Guerra

Guerra do Paraguai (Guerra da Tríplice Aliança)

Guerra de la Triple Alianza · Guerra do Paraguai · Guerra Guasu

1864–1870 ·

Em uma frase

De 1864 a 1870, o Paraguai enfrentou uma aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai na guerra entre Estados mais mortífera da história da América Latina. Ao final, o país estava ocupado, havia perdido territórios e uma parcela muito grande de sua população.

Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.

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Para jovens leitores

Há cerca de 160 anos, quatro países do centro da América do Sul entraram em guerra. O Paraguai é um país pequeno, sem litoral. Para chegar ao mar, seus barcos precisam descer grandes rios. Seus vizinhos eram o Brasil, um enorme império, e a Argentina e o Uruguai, que controlavam a saída desses rios para o mar.

O governante do Paraguai, Francisco Solano López, temia que o Brasil e a Argentina estivessem ficando poderosos demais. Quando o Brasil enviou soldados ao Uruguai em 1864, López disse que isso prejudicava o equilíbrio da região. Ele atacou o Brasil e, pouco depois, também a Argentina. Brasil, Argentina e Uruguai então fizeram um acordo contra o Paraguai chamado Tríplice Aliança.

A guerra durou mais de cinco anos. Muitas batalhas aconteceram em pântanos e florestas perto dos rios. Os soldados sofreram com enchentes, fome e doenças graves, como a cólera. O Paraguai construiu uma fortaleza chamada Humaitá e resistiu por muito tempo, mas os aliados tinham muito mais soldados e navios.

No fim, o Paraguai estava quase todo destruído. López continuou lutando mesmo quando precisou mandar meninos e idosos para as batalhas. Ele morreu em 1870. Tantos homens paraguaios morreram que, depois da guerra, as mulheres fizeram grande parte do trabalho de reconstrução do país.

Ninguém sabe exatamente quantas pessoas morreram. Os historiadores discutem os números, mas concordam que o Paraguai perdeu uma parte enorme de sua população. A guerra é lembrada de maneiras bem diferentes no Paraguai, no Brasil, na Argentina e no Uruguai.

Em resumo

Período
De novembro de 1864 (apreensão de um navio brasileiro pelo Paraguai) a 1º de março de 1870 (morte de Solano López em Cerro Corá)
Local
Paraguai, província brasileira de Mato Grosso, província argentina de Corrientes e sul do Brasil; sobretudo ao longo dos rios Paraguai e Paraná
Partes em conflito
Paraguai contra a Tríplice Aliança formada pelo Império do Brasil, pela República Argentina e pelo Uruguai
Nomes
Guerra da Tríplice Aliança (países de língua espanhola), Guerra do Paraguai (Brasil), Guerra Grande ou Guerra Guasu (Paraguai)
Personagens centrais
Francisco Solano López; imperador Pedro II, duque de Caxias, conde d’Eu; Bartolomé Mitre; Venancio Flores
Mortes
Número muito incerto; costuma-se citar um total de 150 mil a 300 mil ou mais. As estimativas da perda populacional do Paraguai vão de menos de 20% a cerca de 60% a 69%.
Resultado
Vitória dos aliados; Paraguai ocupado até 1876 e perda de cerca de 40% do território que reivindicava para o Brasil e a Argentina

Fácil

O que foi a Guerra do Paraguai?

A Guerra do Paraguai ocorreu de 1864 a 1870, entre o Paraguai, de um lado, e o Brasil, a Argentina e o Uruguai, de outro. Ela também é chamada de Guerra da Tríplice Aliança, em referência ao tratado assinado pelos três aliados em 1865. No Brasil, é conhecida como Guerra do Paraguai; no Paraguai, também é chamada de Guerra Grande ou, em guarani, Guerra Guasu.

Os historiadores geralmente a descrevem como a guerra entre Estados mais mortífera da história da América Latina. Ela envolveu centenas de milhares de soldados, cercos prolongados, grandes batalhas fluviais e alguns dos primeiros navios de guerra encouraçados usados na América do Sul. Para o Paraguai, o resultado foi uma catástrofe: seu exército foi destruído, grande parte da população morreu, a capital foi ocupada e o país perdeu terras que reivindicava.

A guerra ocorreu numa região marcada por grandes rios. Os rios Paraná e Paraguai correm para o sul em direção ao Rio da Prata, o amplo estuário entre Buenos Aires e Montevidéu. Quem controlava esses rios controlava o comércio do Paraguai, do interior da Argentina e da província brasileira de Mato Grosso, à qual era mais fácil chegar de barco pelo Paraguai.

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Fácil

Contexto: um pequeno país sem litoral entre gigantes

O Paraguai tornou-se independente da Espanha em 1811. Sob o governo do ditador José Gaspar Rodríguez de Francia, manteve-se isolado dos vizinhos por décadas. Seu sucessor, Carlos Antonio López, abriu o país, trouxe engenheiros estrangeiros, construiu uma ferrovia, uma fundição de ferro e estaleiros, e fortaleceu o exército. Quando morreu, em 1862, seu filho Francisco Solano López tornou-se presidente. Na sociedade paraguaia, o Estado possuía grande parte das terras e controlava o comércio, e a maioria das pessoas falava guarani, além do espanhol ou em vez dele.

Seus vizinhos eram muito maiores. O Brasil era um império governado pelo imperador Pedro II, com um território enorme e uma economia ainda baseada na escravidão. A Argentina começava a sair de décadas de guerras civis entre Buenos Aires e as províncias, e o presidente Bartolomé Mitre tentava unificar o país. O Uruguai, pequeno país entre o Brasil e a Argentina, estava dividido entre dois partidos, os Blancos e os Colorados, que frequentemente lutavam entre si com a ajuda dos vizinhos.

Também havia antigas disputas de fronteira. Paraguai e Brasil discordavam sobre terras ao norte, enquanto Paraguai e Argentina disputavam terras no Chaco e em Misiones. O Paraguai também queria a livre navegação pelos rios para que seu comércio pudesse chegar ao mar.

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Fácil

Como a guerra começou

O estopim veio do Uruguai. Em 1864, o líder colorado Venancio Flores rebelou-se contra o governo blanco uruguaio. O Brasil, que afirmava que criadores de gado brasileiros eram maltratados no Uruguai, apoiou Flores, assim como o governo argentino. Os Blancos buscaram ajuda no Paraguai. Solano López advertiu o Brasil de que uma invasão do Uruguai ameaçaria o equilíbrio de poder na região. Mesmo assim, tropas brasileiras entraram no Uruguai em outubro de 1864.

López reagiu em novembro de 1864, apreendendo o vapor brasileiro Marquês de Olinda no rio Paraguai. Em dezembro, seu exército invadiu Mato Grosso. Em seguida, pediu à Argentina permissão para atravessar a província de Corrientes e chegar ao Brasil e ao Uruguai. Quando Mitre recusou, o Paraguai declarou guerra à Argentina e, em abril de 1865, ocupou a cidade de Corrientes. Enquanto isso, Flores havia chegado ao poder no Uruguai com ajuda brasileira.

Em 1º de maio de 1865, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança. O tratado estabelecia que os aliados não fariam a paz enquanto López permanecesse no poder e, em cláusulas secretas, planejava como seriam redefinidas as fronteiras disputadas do Paraguai. Quando o governo britânico publicou o texto secreto em 1866, muitas pessoas na América Latina e na Europa ficaram chocadas.

Os motivos que levaram López à guerra ainda são debatidos. Alguns historiadores o veem como um governante ambicioso que superestimou seu exército e queria transformar o Paraguai em uma potência regional. Outros destacam que ele tinha razões reais para temer que o Brasil e a Argentina dominassem o Uruguai e, depois, o Paraguai. A maioria concorda que todos os lados cometeram graves erros de cálculo: López esperava uma ajuda que nunca veio dos Blancos uruguaios e das províncias argentinas contrárias a Mitre, enquanto os aliados esperavam uma guerra curta.

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Intermediário

O desenrolar da guerra (1864–1870)

A primeira fase (1864–1865) foi uma ofensiva paraguaia. O Paraguai tomou partes de Mato Grosso e avançou sobre Corrientes e o sul do Brasil. Mas, em 11 de junho de 1865, a Marinha brasileira destruiu grande parte da frota paraguaia na Batalha do Riachuelo, no rio Paraná. Em setembro de 1865, um exército paraguaio cercado em Uruguaiana, no sul do Brasil, rendeu-se. A partir daí, o Paraguai passou à defensiva.

Na segunda fase (1866–1868), os aliados invadiram o Paraguai. Eles atravessaram o Paraná em abril de 1866 e lutaram em Tuyutí em 24 de maio de 1866, numa das maiores batalhas já travadas na América do Sul, que terminou com pesadas perdas paraguaias. Mas, em 22 de setembro de 1866, um ataque aliado às trincheiras de Curupayty fracassou de forma desastrosa, causando milhares de baixas entre os aliados e pouquíssimas entre os paraguaios. Seguiu-se um longo impasse nos pântanos ao redor da fortaleza de Humaitá, que protegia o rio Paraguai. A cólera e outras doenças mataram um grande número de soldados dos dois lados. Mitre deixou a frente de batalha para enfrentar revoltas em seu país, e o marechal brasileiro Luís Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias, assumiu o comando aliado.

Em fevereiro de 1868, encouraçados brasileiros conseguiram passar por Humaitá, e a fortaleza foi abandonada mais tarde naquele ano. Em dezembro de 1868, Caxias liderou a campanha conhecida como Dezembrada, que destruiu a maior parte do exército paraguaio restante em batalhas em Itororó, Avaí e Lomas Valentinas. As tropas aliadas ocuparam a capital, Assunção, em janeiro de 1869, e foi instalado um governo provisório apoiado pelos aliados.

López recusou-se a se render. Recuou para as colinas e florestas do interior com um novo exército que incluía muitos meninos, idosos e soldados feridos. O comando brasileiro passou a Gastão de Orléans, conde d’Eu e genro do imperador Pedro II. Em 16 de agosto de 1869, em Acosta Ñu (Campo Grande), forças paraguaias formadas em grande parte por crianças e adolescentes foram derrotadas. A fase final tornou-se uma perseguição pelo norte do Paraguai, até que tropas brasileiras encontraram e mataram López em Cerro Corá, em 1º de março de 1870.

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Intermediário

Soldados, civis e a guerra longe da frente de batalha

O Paraguai mobilizou quase toda a sua população masculina. Os exércitos aliados eram grandes, mas vinham de sociedades muito diferentes. O Brasil recrutou os “Voluntários da Pátria” e depois recorreu ao recrutamento forçado; alguns homens escravizados foram libertados para servir, às vezes no lugar dos filhos de seus senhores. Muitos soldados brasileiros eram negros ou mestiços, e seu serviço militar mais tarde influenciou os debates sobre a escravidão no Brasil. Na Argentina, a guerra era impopular em várias províncias, e alguns recrutas se rebelavam ou desertavam.

Para os civis paraguaios, a guerra atingiu todos os aspectos da vida. O governo retirou pessoas das áreas para onde os exércitos inimigos avançavam. Mulheres, crianças e idosos acompanharam o exército ou foram obrigados a se deslocar para o interior, onde muitos morreram de fome e doenças. As mulheres que acompanharam o exército ou deixaram suas casas com o governo ficaram conhecidas como residentas. Mulheres acusadas de deslealdade, muitas vezes parentes de supostos traidores, foram enviadas ao exílio dentro do país como destinadas, e muitas morreram. As mulheres também cultivaram alimentos, produziram suprimentos e cuidaram dos feridos.

Em 1868, em San Fernando, López convenceu-se de que se formava uma conspiração contra ele. Centenas de pessoas, incluindo seus próprios irmãos, altos funcionários e estrangeiros, foram torturadas e executadas após julgamentos apressados. Os historiadores discordam sobre a existência de uma conspiração real; a maioria vê os expurgos como sinal da paranoia do regime sob pressão extrema.

As tropas aliadas também cometeram atos de violência contra civis, sobretudo na campanha final. A tradição paraguaia recorda, por exemplo, o incêndio de um hospital de campanha em Piribebuy, em agosto de 1869. Os detalhes de episódios como esse são contestados, mas não há dúvida de que o último ano da guerra foi brutal para a população paraguaia.

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Intermediário

Quantas pessoas morreram? Um problema demográfico

O número de mortes é uma das questões mais debatidas sobre a guerra. O principal problema é que ninguém sabe quantas pessoas viviam no Paraguai em 1864. Uma antiga estimativa de 1,3 milhão é hoje rejeitada. As estimativas modernas para a população antes da guerra vão de cerca de 300 mil a aproximadamente 450 mil habitantes, embora algumas estimativas recentes sejam mais altas.

Por isso, as estimativas das perdas paraguaias variam enormemente. A historiadora Vera Blinn Reber argumentou, em 1988, que o Paraguai perdeu uma parcela relativamente pequena de sua população, de aproximadamente 7% a 18,5%. Thomas Whigham e Barbara Potthast, usando um censo de 1870–1871 redescoberto pouco antes, argumentaram em 1999 que o Paraguai perdeu cerca de 60% a 69% de sua população. Outros estudiosos propuseram números intermediários, em torno de 40% a 50%. A maioria das mortes foi causada por doenças, fome e exaustão, e não por combates.

As perdas dos aliados também são incertas. O Brasil provavelmente perdeu dezenas de milhares de homens, a maioria por doenças; Argentina e Uruguai tiveram perdas menores em números absolutos. No total, costuma-se estimar que a guerra causou entre 150 mil e 300 mil mortes ou mais, mas todos esses números devem ser tratados como estimativas com amplas margens de incerteza. Costuma-se dizer que, depois da guerra, as mulheres eram muito mais numerosas que os homens no Paraguai, embora as proporções exatas sejam discutidas.

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Intermediário

Resultados e consequências

Paraguai. O país foi ocupado por tropas brasileiras e argentinas; as forças brasileiras permaneceram até 1876. O Paraguai perdeu para o Brasil terras ao norte do rio Apa e, para a Argentina, territórios em Misiones e no Chaco central. Uma disputa por parte do Chaco entre os rios Pilcomayo e Verde foi submetida à arbitragem do presidente dos Estados Unidos, Rutherford B. Hayes, que em 1878 concedeu a área ao Paraguai; a cidade de Villa Hayes recebeu seu nome em homenagem a ele. Uma nova Constituição foi adotada em 1870, mas o Estado estava falido. Nas décadas seguintes, muitas terras públicas foram vendidas a compradores estrangeiros e paraguaios, e o Paraguai permaneceu por muito tempo entre os países mais pobres da região.

Brasil. A guerra custou muito caro e aumentou a dívida externa brasileira. Também transformou o Exército em uma poderosa instituição nacional, cujos oficiais se sentiam ignorados pelos políticos do Império. A participação de soldados antes escravizados e a comparação com outros países fortaleceram o movimento abolicionista; a Lei do Ventre Livre foi aprovada em 1871, e a escravidão foi completamente abolida em 1888. Em 1889, oficiais do Exército derrubaram a monarquia e proclamaram a República. Os historiadores discutem até que ponto a guerra levou diretamente a essas mudanças, mas a maioria a considera um fator importante.

Argentina e Uruguai. Na Argentina, a guerra ajudou o governo nacional de Buenos Aires a fortalecer sua autoridade sobre as províncias, embora também tenha provocado levantes. A Argentina incorporou Misiones e Formosa. O Uruguai, cujo conflito civil havia iniciado a sequência de acontecimentos, permaneceu sob governos colorados por muitas décadas. Em toda a região, a guerra aprofundou a desconfiança mútua. Mais tarde, Paraguai e Bolívia travaram a Guerra do Chaco (1932–1935) por terras cuja disputa não havia sido resolvida.

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Intermediário

Como cada país se lembra da guerra

No Paraguai, a guerra é a principal tragédia nacional e também uma fonte de orgulho pela resistência. Durante décadas após 1870, López foi amplamente responsabilizado pelo desastre. No início do século XX, escritores nacionalistas, especialmente Juan E. O’Leary, passaram a apresentá-lo como um defensor heroico da nação. Em 1936, um novo governo o declarou oficialmente herói nacional. O ditador Alfredo Stroessner (1954–1989) fez do culto a López parte da ideologia do Estado. O Dia das Crianças no Paraguai é celebrado em 16 de agosto em memória dos meninos soldados de Acosta Ñu, e 1º de março, data da morte de López em Cerro Corá, é o Dia dos Heróis nacionais. Na memória popular, a sobrevivência da língua guarani também é frequentemente associada à guerra.

No Brasil, a guerra foi celebrada por muito tempo como uma grande vitória, e o duque de Caxias tornou-se patrono do Exército Brasileiro. Grandes pinturas históricas, como Combate Naval do Riachuelo, de Victor Meirelles, e Batalha do Avaí, de Pedro Américo, a celebraram. Mais tarde, vozes críticas no Brasil questionaram o custo da guerra e perguntaram se os aliados haviam cometido atrocidades contra civis paraguaios.

Na Argentina, a guerra provocou divisões políticas desde o início, pois muitos líderes provinciais se opunham à aliança de Mitre com o Brasil. Mais tarde, alguns historiadores argentinos consideraram a guerra um crime contra um povo que também falava espanhol. O pintor Cándido López, que perdeu o braço direito em Curupayty e aprendeu a pintar com o esquerdo, deixou uma famosa série de cenas de batalha detalhadas. No Uruguai, onde a guerra começou com um conflito civil, ela recebeu menos atenção na memória nacional. Nas últimas décadas, historiadores e governos dos quatro países têm realizado pesquisas conjuntas e iniciativas de reconciliação.

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Avançado

Fontes primárias

Entre as fontes oficiais estão relatórios militares dos aliados, a correspondência de comandantes como Caxias e Mitre, debates parlamentares no Brasil e na Argentina e a correspondência diplomática, incluindo relatórios britânicos e norte-americanos enviados de Assunção e Buenos Aires. O texto publicado do Tratado da Tríplice Aliança é uma fonte essencial para compreender os objetivos de guerra dos aliados. Grande parte da documentação do Estado paraguaio foi perdida ou capturada durante a guerra, e parte dela foi levada ao Brasil; a perda desses arquivos dificulta o estudo do lado paraguaio.

O Paraguai também produziu uma propaganda de guerra marcante. Jornais de trincheira como o Cabichuí, impressos na frente de batalha com gravuras em madeira e textos parcialmente em guarani, mostram como o regime apresentava a guerra aos soldados. Estrangeiros que haviam trabalhado no Paraguai escreveram relatos influentes: o engenheiro inglês George Thompson, que serviu no exército de López, publicou The War in Paraguay (1869), e o farmacêutico George Frederick Masterman, preso durante os expurgos de San Fernando, publicou no mesmo ano um livro de memórias hostil ao regime. O explorador britânico Richard Burton escreveu cartas do lado aliado. Esses relatos são vívidos, mas refletem as experiências e lealdades de seus autores.

As fontes demográficas são especialmente problemáticas. Os levantamentos anteriores à guerra eram incompletos ou pouco confiáveis, e a descoberta dos registros do censo de 1870–1871 usados por Whigham e Potthast não encerrou o debate, pois os historiadores discordam sobre como interpretar sua abrangência e suas lacunas. Fotografias, incluindo as produzidas pela empresa uruguaia Bate & Co., estão entre os primeiros registros fotográficos de guerra da América do Sul e mostram as condições nos acampamentos e campos de batalha.

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Avançado

Historiografia e debates

As primeiras obras históricas refletiam a visão dos vencedores: López era retratado como um tirano sanguinário que levou seu povo à ruína, e os aliados, como libertadores. No Paraguai, por sua vez, a corrente nacionalista “lopista” do início do século XX reabilitou López como defensor da soberania, interpretação que se tornou oficial sob governos militares e durante a ditadura de Stroessner.

A partir das décadas de 1960 e 1970, uma interpretação “revisionista” ganhou grande popularidade na América do Sul. Autores como o argentino León Pomer e o brasileiro Júlio José Chiavenato argumentavam que o Paraguai havia sido um Estado autossuficiente e relativamente igualitário e que o imperialismo britânico teria incentivado a guerra para abrir o país ao capital estrangeiro; Chiavenato a descreveu como genocídio. Essa tese difundiu-se amplamente em livros didáticos e na cultura popular.

Desde a década de 1990, historiadores que pesquisam arquivos de vários países criticam fortemente a tese do imperialismo britânico. Maldita guerra (2002), de Francisco Doratioto, e a história da guerra em vários volumes escrita por Thomas Whigham argumentaram que o conflito resultou principalmente das rivalidades regionais, da formação dos Estados na região do Rio da Prata e das decisões de López e dos líderes aliados; eles encontraram poucas evidências de que a Grã-Bretanha tenha planejado ou impulsionado a guerra. Os estudiosos ainda debatem os objetivos de López, as características do Paraguai antes da guerra, a responsabilidade dos aliados pelas mortes de civis e se o termo genocídio é adequado para descrever o que aconteceu com a população paraguaia.

Pesquisas mais recentes examinam a guerra pela perspectiva da história social, de gênero e cultural: as experiências das mulheres, dos soldados afro-brasileiros e dos povos indígenas do Chaco e de Mato Grosso, o papel das doenças e a construção das memórias nacionais. A questão demográfica continua sendo o exemplo mais visível de como evidências incertas permitem conclusões muito diferentes.

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Batalhas (11)

  1. Batalha Naval do Riachuelo1865
  2. Batalha de Jataí1865
  3. Cerco de Uruguaiana1865
  4. Batalha de Curupaiti1866
  5. Batalha do Tuiuti1866
  6. Batalha de Estero Bellaco1866
  7. Cerco de Humaitá1867–1868
  8. Batalha de Lomas Valentinas1868
  9. Passagem de Humaitá1868
  10. Retirada da Laguna1868
  11. Batalha de Cerro Corá1870

Ideias principais

Equilíbrio de poder na região do Rio da Prata
As rivalidades entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai por fronteiras, rios e influência no Uruguai levaram à guerra.
Objetivo de guerra sem possibilidade de acordo
O Tratado da Tríplice Aliança descartava a paz enquanto López governasse, o que contribuiu para prolongar a guerra e ampliar seus efeitos.
Guerra fluvial
O controle dos rios Paraná e Paraguai, fortalezas como Humaitá e os novos navios encouraçados decidiram grande parte da guerra.
Catástrofe demográfica
O Paraguai perdeu uma parcela muito grande, mas ainda debatida, de sua população, principalmente por doenças e fome.
Formação dos Estados
A guerra fortaleceu os governos centrais e os exércitos no Brasil e na Argentina e contribuiu para o fim da monarquia e da escravidão no Brasil.
Memórias nacionais diferentes
O Paraguai recorda a resistência heroica e a tragédia; no Brasil e na Argentina, as visões passaram da celebração a interpretações mais críticas.
Revisionismo e críticas
A explicação baseada no imperialismo britânico foi popular na década de 1970, mas foi amplamente rejeitada por pesquisas posteriores em arquivos.

Registros

  1. 1862 — Francisco Solano López torna-se presidente do Paraguai.
  2. 1864 — O Brasil intervém no Uruguai (outubro); o Paraguai apreende o Marquês de Olinda (novembro) e invade Mato Grosso (dezembro).
  3. 1865 — O Paraguai ocupa Corrientes (abril); assinatura do Tratado da Tríplice Aliança (1º de maio); Batalha do Riachuelo (11 de junho); rendição em Uruguaiana (setembro).
  4. 1866 — Os aliados invadem o Paraguai; Batalha de Tuyutí (24 de maio); derrota aliada em Curupayty (22 de setembro).
  5. 1868 — Encouraçados brasileiros passam por Humaitá; ocorrem os expurgos de San Fernando; a campanha da Dezembrada destrói o exército paraguaio.
  6. 1869 — Os aliados ocupam Assunção (janeiro); Batalha de Acosta Ñu (16 de agosto).
  7. 1870 — López é morto em Cerro Corá (1º de março); o Paraguai adota uma nova Constituição.
  8. 1876 — Tratado com a Argentina; as últimas tropas brasileiras de ocupação deixam o Paraguai.
  9. 1878 — A arbitragem de Hayes concede parte do Chaco ao Paraguai.
  10. 1888 — A escravidão é abolida no Brasil; a monarquia cai no ano seguinte.

Glossário

Tríplice Aliança
Aliança formada em 1865 por Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai.
Rio da Prata
Estuário dos rios Paraná e Uruguai e a região ao seu redor.
Humaitá
Posição fortificada no rio Paraguai que bloqueou o avanço aliado por mais de dois anos.
Navio encouraçado
Navio de guerra movido a vapor e protegido por placas de ferro.
Blancos e Colorados
Os dois partidos políticos tradicionais do Uruguai, cujo conflito civil desencadeou a guerra.
Residentas
Mulheres paraguaias que acompanharam o exército ou deixaram suas casas durante a guerra e ajudaram a reconstruir o país.
Guarani
Língua indígena muito falada no Paraguai, usada na propaganda de guerra e ainda hoje uma das línguas oficiais do país.
Arbitragem
Forma de resolver uma disputa pedindo a uma parte neutra que tome uma decisão, como ocorreu na decisão de Hayes em 1878.

Perguntas e respostas

Por que ela é chamada de Guerra da Tríplice Aliança?

Porque três países, Brasil, Argentina e Uruguai, formaram uma aliança por meio de um tratado em 1865 para lutar contra o Paraguai.

Crianças realmente lutaram na guerra?

Sim. Na fase final, o Paraguai enviou meninos para as batalhas, especialmente em Acosta Ñu, em 1869. Hoje, o Paraguai os recorda no Dia das Crianças, em 16 de agosto.

Quem começou a guerra?

O Paraguai realizou as primeiras ações militares, atacando o Brasil e depois a Argentina, mas fez isso após a invasão brasileira do Uruguai. Os historiadores avaliam as ambições e os erros de cálculo de López junto com as pressões exercidas por seus vizinhos maiores.

A Grã-Bretanha causou a guerra?

Essa teoria foi popular nas décadas de 1960 e 1970, mas a maioria dos historiadores recentes, que pesquisaram arquivos de vários países, encontra poucas evidências em seu favor e destaca as causas regionais.

Por que as estimativas de mortes paraguaias são tão diferentes?

Porque não se sabe qual era a população antes da guerra, e os dados dos censos que restaram são incompletos. Dependendo das suposições adotadas, as estimativas de perda vão de menos de um quinto a cerca de dois terços da população.

Como a guerra afetou a escravidão no Brasil?

Homens escravizados que serviram na guerra foram libertados, e o Brasil passou a receber críticas por ser um império escravista. A guerra fortaleceu a pressão abolicionista, contribuindo para a Lei do Ventre Livre, de 1871, e a abolição da escravidão, em 1888.

Fontes e leituras adicionais

  1. Paraguayan War. Wikipedia
  2. 파라과이 전쟁. 위키백과
  3. Paraguayan War casualties. Wikipedia
  4. Treaty of the Triple Alliance. Wikipedia
  5. Francisco Solano López. Wikipedia
  6. Battle of Acosta Ñu. Wikipedia
  7. Thomas L. Whigham, The Paraguayan War, Volume 1: Causes and Early Conduct. University of Nebraska Press, 2002
  8. Francisco Doratioto, Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai. Companhia das Letras, 2002
  9. Vera Blinn Reber, The Demographics of Paraguay: A Reinterpretation of the Great War, 1864–70. Hispanic American Historical Review 68, no. 2, 1988
  10. Thomas L. Whigham and Barbara Potthast, The Paraguayan Rosetta Stone: New Insights into the Demographics of the Paraguayan War, 1864–1870. Latin American Research Review 34, no. 1, 1999

Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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