por mais de um século. Convertidos persas, conhecidos como mawali (clientes), se ressentiam dos privilégios árabes, e muitos apoiaram a Revolução Abássida de 747–750, iniciada no Coração. Sob os abássidas, cuja capital, Bagdá, ficava perto das ruínas de Ctesifonte, as ideias persas sobre a realeza e a administração influenciaram fortemente o califado.
Na cultura, o resultado mais marcante foi a sobrevivência do persa. A partir dos séculos IX e X, o persa moderno, escrito com caracteres árabes e contendo muitas palavras árabes, tornou-se uma língua literária em cortes como a dos samânidas, em Bucara. O poeta Ferdusi concluiu o Shahnameh por volta de 1010, recontando a história lendária e sassânida do Irã e terminando com a conquista árabe. O Irã tornou-se um importante centro de estudos islâmicos e, mais tarde, o principal centro do islã xiita.
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Como a conquista é lembrada
Nos primeiros escritos históricos árabes, a conquista da Pérsia fazia parte das futuh — as “aberturas” de terras ao islã — e era narrada como um sinal do favor divino. Histórias de guerreiros heroicos, da simplicidade religiosa vencendo o luxo persa e de enviados persas admirados com a fé árabe passaram a integrar a tradição islâmica.
Na memória literária persa, o acontecimento foi uma tragédia. O Shahnameh apresenta a queda dos sassânidas como o fim de uma era e inclui uma famosa carta na qual o general Rostam lamenta o que está por vir. Nos séculos IX e X, o movimento Shu'ubiyya defendeu a dignidade das culturas não árabes, sobretudo a persa, dentro do islã. O nacionalismo iraniano moderno, no fim do século XIX e no século XX, especialmente sob a monarquia Pahlavi, muitas vezes idealizou o Irã pré-islâmico e descreveu a conquista como um desastre nacional. Já as perspectivas islâmicas — predominantes no Irã desde 1979 — destacam que os iranianos adotaram o islã e o enriqueceram.
Essa memória também foi usada com fins políticos em outros lugares. Durante a Guerra Irã-Iraque (1980–1988), o governo iraquiano de Saddam Hussein chamou sua guerra contra o Irã de uma nova “Qadisiyyah”, usando a antiga vitória como propaganda nacionalista árabe. Os historiadores alertam para o risco de projetar no século VII ideias modernas de nações — “árabes” contra “persas” —, pois, naquela época, as identidades eram moldadas pela religião, pela tribo, pela região e pela posição social.
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As fontes primárias e seus problemas
A maior parte da narrativa que conhecemos vem de histórias escritas em árabe dois séculos ou mais após os acontecimentos, sobretudo a grande História dos Profetas e Reis, de al-Tabari (início do século X), e Futuh al-Buldan (Conquistas das Terras), de al-Baladhuri (século IX). Essas obras reúnem relatos orais e escritos anteriores, cada um com uma cadeia de transmissores. Muitos relatos sobre o Iraque presentes em al-Tabari vêm de Sayf ibn Omar, cujas narrativas são vívidas, mas foram criticadas por estudiosos modernos por exageros e parcialidade tribal.
Fontes não muçulmanas escritas mais perto dos acontecimentos são raras, mas valiosas. A História armênia atribuída a Sebeos, escrita na segunda metade do século VII, apresenta o primeiro grande relato das conquistas feito por alguém de fora. Uma breve crônica siríaca conhecida como Crônica do Cuzistão, de aproximadamente a década de 660, também menciona os combates. Textos zoroastristas escritos mais tarde em persa médio preservam lamentos apocalípticos sobre a perda da realeza iraniana.
Os vestígios materiais ajudam a avaliar os textos: moedas (inclusive as emissões árabe-sassânidas), selos, papiros e evidências arqueológicas de cidades como Ctesifonte, Cufa e Istakhr. Eles mostram tanto a continuidade da administração e da vida urbana quanto sinais de perturbação.
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Debates entre historiadores
Como um Estado jovem derrotou tão rapidamente um império antigo? Entre as explicações estão o esgotamento sassânida após a guerra contra Bizâncio, a peste e os conflitos internos; a mobilidade e a motivação dos exércitos árabes; a liderança competente vinda de Medina; e a disposição das elites locais para negociar. Em The Early Islamic Conquests (1981), Fred Donner destacou o papel do novo Estado islâmico na organização das tribos, enquanto The Great Arab Conquests (2007), de Hugh Kennedy, apresenta uma narrativa que leva em conta as perspectivas árabe e iraniana.
Em Decline and Fall of the Sasanian Empire (2008), Parvaneh Pourshariati argumenta que o império era, na prática, uma confederação na qual grandes famílias nobres partas dividiam o poder com a dinastia sassânida. Segundo ela, os conflitos dessas famílias com a corte e seus acordos separados com os árabes ajudam a explicar boa parte do colapso. A autora também propõe uma cronologia revisada, que situa a conquista do Iraque mais cedo. Seus argumentos foram influentes, mas também são debatidos, especialmente no que diz respeito ao uso das fontes.
Sobre a mudança religiosa, Richard Bulliet, em Conversion to Islam in the Medieval Period (1979), usou a difusão de nomes muçulmanos em dicionários biográficos para sugerir que a conversão no Irã foi lenta no início e se acelerou no século IX, de modo que uma grande maioria muçulmana só teria surgido por volta do século X ou XI. Seu método foi criticado, mas a ideia geral de uma conversão gradual é amplamente aceita. Os estudiosos também debatem até que ponto as primeiras narrativas árabes da conquista são registros históricos ou construções literárias e jurídicas posteriores.
Batalhas (12)
- Battle of Ullais633 d.C.
- Battle of al-Anbar633 d.C.
- Battle of Ayn al-Tamr633 d.C.
- Batalha de Cadésia636 d.C.
- Battle of Burs636 d.C.
- Battle of Jalula637 d.C.
- Cerco de Ctesifonte (637)637 d.C.
- Siege of Shushtar641–642 d.C.
- Batalha de Niavende642 d.C.
- Siege of Gundishapur642 d.C.
- Batalha de Nixapur652 d.C.
- Siege of Herat652 d.C.
Ideias principais
- Esgotamento imperial
- A longa guerra entre bizantinos e sassânidas, a peste e as crises sucessórias enfraqueceram o Estado sassânida pouco antes das campanhas árabes.
- Futuh (aberturas)
- Termo árabe para as conquistas, que as apresenta como a abertura de terras ao islã.
- Rendição por tratado
- Muitos lugares aceitaram o domínio muçulmano por meio de acordos que garantiam a vida, os bens e a religião dos habitantes em troca de tributos.
- Pessoas protegidas
- Zoroastristas, cristãos e judeus passaram a ser dhimmis: pagavam um imposto individual e mantinham suas religiões sob o domínio muçulmano.
- Conversão gradual
- O Irã tornou-se majoritariamente muçulmano ao longo de aproximadamente três séculos, e não no momento da conquista.
- Continuidade persa
- A língua persa, as práticas administrativas e as ideias sobre a realeza sobreviveram e influenciaram profundamente a civilização islâmica.
- Memória disputada
- A conquista é lembrada tanto como a chegada do islã quanto como a queda do antigo Irã e foi usada na propaganda política moderna.
Registros
- 602 d.C. — Começa a última grande guerra entre os impérios Bizantino e Sassânida (até 628).
- 628 d.C. — Cosroes II é deposto e morto; seguem-se anos de crise sucessória sassânida.
- 632 d.C. — Morre o profeta Maomé; Abu Bakr torna-se califa; Isdigerdes III é coroado.
- 633 d.C. — Khalid ibn al-Walid e al-Muthanna fazem campanhas no sul do Iraque; al-Hira é tomada.
- 634 d.C. — Vitória sassânida na Batalha da Ponte; Omar torna-se califa.
- c. 636 d.C. — Batalha de al-Qadisiyyah; Rostam Farrokhzad é morto (a data é debatida: 635–638).
- 637 d.C. — Os árabes tomam Ctesifonte e vencem em Jalula.
- c. 638 d.C. — São fundadas as cidades de guarnição de Baçorá e Cufa.
- 642 d.C. — Batalha de Nahavand, a “vitória das vitórias”.
- c. 650 d.C. — Fars e Istakhr são finalmente submetidas após revoltas.
- 651 d.C. — Isdigerdes III é morto perto de Merv; fim da dinastia sassânida.
- c. 1010 — Ferdusi conclui o Shahnameh, que termina com a conquista árabe.
Glossário
- Império Sassânida
- Império iraniano governado pela dinastia sassânida de 224 a 651 d.C., com capital em Ctesifonte, no Iraque.
- Califa
- “Sucessor”: líder da comunidade muçulmana após o profeta Maomé.
- Califas ortodoxos
- Os quatro primeiros califas — Abu Bakr, Omar, Otomão e Ali —, considerados “bem guiados” na tradição sunita.
- Zoroastrismo
- Antiga religião iraniana associada ao profeta Zaratustra; era a religião oficial dos sassânidas.
- Dehqan
- Membro da classe persa de proprietários de terras que muitas vezes conservou o poder local e cobrou impostos após a conquista.
- Jizia
- Imposto individual pago por súditos não muçulmanos protegidos sob o domínio islâmico.
- Amsar (cidades de guarnição)
- Novas cidades, como Baçorá e Cufa, fundadas para abrigar os exércitos conquistadores.
- Mawali
- Convertidos não árabes ao islã ligados a tribos árabes como clientes na sociedade islâmica inicial.
- Shu'ubiyya
- Movimento literário dos séculos IX e X que defendia a igualdade de posição dos muçulmanos não árabes, especialmente os persas.
- Ctesifonte
- Capital sassânida às margens do Tigre, perto da atual Bagdá, famosa pelo grande arco de tijolos de seu palácio, o Taq-e Kasra, que ainda existe em parte.
Perguntas e respostas
Todos os persas se tornaram muçulmanos logo após a conquista?
Não. Durante muito tempo, a maioria continuou seguindo suas antigas religiões, especialmente o zoroastrismo. Os historiadores acreditam que os muçulmanos só se tornaram maioria no Irã depois de dois ou três séculos.
Por que o poderoso Império Persa foi derrotado?
Ele acabara de travar uma guerra muito longa contra os bizantinos, sofrera com a peste e tivera vários governantes disputando o trono. Os exércitos árabes eram rápidos, unidos e muito motivados, e muitos líderes locais preferiram negociar a lutar até o fim.
O que aconteceu com o último rei persa?
Isdigerdes III fugiu de uma cidade para outra durante anos. Em 651, foi morto perto de Merv, no atual Turcomenistão. Uma história famosa diz que um moleiro o matou para roubar suas joias ou por ordem de um governador.
Por que a língua persa sobreviveu, enquanto muitas outras regiões passaram a falar árabe?
O Irã era extenso, tinha uma forte tradição literária e administrativa, e suas elites locais continuaram poderosas. A partir do século IX, cortes do leste do Irã patrocinaram a poesia em persa moderno, que se tornou uma língua de prestígio em grande parte da Ásia.
Os relatos árabes das batalhas são confiáveis?
Eles preservam muitos nomes e acontecimentos reais, mas foram escritos muito tempo depois e incluem histórias de heroísmo, questões jurídicas e tradições tribais. Os números e discursos são especialmente duvidosos. Os historiadores os comparam com fontes armênias e siríacas, moedas e vestígios arqueológicos.
A cronologia revisada de Pourshariati é aceita?
Ela é debatida. Muitos estudiosos valorizam a atenção que a autora dá ao papel das grandes famílias nobres, mas a datação mais antiga que propõe para a conquista do Iraque depende de interpretações contestadas das fontes e não substituiu a cronologia convencional.
Como a conquista é lembrada no Irã hoje?
As opiniões variam. Alguns iranianos a lembram como a chegada do islã, que depois passaram a praticar à sua maneira; outros, especialmente em escritos nacionalistas, a veem como o fim trágico do antigo Irã. Muitas pessoas têm os dois sentimentos ao mesmo tempo.
Para onde foi a família real sassânida?
Alguns de seus membros foram capturados e, segundo a tradição, casaram-se com membros de famílias árabes. Peroz, filho de Isdigerdes, fugiu para o leste e viveu sob a proteção da China da dinastia Tang, que lhe concedeu títulos. Refugiados persas se estabeleceram em cidades chinesas, mas a dinastia sassânida nunca voltou ao poder.
Fontes e leituras adicionais
- Muslim conquest of Persia. Wikipedia
- 이슬람의 페르시아 정복. 위키백과
- Battle of al-Qadisiyyah. Wikipedia
- Yazdegerd III. Wikipedia
- Islamization of Iran. Wikipedia
- Al-Tabari. Wikipedia
- Sebeos. Wikipedia
- Hugh Kennedy, The Great Arab Conquests: How the Spread of Islam Changed the World We Live In. Weidenfeld & Nicolson, 2007
- Parvaneh Pourshariati, Decline and Fall of the Sasanian Empire: The Sasanian-Parthian Confederacy and the Arab Conquest of Iran. I.B. Tauris, 2008
- Richard W. Bulliet, Conversion to Islam in the Medieval Period: An Essay in Quantitative History. Harvard University Press, 1979
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.