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Para jovens leitores
Há cerca de noventa anos, o Japão era governado por líderes que queriam construir um grande império na Ásia. O Japão já havia transformado a Coreia e Taiwan em colônias e, em 1931, ocupou a Manchúria, no nordeste da China.
Em julho de 1937, um pequeno confronto a tiros perto de uma ponte nos arredores de Pequim virou uma grande guerra. O exército japonês logo ocupou cidades chinesas como Xangai e Nanquim. A China era grande, mas mais pobre, e seu exército tinha menos armas. Mesmo assim, não se rendeu. O governo chinês foi para a cidade de Chongqing, longe do litoral, e continuou lutando.
Quando os soldados japoneses ocuparam Nanquim, em dezembro de 1937, mataram muitos prisioneiros e moradores e fizeram muito mal a mulheres. Esse episódio é chamado de Massacre de Nanquim. Foi um dos acontecimentos mais terríveis do século XX.
Muitos coreanos também participaram dessa história. Na época, a Coreia era governada pelo Japão, que obrigou muitos coreanos a trabalhar e lutar por ele. Mas outros coreanos foram à China para lutar pela liberdade da Coreia. Em 1940, o Governo Provisório da Coreia criou na China o Exército de Libertação da Coreia para combater o Japão.
A guerra durou oito anos e passou a fazer parte da Segunda Guerra Mundial. Milhões de pessoas morreram e dezenas de milhões perderam suas casas. Ela terminou quando o Japão se rendeu, em agosto de 1945, e a Coreia se libertou do domínio japonês. Pessoas na China, no Japão e na Coreia ainda se lembram muito dessa guerra e às vezes discordam sobre como contar sua história.
Em resumo
- Datas
- 7 de julho de 1937 (Incidente da Ponte Marco Polo) – 9 de setembro de 1945 (rendição em Nanquim); as histórias oficiais chinesas hoje contam uma “guerra de catorze anos” iniciada em 1931
- Local
- Leste, norte, centro e sul da China, Manchúria; operações relacionadas na Birmânia
- Beligerantes
- Império do Japão (com regimes colaboracionistas como Manchukuo e o governo de Wang Jingwei) contra a República da China (governo nacionalista e forças comunistas), posteriormente apoiada pela União Soviética, pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha
- Principais acontecimentos
- Batalha de Xangai em 1937, Massacre de Nanquim em 1937–1938, Taierzhuang e Wuhan em 1938, bombardeios de Chongqing em 1938–1943, Pearl Harbor em 1941, Operação Ichi-Go em 1944
- Mortes
- As mortes de chineses são geralmente estimadas em 14 a 20 milhões ou mais (militares e civis); as mortes de militares japoneses na China, em cerca de 450 mil a 700 mil; todos os números são incertos
- Deslocamento
- Dezenas de milhões de refugiados, frequentemente estimados em 80 a 100 milhões
- Contexto coreano
- A Coreia, sob domínio colonial japonês, foi mobilizada para a guerra; o Governo Provisório da Coreia, sediado em Chongqing, fundou o Exército de Libertação da Coreia (1940)
- Resultado
- Rendição japonesa em agosto–setembro de 1945; retorno de Taiwan à China; libertação da Coreia; retomada da guerra civil chinesa
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O que foi a Segunda Guerra Sino-Japonesa?
A Segunda Guerra Sino-Japonesa foi o conflito entre o Império do Japão e a República da China que começou em julho de 1937 e terminou com a rendição japonesa em 1945. É chamada de “segunda” porque o Japão e a China da dinastia Qing haviam travado a Primeira Guerra Sino-Japonesa em 1894–1895. Na China, é conhecida como Guerra de Resistência contra o Japão (Kangri zhanzheng); no Japão, era oficialmente chamada de “Incidente da China” durante a guerra e hoje costuma ser chamada de Guerra Japão–China (Nitchū sensō).
Foi a maior guerra da história da Ásia. Por mais de quatro anos, de 1937 a dezembro de 1941, a China lutou contra o Japão praticamente sozinha. Depois que o Japão atacou Pearl Harbor e as colônias britânicas e holandesas em dezembro de 1941, o conflito passou a fazer parte da Segunda Guerra Mundial, com a China lutando ao lado dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da União Soviética.
Para a China, a guerra foi uma catástrofe: milhões de pessoas morreram, cidades foram bombardeadas e dezenas de milhões se tornaram refugiadas. Ela também transformou a política chinesa, ajudando o Partido Comunista a crescer até se tornar a força que venceu a guerra civil em 1949. Para a Coreia, então colônia japonesa, a guerra significou uma dura mobilização interna e uma luta armada pela independência no exterior.
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Contexto e causas
Desde o fim do século XIX, o Japão havia se tornado uma potência industrial e imperial. Tomou Taiwan da China em 1895, obteve direitos no sul da Manchúria após a Guerra Russo-Japonesa de 1904–1905 e anexou a Coreia em 1910. Em 1915, impôs à China as Vinte e Uma Exigências para ampliar sua influência. Muitos líderes japoneses consideravam a China, especialmente a Manchúria, rica em recursos, essencial para a segurança e a economia do Japão.
Enquanto isso, a China estava dividida. Após a queda da dinastia Qing, em 1912, chefes militares disputaram o poder até que o Partido Nacionalista (Guomindang), liderado por Chiang Kai-shek, unificou grande parte do país em 1928. Os nacionalistas então travaram uma violenta guerra civil contra o Partido Comunista da China. Em 18 de setembro de 1931, oficiais do Exército de Kwantung, do Japão, provocaram uma explosão em uma ferrovia perto de Shenyang (Mukden) e usaram o episódio como pretexto para ocupar toda a Manchúria. Ali, o Japão criou em 1932 o Estado fantoche de Manchukuo, chefiado por Puyi, o antigo imperador Qing. Quando a Liga das Nações criticou a ação, o Japão deixou a organização em 1933.
A pressão japonesa sobre o norte da China aumentou nos anos seguintes. Em dezembro de 1936, Chiang foi detido por dois de seus próprios generais no Incidente de Xi'an e pressionado a parar de combater os comunistas e formar uma frente unida contra o Japão. Em 1937, a opinião pública chinesa exigia resistência, enquanto, no Japão, o exército tinha grande poder político e muitos líderes acreditavam que a China poderia ser derrotada rapidamente.
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Quem lutou?
O Japão lutou com um exército bem treinado e equipado, uma marinha poderosa e uma força aérea. Também criou e utilizou governos colaboracionistas na China ocupada: Manchukuo, no nordeste, e, a partir de 1940, o Governo Nacional Reorganizado em Nanquim, chefiado por Wang Jingwei, antigo líder nacionalista. Soldados e trabalhadores das colônias japonesas da Coreia e de Taiwan foram cada vez mais mobilizados para o esforço de guerra.
Do lado chinês, o governo nacionalista de Chiang Kai-shek comandou os principais exércitos e travou a maioria das grandes batalhas convencionais. O Partido Comunista da China, com o Oitavo Exército de Rota e o Novo Quarto Exército, combateu principalmente por meio da guerrilha atrás das linhas japonesas no norte e no centro da China e estabeleceu bases nessas regiões. A frente unida entre os dois partidos sempre foi tensa e chegou a se romper em confrontos abertos, como no Incidente do Novo Quarto Exército, em janeiro de 1941.
A ajuda estrangeira foi importante. A União Soviética forneceu aviões, conselheiros e empréstimos de 1937 a 1941. Os Estados Unidos concederam empréstimos e, depois, ajuda pelo programa de Empréstimo e Arrendamento, além de pilotos voluntários conhecidos como Tigres Voadores; após 1941, os suprimentos eram transportados por avião sobre o Himalaia (“a Corcova”) ou pela Estrada da Birmânia. Exilados da Coreia e de outros lugares também lutaram ao lado da China, entre eles o Exército de Libertação da Coreia e o Corpo de Voluntários Coreanos.
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1937–1938: a invasão em grande escala
Na noite de 7 de julho de 1937, tropas japonesas e chinesas trocaram tiros perto da Ponte Marco Polo (Lugouqiao), a sudoeste de Pequim. Nenhum dos lados recuou e, em poucas semanas, o Japão ocupou Pequim e Tianjin. Em agosto, os combates chegaram a Xangai, onde Chiang empregou suas melhores divisões, treinadas por alemães. A Batalha de Xangai durou cerca de três meses e causou enormes perdas dos dois lados, até a retirada chinesa em novembro.
As forças japonesas avançaram então sobre Nanquim, capital nacionalista, que caiu em 13 de dezembro de 1937. O que ocorreu em seguida, o Massacre de Nanquim, é descrito na próxima seção. O governo chinês mudou-se primeiro para Wuhan e depois para Chongqing, na província de Sichuan, muito acima no curso do rio Yangtzé. Chongqing tornou-se a capital durante a guerra.
Na primavera de 1938, as forças chinesas conquistaram uma vitória importante em Taierzhuang, na província de Shandong, mostrando que o exército japonês podia ser derrotado. Mas o Japão continuou avançando. Em junho de 1938, para retardar os japoneses, forças nacionalistas romperam os diques do rio Amarelo perto de Huayuankou; a inundação matou centenas de milhares de civis chineses e deixou milhões sem casa. Wuhan e Guangzhou caíram em outubro de 1938. Àquela altura, o Japão controlava a maior parte do litoral, das grandes cidades e das ferrovias da China, mas o país não havia se rendido.
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O Massacre de Nanquim
Após a tomada de Nanquim em 13 de dezembro de 1937, tropas japonesas cometeram assassinatos em massa de prisioneiros de guerra e civis chineses, estupros generalizados, saques e incêndios durante cerca de seis semanas. As atrocidades nas áreas rurais vizinhas começaram antes e continuaram até o início de 1938. Grandes grupos de soldados desarmados e homens suspeitos de serem soldados foram executados a tiros, com baionetas e por outros meios, muitas vezes às margens do rio Yangtzé. Mulheres e meninas de todas as idades foram estupradas, e muitas foram mortas em seguida; a estimativa mais citada é de cerca de 20 mil estupros, embora existam estimativas muito maiores e menores.
Um pequeno grupo de ocidentais que permaneceu na cidade, incluindo o empresário alemão John Rabe, a missionária norte-americana Minnie Vautrin e outros, organizou a Zona de Segurança de Nanquim, onde cerca de 200 mil chineses ou mais procuraram refúgio. Seus diários, cartas e relatórios, assim como as filmagens do missionário John Magee e as reportagens de jornalistas estrangeiros, estão entre as fontes da época mais importantes. Diários de soldados japoneses e depoimentos de sobreviventes chineses oferecem outras evidências.
O número de vítimas é objeto de intenso debate. O Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente (Tribunal de Tóquio) concluiu que mais de 200 mil pessoas foram mortas. O Tribunal de Crimes de Guerra de Nanquim, em 1947, apontou mais de 300 mil, número oficial na República Popular da China. Muitos historiadores japoneses e ocidentais apresentam estimativas que vão de dezenas de milhares a cerca de 200 mil, dependendo de como definem a área, o período e as vítimas — por exemplo, se incluem prisioneiros de guerra executados. Um pequeno número de autores japoneses nega que tenha ocorrido um massacre, posição rejeitada pela maioria dos historiadores. O general Matsui Iwane foi executado após o julgamento de Tóquio, e o general Tani Hisao, após o julgamento de Nanquim; o príncipe Asaka Yasuhiko, membro da família imperial que comandou tropas em Nanquim, nunca foi processado.
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1939–1945: impasse, guerra mundial e desfecho
A partir de 1939, a guerra entrou em um longo impasse. O Japão controlava as cidades e ferrovias do leste, mas não conseguia conquistar o vasto interior. Bombardeou Chongqing repetidamente de 1938 a 1943, matando muitos civis. As forças chinesas defenderam Changsha em várias batalhas. Em 1940, o Oitavo Exército de Rota comunista lançou a Ofensiva dos Cem Regimentos contra ferrovias e postos japoneses no norte da China. O Japão respondeu com operações brutais de “limpeza” nas bases comunistas, conhecidas em chinês como política dos “Três Todos” (matar todos, queimar tudo e saquear tudo), que devastaram aldeias.
Depois do ataque japonês a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, a China declarou formalmente guerra ao Japão e tornou-se um dos Aliados. Em 1943, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos renunciaram a seus direitos de extraterritorialidade na China. Na Conferência do Cairo daquele ano, Chiang encontrou-se com Roosevelt e Churchill; a Declaração do Cairo prometeu devolver à China territórios que lhe haviam sido tomados, como a Manchúria e Taiwan, e tornar a Coreia livre e independente “no devido tempo”. Tropas chinesas também lutaram na Birmânia ao lado de forças britânicas e norte-americanas.
Em 1944, o Japão lançou a Operação Ichi-Go, sua maior ofensiva da guerra, para assegurar um corredor terrestre através da China e destruir bases aéreas norte-americanas. A operação impôs duras derrotas aos exércitos nacionalistas e enfraqueceu o governo de Chiang. O desfecho veio de fora: os Estados Unidos lançaram bombas atômicas sobre Hiroshima (6 de agosto de 1945) e Nagasaki (9 de agosto), e a União Soviética invadiu a Manchúria em 9 de agosto. O imperador Hirohito anunciou a rendição japonesa em 15 de agosto; a rendição formal foi assinada em 2 de setembro na baía de Tóquio, e as forças japonesas na China se renderam em Nanquim em 9 de setembro de 1945.
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Mortes e sofrimento da população civil
Os números de vítimas são incertos e politicamente sensíveis. As estimativas do total de chineses mortos, militares e civis, entre 1937 e 1945 costumam variar de cerca de 14 milhões a 20 milhões ou mais; o governo chinês apresentou o número de 35 milhões de vítimas, entre mortos e feridos, para 1931–1945. Registros do exército nacionalista apontam mais de 1,3 milhão de soldados mortos, e as forças comunistas relataram várias centenas de milhares a mais. Estima-se que as mortes de militares japoneses na China tenham ficado entre cerca de 450 mil e 700 mil. Muitas mortes decorreram não dos combates, mas da fome, de doenças e do deslocamento.
A guerra provocou uma das maiores crises de refugiados da história; as estimativas do número de chineses que fugiram de casa frequentemente chegam a 80 ou 100 milhões. A ruptura deliberada dos diques do rio Amarelo em 1938 causou uma inundação cujo número de mortos é estimado entre cerca de 400 mil e 900 mil. A fome em Henan, em 1942–1943, agravada pela guerra, pelas requisições e por falhas do governo, talvez tenha matado de um a três milhões de pessoas.
As forças japonesas cometeram muitos crimes de guerra além dos de Nanquim. A Unidade 731, perto de Harbin, realizou experimentos letais em seres humanos e desenvolveu armas biológicas, usadas contra cidades e aldeias chinesas; o Japão também usou armas químicas. Os militares japoneses estabeleceram um sistema de “postos de conforto” no qual mulheres e meninas da Coreia, China, Taiwan, Filipinas, Indonésia e de outros lugares foram submetidas à escravidão sexual. As coreanas estavam entre os maiores grupos, embora os números exatos sejam desconhecidos e as estimativas variem de dezenas de milhares a valores muito maiores. Milhões de chineses também foram obrigados a trabalhar, tanto na China quanto no Japão.
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A Coreia e a guerra
A Coreia era uma colônia japonesa desde 1910, e a guerra na China mudou profundamente a vida ali. O Japão transformou a Coreia em uma base para a guerra e adotou políticas de “imperialização” (kōminka) destinadas a tornar os coreanos súditos leais ao império: eles foram obrigados a recitar o Juramento dos Súditos Imperiais e a prestar culto em santuários xintoístas, o ensino em língua coreana foi reduzido e, a partir de 1940, as famílias foram pressionadas a adotar nomes de estilo japonês. A Lei de Mobilização Nacional Geral de 1938 foi aplicada à Coreia e, a partir de 1939, centenas de milhares de coreanos foram mobilizados, muitas vezes sob coerção, para trabalhar em minas, fábricas e obras no Japão, na Coreia e em outros lugares. O Japão introduziu um sistema de soldados “voluntários” em 1938 e o recrutamento obrigatório em 1944. Muitas coreanas foram vítimas do sistema militar de escravidão sexual das chamadas “mulheres de conforto”.
Ao mesmo tempo, o movimento pela independência da Coreia continuava lutando na China. O Governo Provisório da República da Coreia, fundado em Xangai em 1919, precisou deixar a cidade depois do atentado de Yun Bong-gil contra líderes japoneses no Parque Hongkou, em abril de 1932. Mudou-se de cidade em cidade à medida que os japoneses avançavam e se estabeleceu em Chongqing em 1940. Em 17 de setembro daquele ano, fundou o Exército de Libertação da Coreia, comandado por Ji Cheong-cheon, com apoio do governo nacionalista chinês. O Governo Provisório declarou guerra ao Japão em dezembro de 1941.
Outra força, o Corpo de Voluntários Coreanos, foi formada em Hankou (Wuhan) em outubro de 1938 sob a liderança de Kim Won-bong. Muitos de seus membros se deslocaram depois para áreas controladas pelos comunistas no norte da China, onde formaram o Exército de Voluntários Coreanos; os demais se juntaram ao Exército de Libertação da Coreia em 1942. Unidades do Exército de Libertação da Coreia atuaram com os britânicos na frente Índia–Birmânia e, em 1945, treinaram com o Escritório de Serviços Estratégicos dos Estados Unidos (OSS) para uma operação planejada de infiltração na Coreia, que não ocorreu por causa da rendição repentina do Japão. Após a libertação, o governo militar norte-americano não reconheceu o Governo Provisório, e seus líderes voltaram à Coreia como indivíduos. Na Coreia do Sul, o Governo Provisório e o Exército de Libertação são homenageados como raízes da República, e a Constituição faz referência ao legado do Governo Provisório.
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Consequências
A derrota do Japão pôs fim a seu império. Taiwan voltou à China; a Coreia foi libertada, mas dividida em zonas de ocupação soviética e norte-americana no paralelo 38; e o próprio Japão foi ocupado pelos Aliados. O Tribunal de Tóquio (1946–1948) e julgamentos na China e em outros lugares processaram líderes e soldados japoneses por crimes de guerra, embora algumas figuras importantes, incluindo membros da família imperial e os chefes da Unidade 731, não tenham sido julgadas.
Na China, as perdas militares, a inflação e a corrupção esgotaram o governo nacionalista, enquanto o Partido Comunista ampliou seu exército e seu território atrás das linhas japonesas. A guerra civil recomeçou em 1946 e, em 1949, os comunistas fundaram a República Popular da China; os nacionalistas recuaram para Taiwan. Muitos historiadores consideram a guerra contra o Japão um fator decisivo para esse resultado.
O papel da China na guerra também elevou sua posição internacional: a República da China tornou-se um dos cinco membros permanentes do novo Conselho de Segurança das Nações Unidas. As relações entre o Japão e a República Popular da China só foram normalizadas em 1972. Desde então, questões relativas a pedidos de desculpas, indenizações, livros didáticos e homenagens às vítimas continuam a gerar tensões entre China, Coreia e Japão.
Intermediário
Como diferentes países se lembram da guerra
Na República Popular da China, a Guerra de Resistência ocupa um lugar central na memória nacional e na educação patriótica. Durante décadas, o Partido Comunista destacou seu próprio papel na guerrilha e deu menos atenção à contribuição dos nacionalistas; desde os anos 1980, a participação dos exércitos nacionalistas passou a ser reconhecida mais abertamente. O Memorial do Massacre de Nanquim foi inaugurado em 1985 e, em 2014, a China estabeleceu 3 de setembro como Dia da Vitória e 13 de dezembro como dia nacional em memória das vítimas do Massacre de Nanquim. Em 2017, os livros didáticos chineses foram orientados a descrever uma “guerra de catorze anos” iniciada em 1931. Em Taiwan, a tradição nacionalista por muito tempo apresentou a liderança de Chiang como o centro da resistência, enquanto muitas famílias taiwanesas viveram a guerra como súditas do Japão.
No Japão, as lembranças são divergentes. Muitos japoneses recordam a guerra principalmente por seu próprio sofrimento, como os ataques aéreos e os bombardeios atômicos. Declarações oficiais, especialmente a do primeiro-ministro Murayama Tomiichi em 1995, expressaram “profundo remorso” e um pedido de desculpas pelo domínio colonial e pela agressão. Ao mesmo tempo, as visitas de políticos ao Santuário Yasukuni, onde estão homenageados criminosos de guerra condenados da Classe A, e as controvérsias sobre livros didáticos — como os longos processos do historiador Ienaga Saburō contra a avaliação governamental desses livros — mostram que as disputas continuam. Alguns grupos nacionalistas minimizam ou negam o Massacre de Nanquim e a coerção exercida sobre as mulheres de conforto, enquanto muitos historiadores e cidadãos japoneses documentaram esses crimes.
Na Coreia, a guerra é lembrada como parte do período colonial e da luta pela libertação, celebrada em 15 de agosto (Gwangbokjeol). O sofrimento dos trabalhadores forçados e das mulheres de conforto continua sendo uma questão importante nas relações com o Japão. Entre os episódios relacionados estão um acordo bilateral de 2015 sobre as mulheres de conforto, contestado na Coreia, e decisões judiciais de 2018 sobre indenizações pelo trabalho forçado. No Ocidente, a frente de guerra na China foi por muito tempo uma parte “esquecida” da Segunda Guerra Mundial; o livro de Iris Chang de 1997, The Rape of Nanking, e pesquisas posteriores deram mais visibilidade ao tema.
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Fontes primárias
As fontes sobre a guerra são vastas, mas desiguais. Muitos documentos militares e governamentais japoneses foram preservados, porém numerosos registros foram queimados deliberadamente entre a decisão do Japão de se render e a chegada das forças aliadas, em agosto de 1945, o que dificulta a pesquisa sobre as atrocidades e o sistema das mulheres de conforto. Os arquivos do governo nacionalista estão principalmente em Taipé (Academia Historica) e Nanquim (Segundo Arquivo Histórico da China); os diários de Chiang Kai-shek, disponibilizados a pesquisadores na Instituição Hoover nos anos 2000, ajudam a entender suas decisões. Os registros do Partido Comunista são menos acessíveis.
Para o Massacre de Nanquim, as fontes da época mais importantes incluem o diário de John Rabe, o diário de Minnie Vautrin, os registros do comitê da Zona de Segurança, as reportagens dos jornalistas Tillman Durdin e Archibald Steele, as filmagens de John Magee, os registros de sepultamentos de organizações beneficentes como a Sociedade da Suástica Vermelha, os diários e depoimentos posteriores de soldados japoneses e os testemunhos de sobreviventes reunidos após a guerra. Os autos do Tribunal de Tóquio e do tribunal de Nanquim contêm muitas provas, mas foram produzidos em um contexto jurídico.
Para a Coreia, as fontes incluem os registros e as publicações do Governo Provisório, documentos do Exército de Libertação da Coreia e arquivos do OSS, estatísticas do governo colonial japonês sobre a mobilização e relatos orais de trabalhadores forçados e sobreviventes do sistema das mulheres de conforto. Muitas dessas pessoas só começaram a falar publicamente nos anos 1990, a partir do testemunho de Kim Hak-sun em 1991.
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Historiografia e debates
O número de mortos em Nanquim tornou-se a questão numérica mais carregada politicamente da guerra. A historiografia japonesa costuma ser descrita como dividida entre uma corrente do “grande massacre” (historiadores como Hora Tomio, Fujiwara Akira e Kasahara Tokushi, que aceitam números superiores a 100 mil e que chegam a cerca de 200 mil ou mais), uma corrente “intermediária” (como Hata Ikuhiko, que estimou cerca de 40 mil) e uma corrente que considera o massacre uma “ilusão” ou o nega. Pesquisadores chineses geralmente sustentam o número de 300 mil. O projeto conjunto de pesquisa histórica Japão–China, cujos relatórios foram publicados em 2010, registrou estimativas de pesquisadores japoneses entre 20 mil e 200 mil e a posição chinesa de mais de 300 mil. As diferenças decorrem dos limites geográficos e cronológicos adotados, do tratamento dado aos prisioneiros de guerra executados, da confiabilidade dos registros de sepultamentos e dos testemunhos e da população da cidade antes da guerra. Há, porém, amplo consenso entre os historiadores de que ocorreram atrocidades em grande escala; a coletânea organizada por Joshua Fogel (2000) e os trabalhos de Takashi Yoshida examinam como o massacre foi lembrado e debatido na China, no Japão e nos Estados Unidos.
Um segundo debate diz respeito a quem travou a guerra. Forgotten Ally (2013), de Rana Mitter, e os trabalhos de Hans van de Ven e outros argumentam que os nacionalistas suportaram a maior parte dos combates convencionais e que a longa resistência chinesa reteve grandes forças japonesas, contribuição por muito tempo subestimada no Ocidente e, durante décadas, na República Popular da China. A periodização também é debatida: a versão oficial chinesa da “guerra de catorze anos” (1931–1945) enfatiza a continuidade desde o Incidente da Manchúria, enquanto muitos historiadores de outros países ainda datam o início da guerra em grande escala em 1937.
Historiadores da Coreia examinam o impacto da guerra na sociedade colonial, incluindo a escala e a natureza da mobilização forçada, as questões da colaboração e da resistência e o reconhecimento internacional do Governo Provisório. Os debates sobre a coerção exercida sobre as mulheres de conforto e os trabalhadores forçados continuam nos meios acadêmico e político. São centrais para essa discussão os testemunhos de sobreviventes, os documentos militares japoneses encontrados por historiadores como Yoshimi Yoshiaki e a Declaração Kōno de 1993, na qual o governo japonês reconheceu a participação dos militares.
Batalhas (40)
- Incidente de Mukden1931
- Pacificação de Manchukuo1931–1941
- Unidade 7311933
- Massacre de Nanquim1937–1938
- Incidente da Ponte Marco Polo1937
- Batalha de Xangai1937
- Batalha de Nanquim1937
- Incidente do USS Panay1937
- Battle of Taiyuan1937
- Batalha de Pingxingguan1937
- Battle of Xinkou1937
- Defense of Sihang Warehouse1937
- Guanganmen Incident1937
- Batalha de Wuhan1938
- Battle of Taierzhuang1938
- Batalha de Xuzhou1938
- Bombardeio de Chongqing1938–1943
- Canton Operation1938
- Amoy Operation1938
- Batalha de Changsha1939
- Battle of Nanchang1939
- Battle of South Guangxi1939–1940
- Battle of Suixian–Zaoyang1939
- Ofensiva dos Cem Regimentos1940
- Battle of Zaoyang–Yichang1940
- Battle of Wuyuan1940
- Batalha de Changsha1941
- Battle of Shanggao1941
- Battle of South Henan1941
- Battle of South Shanxi1941
- Batalha de Changsha1942
- Battle of Yunnan-Burma Road1942
- Battle of Yenangyaung1942
- proposed Japanese invasion of Sichuan1942
- Battle of Toungoo1942
- Battle of Changde1943
- Massacre de Changjiao1943
- Battle of West Hubei1943
- Battle of Northern Burma and Western Yunnan1943–1945
- Battle of Guilin–Liuzhou1944
Ideias principais
- Guerra de agressão
- A invasão japonesa buscava dominar a China e garantir recursos; o Tribunal de Tóquio a considerou uma guerra de agressão.
- Resistência prolongada
- A China cedeu território para ganhar tempo, transferiu seu governo para o interior e se recusou a se render apesar das enormes perdas.
- Atrocidades e memória
- O Massacre de Nanquim, a Unidade 731 e o sistema das mulheres de conforto continuam centrais nas lembranças e nos debates sobre a guerra.
- Catástrofe para os civis
- Bombardeios, massacres, inundações, fome e deslocamentos fizeram dos civis a maioria das vítimas da guerra.
- Mobilização colonial
- A Coreia e Taiwan foram envolvidas na guerra japonesa por meio da assimilação forçada, da mobilização de trabalhadores e do recrutamento militar obrigatório.
- Luta pela independência da Coreia
- O Governo Provisório e o Exército de Libertação da Coreia lutaram a partir da China pela libertação coreana.
- Da guerra mundial à guerra civil
- A guerra enfraqueceu os nacionalistas e fortaleceu os comunistas, influenciando o resultado da guerra civil chinesa.
Registros
- 1931 — Incidente de Mukden (ou da Manchúria) em 18 de setembro; o Japão ocupa a Manchúria.
- 1932 — Criação de Manchukuo; atentado de Yun Bong-gil no Parque Hongkou, em Xangai (abril).
- 1936 — O Incidente de Xi'an abre caminho para uma frente unida entre nacionalistas e comunistas.
- 1937 — Incidente da Ponte Marco Polo (7 de julho); Batalha de Xangai; queda de Nanquim (13 de dezembro) e início do massacre.
- 1938 — Vitória em Taierzhuang; ruptura dos diques do rio Amarelo; fundação do Corpo de Voluntários Coreanos; queda de Wuhan e Guangzhou.
- 1940 — Regime de Wang Jingwei em Nanquim; fundação do Exército de Libertação da Coreia em Chongqing (17 de setembro); Ofensiva dos Cem Regimentos.
- 1941 — Incidente do Novo Quarto Exército (janeiro); ataque a Pearl Harbor (7 de dezembro); a China e o Governo Provisório da Coreia declaram guerra ao Japão.
- 1943 — A Declaração do Cairo promete a devolução da Manchúria e de Taiwan e a independência da Coreia “no devido tempo”.
- 1944 — Operação Ichi-Go, do Japão; o país introduz o recrutamento militar obrigatório na Coreia.
- 1945 — Bombardeios atômicos e invasão soviética da Manchúria (agosto); rendição do Japão (15 de agosto); rendição em Nanquim (9 de setembro).
- 1946 — Início do Tribunal de Tóquio (até 1948); retomada da guerra civil chinesa.
Glossário
- Partido Nacionalista (Guomindang)
- Partido que governou a República da China sob a liderança de Chiang Kai-shek.
- Partido Comunista da China
- Partido liderado por Mao Zedong que combateu o Japão principalmente por meio da guerrilha e venceu a guerra civil em 1949.
- Frente unida
- Aliança estabelecida durante a guerra entre nacionalistas e comunistas contra o Japão.
- Manchukuo
- Estado fantoche criado pelo Japão no nordeste da China em 1932.
- Regime colaboracionista
- Governo que coopera com uma potência ocupante, como o de Wang Jingwei em Nanquim.
- Mulheres de conforto
- Eufemismo para mulheres e meninas submetidas à escravidão sexual pelos militares japoneses.
- Kōminka
- “Imperialização”: políticas japonesas que obrigavam os habitantes das colônias a adotar a língua, os nomes e a religião do Japão.
- Governo Provisório da Coreia
- Governo coreano no exílio fundado em Xangai em 1919 e sediado em Chongqing a partir de 1940.
- Exército de Libertação da Coreia
- Exército do Governo Provisório da Coreia, fundado em Chongqing em 1940.
- Tribunal de Tóquio (TMIEO)
- Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, que julgou líderes japoneses por crimes de guerra entre 1946 e 1948.
Perguntas e respostas
Como a guerra começou?
Um confronto entre tropas japonesas e chinesas na Ponte Marco Polo, perto de Pequim, em 7 de julho de 1937, transformou-se em uma guerra em grande escala após anos de expansão japonesa, incluindo a ocupação da Manchúria em 1931.
O que foi o Massacre de Nanquim?
Depois que tropas japonesas ocuparam Nanquim em dezembro de 1937, elas mataram muitos prisioneiros e civis e cometeram estupros em massa e saques durante várias semanas. Foi uma das piores atrocidades da guerra.
Por que existem números diferentes para as vítimas de Nanquim?
Porque os registros são limitados e há definições diferentes da área, do período e das vítimas. Tribunais do pós-guerra apontaram mais de 200 mil ou mais de 300 mil mortos; muitos historiadores apresentam estimativas que vão de dezenas de milhares a cerca de 200 mil. Há consenso entre a maioria dos historiadores de que ocorreu um massacre.
O que os coreanos fizeram durante a guerra?
A Coreia era uma colônia japonesa, e muitos coreanos foram obrigados a trabalhar ou lutar pelo Japão, enquanto mulheres coreanas foram submetidas à escravidão sexual. Ao mesmo tempo, combatentes coreanos pela independência na China formaram o Exército de Libertação da Coreia e o Corpo de Voluntários Coreanos para lutar contra o Japão.
A China lutou sozinha?
De 1937 a 1941, a China recebeu alguma ajuda, especialmente da União Soviética, mas lutou praticamente sozinha. Depois do ataque a Pearl Harbor, juntou-se aos Aliados ao lado dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da União Soviética.
A guerra começou em 1931 ou em 1937?
A guerra em grande escala começou em 1937, mas a história oficial chinesa hoje fala em uma guerra de catorze anos iniciada com o Incidente da Manchúria, em 1931. Historiadores usam ambas as datas, conforme o aspecto que enfatizam.
Por que essa guerra ainda causa tensões hoje?
Disputas sobre pedidos de desculpas, indenizações a vítimas como as mulheres de conforto e os trabalhadores forçados, livros didáticos e memoriais de guerra como o Santuário Yasukuni continuam a afetar as relações entre China, Coreia e Japão.
Quantas pessoas morreram?
Não existe um número exato. As mortes de chineses costumam ser estimadas entre 14 e 20 milhões ou mais, em sua maioria civis; as mortes de militares japoneses na China foram de cerca de meio milhão ou mais.
Fontes e leituras adicionais
- Second Sino-Japanese War. Wikipedia
- Nanjing Massacre. Wikipedia
- Nanjing Massacre denial. Wikipedia
- Comfort women. Wikipedia
- Korean Liberation Army. Wikipedia
- 한국광복군 (Korean Liberation Army). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
- 조선의용대 (Korean Volunteer Corps). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
- 조선인 강제동원 (Forced mobilisation of Koreans). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
- Rana Mitter, Forgotten Ally: China's World War II, 1937–1945. Houghton Mifflin Harcourt, 2013
- Joshua A. Fogel (ed.), The Nanjing Massacre in History and Historiography. University of California Press, 2000
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.